Armando Soares #19: Brasil mutilado e sem prioridade

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armando-soares (1)Abre-se o jornal e lá está a ação do ambientalismo apertando mais o cerco em torno da Amazônia, na verdade em torno dos estados amazônicos, uma vez que a Amazônia é apenas uma figura geográfica. Ignorar a existência de Estados na região amazônica é mais uma discriminação e ou uma maneira de ver a Amazônia sem os Estados, o que agrada mais os colonialistas. Cada vez se cria mais bancos de dados para facilitar a desocupação populacional e destruir os núcleos produtivos. O que os donos de jornais dos Estados amazônicos precisam se convencer é da necessidade de se lutar para enfrentar e vencer a pobreza endêmica, o subdesenvolvimento e dar segurança a uma população totalmente desprotegida. Emprestar o jornal para servir aos interesses de estrangeiros, ao comércio ambiental, a ONGs ambientalistas é fomentar e facilitar a dominação dos estados amazônicos é contribuir para ampliar a pobreza é apoiar o subdesenvolvimento. Jornalistas e proprietários de jornais sabem muito bem que a pobreza só pode ser erradicada e a qualidade de vida alcançada com o desenvolvimento capitalista. Desenvolvimento sustentável nada mais é do que uma arma para o domínio da Nova Ordem Mundial disputada pelos blocos Bildeberg (ocidental), Russo/Chinês e Islâmico, uma arma do novo comunismo estabelecido pela Perestróika, que serve aos interesses de dominação de qualquer bloco. O desenvolvimento realizado com base numa economia de mercado não interessa a nenhum bloco, daí as ordens emanadas via ONU para priorizar na região amazônica o desenvolvimento sustentável.

Desenvolvimento sustentável é incompatível com o capitalismo que construiu o mundo onde se constata a boa qualidade de vida, onde o desenvolvimento aconteceu de fato e onde houve efetivo avanço da civilização.

