Alta acumulada superior a 30% do dólar consolida ainda mais competitividade da soja do Brasil

A competitividade da soja brasileira foi destaque essa semana e o mercado nacional registra novos dias de bons negócios e bons preços. “Os preços da soja em reais seguem em níveis historicamente altos. A motivação maior vem do câmbio e assim deve permanecer”, acredita o consultor de mercado Steve Cachia, da Cerealpar e da AgroCulte.

Ao longo de toda semana, o Notícias Agrícolas destacou a concentração da demanda dos importadores, principalmente da China, no Brasil, o que justifica, portanto que o percentual de comercialização da safra 2019/20 já alcance os 80% – contra 60% de média dos últimos anos – e históricos 35% para a safra 2020/21, enquanto a média para este período é de 15%.

Uma série de fatores se alinham neste momento para criar o atual cenário para a soja nacional, que atualmente é a mais competitiva do mundo. Entre eles estão o dólar, a demanda forte diante da necessidade crescente entre os consumidores e a qualidade.

“Estamos exportando muita soja e o Brasil está sendo protagonista não só na produção, mas também nas exportações e nas negociações futuras. O dólar deu muitas oportunidades e o produtor aproveitou e foi vendendo”, disse o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira. “Então, os compradores têm que apertar o passo, porque a soja brasileira é a mais competitiva do mundo tanto em qualidade, com o teor de óleo e proteína, quanto em sustentabilidade ambiental”, completa.

Como explica Carlos Cogo, diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, o real é a moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar e esse ainda é o principal pilar de suporte e estímulo das cotações da soja no mercado brasileiro. Somente nesta semana, a divisa americana subiu 2,9% e fechou com R$ 5,2359.
Ao observar o acumulado de 2020, a alta já é de 30,48%. Como noticiou a agência Reuters, de 16 semanas do ano, o dólar subiu em 14 delas. Assim, as perdas na Bolsa de Chicago, que somente nesta semana foram de 3% entre os principais contratos, acabaram neutralizadas pelo câmbio.

“O Brasil está entrando agora num período onde a doença ganha proporções maiores e as infecções aumentam de forma exponencial. Infelizmente, a atual realidade econômica brasileira não proporciona um horizonte seguro para a manutenção de sua estrutura financeira. A ARC vê a possibilidade do dólar atingir novos recordes frente ao real, buscando os patamares de R$5,50 a R$5,70 nestas próximas semanas”, acreditam os analistas de mercado da ARC Mercosul.

Ainda de acordo com a consultoria, a soja com referência junho/20 no porto de Paranaguá tem indicativo de US$ 335,30 por tonelada, enquanto a mesma referência no Golfo dos EUA é de US$ 337,50/t. Os prêmios são de, respectivamente, 67 e 73 cents de dólar por bushel.

Dessa forma, ainda como explica o executivo da Cogo Inteligência em Agronegócio, as baixas acumuladas pela soja na Bolsa de Chicago passam de 5%, enquanto a referência para a oleaginosa no porto de Paranaguá tem um ganho de pouco mais de 15%. E complementa dizendo que além de todos estes fatores, a logística nacional operando normalmente também favorece os bons negócios no Brasil, o que pode, inclusive, trazer uma surpresa para os números dos embarques de soja agora em abril.

Na demanda interna, apesar do consumo interno menor de proteínas, a força também é mantida diante de boas exportações de carnes suína, de frango e bovina. As indústrias sofrem com alguma preocupação sobre a necessidade do fechamento de plantas, mas enxergam a força das vendas internas e seguem demandando não só farelo de soja, como milho também.

BRASIL X EUA

Todo este bom momento da soja brasileira é mais um fator de pressão sobre os futuros da oleaginosa negociadas na Bolsa de Chicago. Nesta sexta-feira, as cotações encerraram o pregão com baixas de 3,25 a 4,25 pontos nos principais contratos, levando o maio a US$ 8,32 e o agosto para US$ 8,44 por bushel.

A ausência da demanda pesa severamente sobre o mercado norte-americano e já traz prejuízos severos aos produtores dos EUA. O movimento se iniciou com a guerra comercial entre chineses e americanos, que foi iniciada no meio de 2018, e que afastou a nação asiática da soja dos Estados Unidos.

A briga correu e hoje, apesar de algum acordo alcançado entre os dois países, a China segue comprando soja onde é mais barato, como já havia adiantado que faria.

“A notícia maior de demanda do lado da soja nos EUA é de exportação e não demanda interna. Com o real fraco frente ao dólar e também o volume de soja que o Brasil tem, as exportações brasileiras estão tomando espaço no mercado internacional e as americanas, sofrendo mais um pouco”, explica Aaron Edwards, consultor de mercado da Roach Ag Marketing, direto dos EUA ao Notícias Agrícolas.

Para Edwards, as exportações de soja dos EUA deverão ganhar mais espaço no segundo semestre. “E a razão para isso é bastante simples. Se olharmos para o acordo firmado no começo de janeiro eles disseram que queriam comprar dos EUA mas dariam preferência para quem tivesse o preço mais competitivo. Neste quadro, a coisa mais sensata é olhar para o padrão de exportações antes da guerra comercial”, diz.

E ao se observar esse padrão, sempre foi bem determinado que o período pós-safra de cada país tinha a soja mais competitiva, sendo o Brasil no primeiro semestre do ano e os EUA, no segundo, mais ao final do ano. “Assim, acho muito plausível que as exportações dos Estados Unidos ganhem mais força no último trimestre de 2020 e primeiro trimestre de 2021, porque esse é o padrão histórico dos dois países”, acredita o analista.

Todavia, caso estas compras não comecem a acontecer efetivamente, os preços da soja na Bolsa de Chicago podem vir a registrar valores ainda mais baixos.

E tudo isso se desenha com mais intensidade no início da nova safra de grãos dos EUA.

Os produtores norte-americanos já deram início aos seus trabalhos de campo em algumas regiões do país, principalmente com o milho nas áreas do Delta do Mississipi. De acordo com os útimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) são 3% da área do cereal já semeada, contra o mesmo índice em 2019 e 4% da média dos últimos cinco anos.

No entanto, é possível observar que em muitas regiões os produtores optam por esperar condições um pouco mais favoráveis para darem continuidade a suas atividades.

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Rodrigo Fraoli - CEO Ruralbook / Designer / Especialista em MKT Digital para o Agronegócio. * Saiba mais em #mktparaoagro - RURALBOOK *

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