WhatsApp - 94.99148.2775

Cientistas afirmam que árvore virola sofre “extinção anunciada”

A Virola – Virola surinamensis – espécie madeireira de alto valor no mercado está praticamente ausente nas áreas de várzea no Pará. Espécie prioritária no Programa de Conservação de Recursos Genéticos de Valor Econômico do Brasil, a espécie está presente nas listas de espécies da flora ameaçada de extinção em níveis federal e estadual. Dados apresentados pelo biólogo Leandro V. Ferreira atestam que, desde a década de 1980, a produção de madeira nas florestas de várzea correspondia a 75% do total de madeira comercializada na Amazônia – e Virola representava 50% de todo o volume de madeira extraída.

1377391575277Segundo estudo de autoria do biólogo do Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém, Leandro V. Ferreira, a extração ilegal da madeira de Virola das florestas de várzea da Amazônia reduziu a níveis preocupantes os estoques da espécie. A constatação é confirmada em pesquisa realizada na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, coordenada pelo biólogo em um trabalho realizado com recursos do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD-Caxiuanã), financiada pelo Governo Federal.

A crônica de uma extinção anunciada: A exploração madeireira ilegal de Virola nas florestas de várzea no estuário Amazônico é o título do estudo que compara o grau de conservação dessa espécie nas várzeas do estuário, a partir de três áreas específicas: áreas já exploradas, em exploração e áreas não exploradas. Esta última, localizada nas florestas de várzea da Estação Científica Ferreira Penna (ECFPn), base de pesquisa do Museu Goeldi, localizada dentro da Floresta Nacional de Caxiuanã, situada nos municípios de Melgaço e Breves, na Ilha do Marajó.

No contexto amazônico, principalmente na região do estuário, as florestas de várzea apresentam grande importância socioeconômica as comunidades ribeirinhas e muitas cidades de pequeno e médio porte, que nelas encontraram moradia e recursos naturais para sua sobrevivência. Entre esses recursos, está a madeira da espécie Virola surinamensis, uma das árvores de maior valor comercial, alvo da exploração ilegal e principal ameaça à sua extinção, segundo o estudo do Museu Goeldi.

Madeira de mil e uma utilidades
A Virola é das espécies madeireiras favoritas para a fabricação de compensados, embalagens, artigos esportivos, brinquedos, lápis, palitos, bobinas e carretéis, entre outros utensílios, o que faz a espécie ter boa valorização econômica no mercado internacional, logo, ser uma das espécies preferidas, também, pelo comércio madeireiro na Amazônia.
Resultados do trabalho coordenado pelo pesquisador Leandro V. Ferreira mostram que há uma grande redução no número de indivíduos com valor comercial – árvores de Virola com diâmetro maior que 30 centímetros. É essa a medida que faz aumentar o seu valor de mercado – quanto maior o diâmetro, maior o valor comercial. A Virola está praticamente ausente nas áreas já exploradas e em exploração se comparadas às não exploradas, lócus de realização da pesquisa.

Sinal amarelo ou vermelho?
O principal alerta do estudo vem da observação da drástica redução de indivíduos jovens de Virola e pela redução de “árvores fêmeas”. Leandro V. Ferreira explica que as árvores, assim como os animais, apresentam sexos diferenciados, existindo, portanto, “árvores-machos” e “árvores-fêmeas”, onde as últimas são responsáveis pela produção de frutos e sementes. Com a diminuição do número de indivíduos fêmea de Virola retiradas pela exploração madeireira, pois são estas que tem os maiores diâmetros, e, portanto, maior valor comercial, o repovoamento das áreas exploradas fica ainda mais difícil, pois não temos mais sementes para promover esse repovoamento.

Na Floresta Nacional de Caxiuanã, unidade de conservação de uso sustentável, tem os maiores estoques de Virola, adultas e jovens o que demonstra a importância das unidades de conservação para a manutenção dos recursos naturais. Essa espécie está sendo estudada em parcelas permanentes de monitoramento da dinâmica florestal no âmbito do Projeto Peld-Caxiuanã, onde recentemente foi concluída uma dissertação de mestrado sobre essa espécie.

Ao repovoamento e conservação – A exploração madeireira nas florestas de várzea paraenses é regida pela Instrução Normativa nº 40 da Secretária de Estado de Meio Ambiente (SEMA/PA), que estabelece normas para atividade de manejo florestal. Na IN nº 40, o limite mínimo de corte seletivo de espécies madeireiras nas florestas de várzea é de 50 centímetros. Esse limite é adequado à exploração de Virola, porém o estudo faz uma recomendação para que a Sema/PA inclua um artigo na IN nº 40, a fim de exigir a preservação de indivíduos machos e fêmeas de Virola, para que se garanta a sobrevivência de matrizes reprodutivas dessa espécie, fundamentais para o repovoamento das florestas de várzea.

Fonte: Portal Amazônia

Foi útil a notícia? Seja o primeiro a comentar.
O URL curto do presente artigo é: http://ruralbook.com.br/rb8PkeO
Sobre o autor
Rodrigo Fraoli - CEO Ruralbook / Designer / Especialista em MKT Digital para o Agronegócio. * Saiba mais em #mktparaoagro - RURALBOOK *

Posts relacionados

Seja o primeiro a comentar