Armando Soares #15: Um novo Brasil

Necessário que se leia para entender melhor em que mãos o Brasil estava entregue. Muito bom este “Editorial do Estadão”


armando-soares (1)“Nunca antes na história deste país um charlatão foi tão longe.”

“O fim do torpor” 31 Agosto 2016 | 03h11


“O impeachment da presidente Dilma Rousseff será visto como o ponto final de um período iniciado com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, em que a consciência crítica da Nação ficou anestesiada. A partir de agora, será preciso entender como foi possível que tantos tenham se deixado enganar por um político que jamais se preocupou senão consigo mesmo, com sua imagem e com seu projeto de poder; por um demagogo que explorou de forma inescrupulosa a imensa pobreza nacional para se colocar moralmente acima das instituições republicanas; por um líder cuja aversão à democracia implodiu seu próprio partido, transformando-o em sinônimo de corrupção e de inépcia. De alguém, enfim, cuja arrogância chegou a ponto de humilhar os brasileiros honestos, elegendo o que ele mesmo chamava de “postes” – nulidades políticas e administrativas que ele alçava aos mais altos cargos eletivos apenas para demonstrar o tamanho, e a estupidez, de seu carisma.”

“Muito antes de Dilma ser apeada da Presidência já estava claro o mal que o lulopetismo causou ao País. Com exceção dos que ou perderam a capacidade de pensar ou tinham alguma boquinha estatal, os cidadãos reservaram ao PT e a Lula o mais profundo desprezo e indignação. Mas o fato é que a maioria dos brasileiros passou uma década a acreditar nas lorotas que o ex-metalúrgico contou para os eleitores daqui. Fomos acompanhados por incautos no exterior.”

“Raros foram os que se deram conta de seus planos para sequestrar a democracia e desmoralizar o debate político, bem ao estilo do gangsterismo sindical que ele tão bem representa. Lula construiu meticulosamente a fraude segundo a qual seu partido tinha vindo à luz para moralizar os costumes políticos e liderar uma revolução social contra a miséria no País.”

“Quando o ex-retirante nordestino chegou ao poder, criou-se uma atmosfera de otimismo no País. Lá estava um autêntico representante da classe trabalhadora, um político capaz de falar e entender a linguagem popular e, portanto, de interpretar as verdadeiras aspirações da gente simples. Lula alimentava a fábula de que era a encarnação do próprio povo, e sua vontade seria a vontade das massas.”

“O mundo estendeu um tapete vermelho para Lula. Era o homem que garantia ter encontrado a fórmula mágica para acabar com a fome no Brasil e, por que não?, no mundo: bastava, como ele mesmo dizia, ter “vontade política”. Simples assim. Nem o fracasso de seu programa Fome Zero nem as óbvias limitações do Bolsa Família arranharam o mito. Em cada viagem ao exterior, o chefão petista foi recebido como grande líder do mundo emergente, mesmo que seus grandiosos projetos fossem apenas expressão de megalomania, mesmo que os sintomas da corrupção endêmica de seu governo já estivessem suficientemente claros, mesmo diante da retórica debochada que menosprezava qualquer manifestação de oposição. Embalados pela onda de simpatia internacional, seus acólitos chegaram a lançar seu nome para o Nobel da Paz e para a Secretaria-Geral da ONU.”

“Nunca antes na história deste país um charlatão foi tão longe. Quando tinha influência real e podia liderar a tão desejada mudança de paradigma na política e na administração pública, preferiu os truques populistas. Enquanto isso, seus comparsas tentavam reduzir o Congresso a um mero puxadinho do gabinete presidencial, por meio da cooptação de parlamentares, convidados a participar do assalto aos cofres de estatais. A intenção era óbvia: deixar o caminho livre para a perpetuação do PT no poder.”

“O processo de destruição da democracia foi interrompido por um erro de Lula: julgando-se umkingmaker, escolheu a desconhecida Dilma Rousseff para suceder-lhe na Presidência e esquentar o lugar para sua volta triunfal quatro anos depois. Pois Dilma não apenas contrariou seu criador, ao insistir em concorrer à reeleição, como o enterrou de vez, ao provar-se a maior incompetente que já passou pelo Palácio do Planalto.”

“Assim, embora a história já tenha reservado a Dilma um lugar de destaque por ser a responsável pela mais profunda crise econômica que este país já enfrentou, será justo lembrar dela no futuro porque, com seu fracasso retumbante, ajudou a desmascarar Lula e o PT. Eis seu grande legado, pelo qual todo brasileiro de bem será eternamente grato.”

