Agricultores familiares analisam impactos ambientais de suas práticas agrícolas – Embrapa

A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) Kathia Sonoda falou sobre insetos aquáticos como indicadores de qualidade ambiental para estudantes de ciências biológicas, em 9 de agosto, na Unimep, campus Piracicaba, SP. O seminário abordou, além da introdução a esses insetos, suas participações nos ambientes naturais.

Foto: Ricardo Figueiredo

Foto: Ricardo Figueiredo

Conforme ela, as matas ripárias possuem diversas funções ecológicas nos ambientes terrestres e aquáticos, e por estarem no ecótone (região de transição entre duas comunidades ou entre dois ecossistemas) entre esses ambientes, recebem influência de ambos. “Animais e plantas que ali habitam são beneficiados com alimentos fornecidos pelo ecossistema aquático na forma de insetos emergentes. Há também a ciclagem de nutrientes devido ao consumo de matéria orgânica proveniente da mata e que, ao ser degradada, retornam a essa mesma vegetação”. Em contrapartida, continua a pesquisadora, a cobertura vegetal controla a temperatura da água pelo efeito de sombreamento pela copa, as raízes auxiliam na retenção do solo, diminuindo o assoreamento dos cursos d’água”. Esses são apenas alguns exemplos dos benefícios e interações entres os ambientes, completou”.

Alterações no entorno do ambiente aquático, seja lótico – de águas correntes, ou lêntico – de águas paradas – influenciam nestas interações e, por sua vez, irão repercutir sobre as comunidades que habitam a água.

Como os insetos aquáticos são organismos com diferentes graus de resistência a alterações ambientais, alguns grupos são reconhecidos como muito sensíveis a perturbações e desaparecem, enquanto que outros, muito resistentes, são capazes de sobreviver às mais severas poluições, apontando que o ecossistema se apresenta comprometido. Assim, esclarece Kathia, a composição taxonômica da comunidade, o balanço entre as participações numéricas de cada grupo, em função da taxonomia ou das categorias funcionais, indicam o grau de (des)equilíbrio da comunidade frente às alterações ambientais.

Vários projetos que utilizam a entomofauna aquática executados na Embrapa   abordam temas variados como agricultura familiar, aquicultura/piscicultura, recuperação de bacias hidrográficas, além de valoração de serviços ambientais.

Kathia cita como exemplo o resultado do Projeto Ações de uso e manejo da sociobiodiversidade de sistemas agrícolas e extrativistas visando a segurança alimentar e geração de renda de agricultores familiares do Território do Alto Rio Pardo,  liderado por João Roberto Correa, pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF). Nele, os agricultores e técnicos agrícolas participaram de capacitação sobre os insetos aquáticos e aprenderam a reconhecer os principais grupos na escala de sensibilidade (alta, média e baixa) e atribuir pontos a esses grupos. Isto permitiu que analisassem a qualidade ambiental dos córregos no entorno de suas propriedades e verificassem, por eles mesmos, que apesar de não haver grandes fontes poluidoras, as práticas agrícolas adotadas resultavam em baixa qualidade, o que em efeito cascata (devido à teia alimentar, onde os insetos são alimentos de peixes, aves e outros animais), contribuía para diminuir os itens disponíveis para a alimentação deles”.
 

Cristina Tordin (MTB 28499)
Embrapa Meio Ambiente

Fonte: Embrapa

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