Brasil deve abrir novos mercados para exportação de carne bovina – SFarming

O Brasil exporta para mais de 120 países, mas não acessa 40% dos mercados que mais importam e que mais pagam pela carne bovina

Fonte: Internet

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Após mais de 17 anos de negociações, o Brasil começou a exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos em setembro deste ano. A abertura do mercado norte-americano representa uma vitória para a pecuária brasileira e deve facilitar acordos com outros países importadores de proteína animal.

Para Antonio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a abertura desse mercado é um grande marco para o setor. “Além de colaborar para o envio de carne para países vizinhos como Canadá e México, ter a aprovação americana consolidada gera um efeito transversal, que acaba agindo em todos os mercados que têm respeito pelos mesmos padrões”, diz o presidente da Abiec. “Apesar de não ser um processo automático, diversos países usam o sistema norte-americano como referência para negociações internacionais e podem mudar sua visão em relação ao nosso produto.”

Novos mercados

O novo desafio do mercado brasileiro de carne está em ampliar a participação em outros países, principalmente onde a carne bovina é mais valorizada. Para Camardelli, a pecuária nacional tem plenas condições de atender às necessidades de novos mercados. “Apesar de exportarmos para mais de 120 países, sempre é bom lembrar que o Brasil não acessa 40% dos mercados que mais importam e que mais pagam pela carne”, afirma o presidente da Abiec.

Mercados asiáticos

No mês passado, Blairo Maggi, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, participou de uma missão oficial à Ásia com o objetivo de se aproximar dos países importadores de produtos agrícolas brasileiros, entre eles as carnes. Durante a viagem, foi anunciado um acordo comercial com a Malásia, que vai comprar carne bovina, suína e de frango do Brasil.

Os últimos acontecimentos mostram que o Sudeste Asiático não chama a atenção apenas do governo federal. A região também é vista como prioridade pela Abiec, segundo o presidente da entidade. “Já exportamos a Cingapura, Malásia, Vietnam, Filipinas e recentemente abrimos o mercado em Mianmar. Tailândia e Taiwan já manifestaram sua intenção de abrir o mercado e a negociação já está acontecendo”, diz Camardelli.

Carne de qualidade

Com a garantia dos Estados Unidos em relação à sanidade da carne bovina brasileira, a cadeia produtiva terá que se preparar para novas exigências. “A procura por qualidade vai aumentar cada vez mais e eu acredito na procura por carne de marca e de corte premium”, afirma Jorge Espanha, presidente da Merial, uma das principais empresas globais em soluções para saúde animal. “O mercado brasileiro está se preparando para oferecer esse produto de qualidade.”

Segundo informações do Ministério da Agricultura, cinco plantas frigoríficas estão aptas a exportar carne bovina in natura para os Estados Unidos. Três unidades ficam no Mato Grosso do Sul, nos municípios de Campo Grande, Naviraí e Bataguassu e as outras em Barretos (SP) e Palmeira de Goiás (GO).

Segurança alimentar

Cada vez mais o Brasil avança como protagonista no abastecimento mundial de alimento. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que o mundo deve aumentar em 20% a produção de alimentos até 2020 para atender o crescimento da população. Para isso, o Brasil deve aumentar a sua produção em 40%. Segundo Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e coordenador do GVAgro, o Brasil tem 15 milhões de hectares disponíveis legalmente, além tecnologia e pessoas para colaborar com o aumento da produção. “Podemos fazer isso, mas não estamos fazendo. Falta estratégia para a agricultura brasileira”, afirma Rodrigues. “Segurança alimentar é questão de paz, onde houver fome não há paz.”

Por Naiara Araújo

Fonte: SFarming

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