Vamos nos utilizar das afirmações sensatas de um PhD graduado em Economia pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos que comprovam a verdade que venho esclarecendo sistematicamente, verdade que tem uma infinidade de adeptos, mas que são ignoradas diante da força e poder dos interesses dos blocos hegemônicos.  Contrariando as teses ambientalistas que ganharam corpo com a contracultura dos anos 1960, o capitalismo se mostra capaz de, em espantosa vitalidade, transformar o ecossistema em mercadoria. A afirmação, polêmica, é do professor Roberto José Moreira, do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CDPA), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Em sua pesquisa Ruralidades: assimetrias de poder e identidades sociais no campo, apoiada pelo edital Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, ele questiona a ideia do que entendemos hoje por desenvolvimento sustentável e procura construir, a partir da ciência contemporânea, um olhar relativista que incorpore a ideia de incerteza e de indeterminação para discutir questões como identidades e núcleos hegemônicos de poder no campo. “Para mim, o mundo rural envolve várias identidades e diversos modos de vida. Não só o agricultor, mas também o artesão, ou o músico sertanejo, por exemplo. Mesmo se considerarmos só o agricultor, podemos estar falando do latifundiário, de um pequeno produtor, de um usineiro ou de um produtor orgânico. A identidade contemporânea é complexa e não única como se acreditava na modernidade”, explica o pesquisador. Por isso mesmo, não é possível ver essas várias identidades sem localizá-las no jogo social, em que entram distintas relações de poder. Agrônomo de formação, Roberto Moreira é PhD em Economia pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, e professor da UFRRJ. Seu objetivo na pesquisa é buscar um esforço maior de compreensão do rural atual. Como ele explica, na idade antiga, em que o imaginário cultural buscava na religião os fundamentos para a realidade, a terra era considerada como dádiva divina. A partir da idade moderna, com a mudança do foco de poder para a cidade e para a indústria, o rural passou a ser visto como algo a ser civilizado, que precisava passar por uma modernização de técnicas semelhantes às usadas na cidade. Nesse contexto, a terra passa a ser mercadoria. “O processo é múltiplo, segue os particularismos de cada caso, que não é idêntico nem para as diversas regiões de um mesmo país”, diz. Para o professor, a ideia que se tem do campo hoje é a que vem da globalização. “Se em seus primórdios, o movimento ambientalista era crítico, contrário a qualquer modo de produção, fosse ele socialista ou capitalista, agora está em curso uma mudança de paradigma. As ideias que vigoram, mais uma vez, são as que vêm das cidades avançadas, metrópoles mundializadas, de onde surgem essas noções ambientalistas de se resgatar a natureza”, diz. Ele explica que a formulação das Nações Unidas para desenvolvimento sustentável é vaga o suficiente para não ferir os interesses hegemônicos de nações, corporações nacionais e transnacionais, de classes sociais, de domínios territoriais e tecnológicos. “O que ganha status é um conceito hegemônico, adequado à lógica dos mercados globalizados”, explica. Nesse contexto, como obter consenso político para construir-se o futuro que consideramos mais adequado se o que impera é a lógica e a dinâmica do capitalismo, que são sempre da maior lucratividade no menor tempo possível? Na verdade, essas questões sobre o que fazer empurram, cada vez mais, para decisões de curto prazo, de um maior imediatismo. “Não se trata unicamente de uma questão de discurso, mas de domínio numa relação de poder”, fala. As elites nacionais, que já se organizaram em torno da produção de culturas específicas ao longo dos grandes ciclos econômicos do país cana-de-açúcar, cacau, café, algodão e mesmo o ouro, vão continuar pressionando o governo por políticas específicas para seu produto ou interesses econômicos específicos. Os grupos mais fortes, ou que dominam produtos mais estratégicos num determinado momento, são os que conseguem. Para Moreira, em um sentido amplo, esse exercício de um determinado poder reflete a construção de uma determinada visão de mundo, de uma determinada realidade, que se torna hegemônica. “Os que acham que o desenvolvimento sustentável vai resolver os problemas de desigualdade e exclusão social em nosso país estão equivocados. O capitalismo é capaz de transformar o ambiente, o ecossistema, em mercadoria, mantendo o status quo”, diz. Para tornar sua ideia mais clara, ele explica que, sem negar a existência da propriedade privada ou da lucratividade capitalista, essa ecologia capitalista apoia-se numa utopia de mercado, que pressupõe a igualdade de todos. Ou seja, um mercado livre e perfeito. “Mas na realidade da globalização e da ordem transnacional contemporânea, no domínio dos oligopólios e das multinacionais, isso não existe. Esse discurso mascara os fundamentos sociais e políticos da desigualdade, e esconde assimetrias de poder”, diz. Até o conceito de sustentabilidade que pressupõe satisfazer-se as necessidades do presente sem arriscar as necessidades das futuras gerações traz contradições. “Queremos garantir às gerações futuras o mesmo padrão de vida que temos hoje? Mas isso não equivale a manter as diferenças e a exclusão social dos atuais padrões de vida?”, critica. E prossegue: “Além disso, como conciliar tempo econômico de acumulação e de rotatividade do capital com o tempo da biosfera? Vamos esperar um eucalipto crescer durante vinte anos? Ou uma floresta se recompor em cinquenta?”, questiona. Para Moreira, a sustentabilidade das sociedades humanas estaria associada à capacidade de conhecer e aceitar os limites a partir dos quais o crescimento populacional deveria ser zero para não haver degradação dos recursos. “O que também é utopia”, diz o professor. Impor limites ecológicos à lógica capitalista exigiria regulamentar direitos de propriedade e de uso de recursos. Mas esse é um campo de interesses sociais em que a eficiência econômica de recursos naturais não renováveis, as demandas de justiça social na distribuição de renda e bem-estar entre indivíduos e nações, e a prudência ecológica necessária à conservação da biodiversidade são conflitantes. Some-se a este quadro o fato de que a ciência moderna clássica pressupõe que o conhecimento científico seria responsável por revelar as leis imutáveis da natureza. “Essa visão de ciência nos faz acreditar que a técnica por ela legitimada é a melhor forma de se orientar decisões e ações humanas. Mas essa crença obscurece a própria dinâmica do conhecimento científico. Ele é relativo ao tempo histórico em que é gerado e ao cientista observador, que também é um ser humano com uma individualidade socialmente produzida, como reconhece hoje a ciência relativista contemporânea.” Seguindo essa lógica, os usos sociais e ambientais do ecossistema emergem das demandas da lógica de mercado. Assim, desenvolvimento sustentável torna-se apenas uma questão do funcionamento dessa lógica, resultado de regulações políticas legitimadas em acordos internacionais. “Para um país como o nosso, não seria mais interessante fazer uma imensa reforma agrária, empregando maciçamente mão-de-obra e assim reduzindo os custos em saúde ou segurança?”, critica. Ele questiona ainda que autonomia tem um país como o Brasil, em usar seu território desvinculado das demandas externas. “Como já aconteceu nos ciclos econômicos da cana-de-açúcar ou da borracha, ainda hoje continuamos produzindo para o mercado externo. Hoje, nossas culturas alimentam o gado europeu e americano, e não o nosso povo. É como se as nações desenvolvidas usassem os países periféricos como quintal”, explica. Na visão de Moreira, ao se pensar na complexidade das questões contemporâneas, o enfoque de sustentabilidade ambiental deveria incorporar a multiplicidade de aspectos econômicos, sociais, culturais etc. Do outro lado dessa luta pela preservação da biodiversidade, estão presentes os interesses contra hegemônicos, ou de resistência. “Eles envolvem movimentos indígenas, ecológicos e artísticos na busca de valores culturais alternativos, na luta pela proteção da natureza e contra essa visão hegemônica”, diz.

Como se mostra, o paradigma buscado pelo ambientalismo mundial destaca bem o professor Moreira, tem origem nos países desenvolvidos que usaram e abusaram do meio ambiente para realizar o seu desenvolvimento utilizando para esse fim o modelo de economia de mercado e não o desenvolvimento sustentável criado como arma de dominação econômica. Portanto, o que ganha status, esclarece o professor Moreira é o conceito hegemônico, adequado à lógica dos mercados globalizados que não querem concorrentes, usando como arma para conter a concorrência o poder dos blocos Bildeberg, Russo/Chinês e Islâmico, onde se concentra a construção da Nova Ordem Mundial.

Diante do exposto pode-se afirmar que dinheiro existe em abundância para o desenvolvimento do Pará, e dos outros Estados amazônicos, mas que são destinados apenas para conter um desmatamento fictício, criado nos escritórios de ONGs e na ONU. Essa política imposta aos Estados amazônicos pouco difere da nazista e do comunismo russo, chineses responsáveis pelo assassinato de milhões de pessoas. A única diferença é que ao invés do assassinato em massa, criam-se guetos de miséria que geram bandidos criminosos que estão matando nas ruas do Brasil mais pessoas que em guerras ou genocídios programados.  

Querem ver a formação de guetos em Belém e no Pará? Tirem fotos do alto. Toda a verdade é constatada sem precisar de maiores provas. Essa fotografia cruel se estende por todo o Brasil e serve também para mostrar com absoluta fidelidade a irresponsabilidade de nossos políticos e governantes. Essa é a realidade de um Brasil mutilado e sem prioridade.

Armando Soares – economista

e-mail: armandoteixeirasoares@uol.com.br

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