É justa a euforia de Diogo Mainardi, Mario Sabino e Claudio Dantas condutores do “O Antagonista”. A luta desses corajosos brasileiros para a derrubada do governo podre de Dilma Rousseff merece elogios. Foram nove meses de uma novela que cheirava mal, cheiro vindo de políticos sujos. Para esses heróis nacionais, entretanto, a vitória não é completa, o impeachment não é o fim. Segundo Claudio Dantas, que conversou com alguns ministros do Supremo sobre as consequências da decisão do Senado em fatiar o impeachment da Dilma Rousseff que irá criar um problema jurídico enorme. A partir daí, explica Claudio, Eduardo Cunha vai poder recorrer e tentar fatiar o processo dele, pegar uma condenação menor e que não retire os direitos políticos dele. A outra consequência mais grave é a pá de cal na ficha limpa; você pega a condenação de um político no Congresso e depois suspende a aplicação da pena que é a inabilitação para o exercício de função pública, no caso da ficha limpa é apenas o direito político. O que o Supremo está aguardando é uma avalanche de recursos de políticos condenados que vão querer suspender as suas penas e retomar os seus direitos políticos. O pior de tudo é que resgaram a constituição. A perda dos direitos políticos está implícito na constituição com jurisprudência consolidada no Supremo. O remédio, segundo Mario Sabino, é despachar o Renan Calheiros para a Papuda. O impeachment não é o fim. A decisão do Senado é que o verdadeiro golpe e espera-se que os ministros do Supremo deem um fim nesse golpe preparado por Lula e Renan Calheiros com a cumplicidade de Lewandowski, e deve ser revertido. Na opinião de Diogo Mainardi, o que está por trás disso é oferecer condição para a Dilma ir para uma secretaria de uma Araraquara e assim se escapar de Sergio Moro mantendo o foro privilegiado. Isso é o que querem todos aqueles que estão sendo condenados. Abriu a porta do inferno. Isso não diminui a vitória extraordinária conseguida com a retirada de Dilma do poder. É inacreditável que se tenha conseguido tirar do poder a pior presidente da história do Brasil. Eles (Lula e Dilma) aparelharam o poder por 13 anos e não se livra de um dia para outro toda a porcaria que eles colocaram no seio do Estado. Espera-se que logo tenhamos o Lula condenado pelo Lava Jato em Curitiba. Nós chutamos o PT de vez para fora do Palácio do Planalto. Temer assume o poder com uma base esfacelada. Renan tem que ser varrido da vida pública para o bem do Brasil. É impressionante que já não tenha acontecido diante de tanto processo que tem contra ele, doze processos. O que a gente não consegue eliminar da política brasileira é a chantagem. Nós temos no Congresso um bando de chantagistas que precisa acabar. A sociedade tem força e ela precisa estar sendo mobilizada apesar da vitória e não vamos deixar a política nas mãos de quem que for e vamos cuidar de nossa vida, não, a política tem que ser exercida diariamente e a sociedade tem que estar engajada para continuar fiscalizando e impedir que novos abusos aconteçam. A história continua e tem que haver uma limpeza na política. Não é mais possível existir partidos balcanizados… (Extraído da Reunião de Pauta Extraordinária, de 31.08.2016. Canalhas! Canalhas! Canalhas!).

                Fiz questão de publicar a conversa desses três gigantes da resistência em favor da moralização da política brasileira e pelo afastamento da Dilma e do PT do governo, para em primeiro lugar homenageá-los e em segundo lugar para levar ao conhecimento aos paraenses, amazônidas e brasileiros em geral a gravidade do cenário político brasileiro e a contaminação consequente de nossas instituições. Realmente vivíamos num país inundado de patifarias, de desonestidade sem fim, com uma justiça destruída e vendida aos interesses de bandidos, associada a um Congresso com as mesmas características. Tenho dúvidas se Temer e seus auxiliares poderão sanear o Estado e mudar os rumos do Brasil. A tarefa é muito grande e exige dois exércitos para o saneamento, um para destravar a economia e outro para jogar fora da máquina do Estado, os ratos colocados pelo PT nesses últimos treze anos. Há ainda questões de magna importância como combater os invasores de propriedades, rever a política ambiental que travou o desenvolvimento da Amazônia e libertar os estados brasileiros da canga tributária que os tornou deficitários e politicamente submetida ao poder central. O primeiro passo já foi dado para sanear o país, graças aos gritos do povo brasileiro nas ruas. 90% da população brasileira disse não ao PT e ao populismo irresponsável. E Dilma, mostrando tudo o que ela é e sempre foi, deixa o governo expulsa pelos brasileiros ameaçando de tocar fogo no país. Quem sempre foi guerrilheira e bandida nunca deixa de ser.

                Patifaria em marcha. A Folha de S. Paulo disse que Renan Calheiros cochichou a Ricardo Lewandowski, “em rápidas e discretas palavras”, que ele poderia fatiar o impeachment “como presidente do plenário do Senado, e não como magistrado do STF”. O fato se torna ainda mais asqueroso quando se descobre que, duas semanas antes do impeachment, em reunião com os senadores, Ricardo Lewandowski já havia descartado a possibilidade de poupar Dilma Rousseff, citando o artigo 52 da Carta Constitucional. Quem deu o golpe, portanto, não foi Ricardo Lewandowski, “magistrado do STF”, e sim Ricardo Lewandowski, “presidente do plenário do Senado”.

                Iniciativa que engrandece o PMDB. Romero Jucá, presidente do PMDB, avisa que vai subscrever o mandado de segurança do PSDB, DEM e PPS contra a decisão que manteve a elegibilidade de Dilma Rousseff.

                E o nosso Pará, o que é preciso fazer para que ele possa tomar o rumo certo e expulse do poder os ambientalistas nocivos? Não é chegada a hora de junto com a assepsia que deverá ser feita a nível nacional, fazer a regional? Não esqueçamos que temos uma luta a nível regional, a de livrar o Pará dos políticos servis aos interesses estrangeiros, ao ambientalismo-indigenista.

Armando Soares – economista

e-mail: armandoteixeirasoares@gmail.com

 

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