Armando Soares #20: A importância da livre iniciativa

armando-soares (1)Evaristo de Miranda, escritor e pesquisador brasileiro da Embrapa com atuação nas áreas de Ecologia, Agricultura, Meio Ambiente e Gestão Territorial, em belíssimo artigo mostrou aos brasileiros o valor dos agricultores que conduzem com uma eficiência notável um setor vital para manutenção da vida no meio de um Brasil estraçalhado pela incompetência e pela desonestidade de políticos e administradores públicos. Podemos afirmar sem medo de errar que o Brasil em nossos dias se apresenta dividido em duas partes, uma extraordinária e vitoriosa representada pela atuação da iniciativa privada na produção de alimentos e matérias-primas e outra decepcionante e nociva aos interesses do Brasil e dos brasileiros, a política, administrativa e institucional. Não fosse a incrível desempenho do setor agropecuário a crise econômica e social brasileira seria mais profunda.

O artigo de Evaristo teve também a propriedade de mostrar aos brasileiros a nocividade de agentes que vem atuando no território brasileiro para conter o desenvolvimento do Brasil e mais intensivamente o desenvolvimento dos estados amazônicos. Estamos nos referindo aos ambientalistas, as ONGs nacionais e internacionais, aos países ricos que financiam esses agentes nocivos, a ONU que se tornou agente do novo colonialismo, a todos que de uma maneira ou outra se colocam ao lado dos que querem a esterilização econômica dos estados amazônicos, aos governos estaduais particularmente ao governo paraense totalmente dominado pelo aparato ambientalista/indigenista priorizando políticas ambientais que inibem o desenvolvimento econômico e aumentam a pobreza e a dependência do estado de favores internacionais e da União.

Enquanto o governo do Pará descarta o modelo capitalista de economia de mercado substituído por um modelo ambientalista estéril, Evaristo de Miranda mostra e prova a eficiência do modelo capitalista e da iniciativa privada em seu brilhante artigo, que também toca num ponto de extraordinária importância que é a colaboração efetiva do Brasil para diminuir e mesmo erradicar a fome no mundo que destrói o ser humano e mata milhões de pessoas anualmente no mundo. Evaristo mostra com exemplos irrecusáveis como um país pode contribuir para erradicar a fome no mundo utilizando suas terras, seus recursos naturais, seu potencial econômico para o bem da humanidade, e não para controlar mercados, a economia mundial, os povos subdesenvolvidos, para produzir armamentos e controlar o dinheiro. O governo do Pará priorizando uma política ambiental que esteriliza a economia mostra sua incompetência e pobreza de visão. É lamentável!

Evaristo de Miranda conseguiu num curto artigo mostrar e provar ao povo brasileiro o valor de um setor que vem sendo maltratado por governos desonestos, o seu valor, o valor da agricultura brasileira que sustenta a vida, pondo na mesa do brasileiro, comida farta e barata, uma atividade sublime, atividade de uma iniciativa privada que nunca precisou de televisão, de radio, de jornal para mostrar o seu trabalho grandioso que sustenta a vida.

Vamos conhecer o brilhante artigo de Evaristo de Miranda.

Alimentar o mundo por Evaristo de Miranda – Publicado em 26/09/16 – OESP

Divida a produção de grãos de um país pelo seu número de habitantes. Se o resultado ficar abaixo de 250 kg/pessoa/ano, isso significa insegurança alimentar. Países nessa situação importam alimentos, obrigatoriamente. E são muitos os importadores de alimentos vegetais e animais em todos os continentes, sem exceção. O crescimento da população, da classe média e da renda, sobretudo nos países asiáticos, amplia anualmente a demanda por alimentos diversificados e de qualidade, como as proteínas de origem animal.

O mais vendido refrigerante do mundo define sua missão como a de “saciar a sede do planeta”. A missão do Brasil já pode ser: saciar a fome do planeta. E com os aplausos dos nutricionistas.

Em 2015 o Brasil produziu 207 milhões de toneladas de grãos para uma população de 206 milhões de habitantes. Ou seja, uma tonelada de grãos por habitante. Só a produção de grãos do Brasil é suficiente para alimentar quatro vezes sua população, ou mais de 850 milhões de pessoas. Além de grãos, o Brasil produz por ano cerca de 35 milhões de toneladas de tubérculos e raízes (mandioca, batata, inhame, batata doce, cará, etc.). Comida básica para mais de 100 milhões de pessoas.

