Bem-estar animal: uma questão de humanidade que gera bons resultados

É raro encontrar na nossa atividade, produtores que não tem apreço por seus animais. Os sinais são claros: nomes carinhosos, afagos, rotinas que demonstram que o manejo é tranquilo, como por exemplo – animais que caminham para a sala de ordenha por conta própria, na hora certa, que sabem sua posição na área de alimentação. Porém, o bom sentimento e as boas intenções não bastam para garantir que os animais vivam com bem-estar. Falhas de manejo, planejamento e estruturais podem colocar o rebanho em risco, diminuindo a produção e a longevidade.

Propriedades que estão avançadas na rotina das boas práticas em bem-estar animal conseguem um melhor aproveitamento da capacidade produtiva do rebanho. Um exemplo recente disso é a grande adesão na atualidade para sistemas de confinamento compost barn. Produtores têm sido atraídos para o sistema pelo considerável aumento de produção média, quase que instantâneo, que conseguem ao tirar as vacas em produção de ambientes menos especializados, com destino aos galpões. Esse sucesso nada mais é do que a recompensa que as vacas dão a uma iniciativa que aumenta o conforto e o bem-estar delas.

Não é necessário, entretanto, que todos os produtores adotem o compost barn como sinônimo de bem-estar. Quando mal planejado, ele pode ser uma ferramenta de efeito contrário. Outros sistemas de produção são perfeitamente adaptáveis ao melhor conforto animal. Temos fazendas em pastejo, sistemas mistos e outros tipos de confinamento que tem excelentes padrões, conseguindo ótimos resultados na nossa certificação BPBEA (Boas Práticas em Bem-Estar Animal).

Ao implementar essa certificação, a Verde Campo está atendendo demandas convergentes com os valores e com as crenças que direcionam as atividades da empresa. Entendemos que propiciamos conforto aos animais, resultados financeiros aos produtores e garantimos para os nossos consumidores que ao comprar as nossas marcas, estarão participando de uma cadeia que não permite maus tratos e uma exploração descompromissada com os animais. Crises éticas de grandes proporções, principalmente na Europa,  já causaram prejuízos para os produtores.

Mudanças tiveram que ser realizadas a toque de caixa para evitar maiores problemas. Atualmente por exemplo, a produção de suínos na Europa tem requisitos de bem-estar muito superiores aos adotados no Brasil. Alguns países do bloco impõem barreiras a compra de suínos brasileiros em função das diferenças nesses padrões. Está estabelecida então uma tendência mundial: o consumidor não quer somente qualidade final no alimento, mas quer saber como é produzido. Se o sistema de produção respeita o meio ambiente, as pessoas envolvidas e se é adequado aos animais.

A certificação que implantamos BPBEA foi planejada a partir do conceito das 5 liberdades, criado em 1979 pelo Farm Animal Welfare Council. As liberdades fundamentais são:

  • Livre de Fome e Sede;
  • Livre de Desconforto;
  • Livre de Dor, Lesões e Doenças;
  • Livre para Expressar seu Comportamento Natural;
  • Livre de Medo e Angústia.

A seguir, um esquema que resume pontos de atenção primordiais direcionados pelas cinco liberdades:

bem-estar animal

Ao iniciar o processo de certificação em bem-estar animal, técnicos especializados realizam um check list de admissão da fazenda. São definidos itens para adequação e após adoção das práticas desejadas , a propriedade recebe a visita de um auditor externo. Atingindo a pontuação necessária, é conferida a certificação anual BPBEA. Uma propriedade certificada BPBEA, tem os procedimentos monitorados e padronizados, vinculados sempre a uma ou mais liberdades com padrões auditáveis específicos.

Exemplifico a seguir, alguns itens resumidamente (o check list original tem itens de A a Z mais padrões auditáveis):

1 – Livre de fome e sede:

  • Verificação se a produção de volumoso é suficiente para o ano inteiro;
  • Se existem bebedouros em quantidade suficiente e de fácil acesso;
  • Se a água é de qualidade para os animais;
  • A dieta é balanceada considerando a fase de vida do animal e as suas demandas?

2 – Livre de desconforto:

  • A área de alimentação tem cochos devidamente dimensionados, sem provocar disputa e sem acúmulo de barro e esterco?
  • As instalações de manejo dispõem de sistema de arrefecimento ou proteção ao sol para os animais em horários de exposição ao estresse térmico?
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Fotos 1 e 2: área de espera sem sombra e sala com temperatura controlada > mais conforto, mais produção.

  • As áreas de alimentação e alojamento tem sombra corretamente dimensionada para o número de animais sem acúmulo de barro e esterco?
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Fotos 3 e 4: ambiente inadequado e ambiente controlado e com conforto > reflexo na produção e na sanidade.

  • Quando o confinamento dispõe de camas devidamente dimensionadas e suficientes para o número de animais?

3 – Livres de dor, lesões e doenças:

  • A área de locomoção, manejo, acomodação ou pastejo são livres de irregularidades no piso, pedras e obstáculos?
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Fotos 5 e 6: piso acidentado causando lesões de casco e dor na rotina. Outra sala simples, mas com piso adequado.

  • O bezerreiro permite que os animais se desenvolvam bem, livres de doenças e parasitas?
  • São mantidos no rebanho animais com sérios problemas locomotores?
  • Existe prevenção e controle estabelecido da mastite na propriedade?
  • Existe controle racional contra carrapatos e parasitas diversos?
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Fotos 7 e 8: animal infestado de carrapatos e animal sem infestação > mais capacidade produtiva, conforto e sanidade.

4 – Livres para expressar seu comportamento natural:

  • Os animais tem liberdade de locomoção mínima indicada durante o dia?

5 – Livre de medo e angústia:

  • As vacas são conduzidas para a ordenha de forma calma e ordenada?
  • A ordenha é realizada de forma calma, sem uso de violência ou insulto aos animais?
  • A estrutura de ordenha e manejo é de fácil circulação para os animais?
  • É utilizado algum objeto pontiagudo ou cortante na condução dos animais?

Todos os itens acima, além dos que não mencionamos no texto se não observados, têm reflexos imediatos na produção na reprodução e na sanidade. O benefício financeiro alcançado com a adoção de práticas adequadas ao bem-estar dos animais é importante, mas o grande objetivo é o respeito aos animais

Produtores de todos os tamanhos e sistemas são capazes de conseguir internalizar os hábitos que propiciam o bem-estar. Na Verde Campo estamos levando essa oportunidade a todos, sem qualquer distinção.

bem-estar animal

Fotos 9 e 10: Sérgio Sebastião, de Nazareno/MG e Diego Ribeiro, de Madre de Deus/MG. Tamanhos e sistemas diferentes, mas um propósito.

Temos visto ultimamente protestos isolados realizados por extremistas protetores dos animais. Os argumentos utilizados por eles são vazios, radicais e não representam a meu ver uma preocupação que deve ser levada a sério pela cadeia produtiva do leite. Porém, está claro que os consumidores estão mais esclarecidos e que preferem alimentos que comuniquem seus valores. Devemos priorizar as boas práticas em várias etapas do processo produtivo além de nos certificar de que estamos realmente fazendo o correto.

produção de leite sempre foi uma atividade respeitada, que propicia renda e emprego a uma camada importantíssima da população. É de primordial importância adotar atitudes que melhorem continuamente a reputação do setor, combatendo às mentiras e os ataques absurdos com bons exemplos.

Fonte: MilkPoint

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