A agricultura brasileira produz, ainda, mais de 40 milhões de toneladas de frutas, em cerca de 3 milhões de hectares. São 7 milhões de toneladas de banana, uma fruta por habitante por dia. O mesmo se dá com a laranja e outros citros, que totalizam 19 milhões de toneladas por ano. Cresce todo ano a produção de uva, abacate, goiaba, abacaxi, melancia, maçã, coco… Às frutas tropicais e temperadas se juntam 10 milhões de toneladas de hortaliças, cultivadas em 800 mil hectares e com uma diversidade impressionante, resultado do encontro da biodiversidade nativa com os aportes de verduras, legumes e temperos trazidos por portugueses, espanhóis, italianos, árabes, japoneses, teutônicos e por aí vai, longe.

À produção anual de alimentos se agrega cerca de 1 milhão de toneladas de castanhas, amêndoas, pinhões e nozes, além dos óleos comestíveis – da palma ao girassol – e de uma grande diversidade de palmitos. Não menos relevante é a produção de 34 milhões de toneladas de açúcar/ano, onipresente em todos os lares, restaurantes e bares. A produção vegetal do Brasil já alimenta mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, usando para isso apenas 8% do território nacional.

E a tudo isso se adiciona a produção animal. Em 2015 o País abateu 30,6 milhões de bovinos, 39,3 milhões de suínos e quase 6 bilhões de frangos. É muita carne. Coisa de 25 milhões de toneladas! O consumo médio de carne pelos brasileiros é da ordem de 120 kg/habitante/ano ou 2,5 kg por pessoa por semana. A estimativa de consumo médio de carne bovina é da ordem de 42 kg/habitante/ano; a de frango, de 45 kg; e a de suínos, de 17 kg; além do consumo de ovinos e caprinos (muito expressivo no Nordeste e no Sul), de coelhos, de outras aves (perus, angolas, codornas…), peixes, camarões e crustáceos (cada vez mais produzidos em fazendas) e outros animais.

O País produziu 35,2 bilhões de litros de leite (ante 31 bilhões de litros de etanol), 4,1 bilhões de dúzias de ovos e 38,5 milhões de toneladas de mel, em 2015. É leite, laticínios, ovos e mel para fazer muitos bolos, massas e doces nas casas do maior produtor de açúcar.

Em 50 anos, de importador de alimentos o Brasil tornou-se uma potência agrícola. Nesse período, o preço dos alimentos caiu pela metade e permitiu à maioria da população o acesso a uma alimentação saudável e diversificada e a erradicação da fome. Esse é o maior ganho social da modernização agrícola e beneficiou, sobretudo, a população urbana. O Brasil saiu do mapa dos países com insegurança alimentar.

Com o crescimento da população e das demandas urbanas, o que teria acontecido na economia e na sociedade sem esse desenvolvimento da agricultura? Certamente, uma sucessão de crises intermináveis. Era para a sociedade brasileira agradecer todo dia aos agricultores por seu esforço de modernização e por tudo o que fazem pelo País. A Nação deve assumir a promoção e a defesa da agricultura e dos agricultores, com racionalidade e visando ao interesse nacional.

De 1990 a 2015 o total das exportações agrícolas superou US$ 1 trilhão e ajudou a garantir saldos comerciais positivos. A Ásia responde hoje por 45% das exportações do agronegócio brasileiro e a China, sozinha, por um quarto desse montante. Com a China, um parceiro estratégico para o futuro da agropecuária brasileira, criaram-se perspectivas novas e mútuas para indústrias de processamento, tradings e para investimentos em infraestrutura de transporte, armazenagem e indústrias de base.

A recém-concluída missão de prospecção e negócios de quase um mês por sete países da Ásia, liderada pelo ministro Blairo Maggi, buscou um novo patamar de inserção da agropecuária no comércio internacional. Acompanhado por uma equipe ministerial e por cerca de 35 empresários de 12 setores do agro, essa missão histórica percorreu China, Coreia do Sul, Hong Kong, Tailândia, Mianmar, Vietnã, Malásia e Índia. Alimentar o mundo é sinônimo de alimentar a Ásia. Isso exige empreendedorismo, inovação, coordenação público-privada e parcerias de curto e de longo prazos.

Mas o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, juntamente com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, tem uma meta ambiciosa: passar de uma participação decrescente de 6,9% no comércio agrícola internacional para 10%. E ser capaz, em breve, com tecnologia, sustentabilidade, competência e competitividade, de alimentar mais de 2 bilhões de pessoas.

Esse é o Brasil que todos os brasileiros querem.

Armando Soares – economista

e-mail: armandoteixeirasoares@gmail.com

*Todo conteúdo da postagem é de responsabilidade de seu autor.

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