Experiência mostra que manejo pode controlar cancro cítrico – Globo Rural

Doença atinge 9,1% dos pomares do Estado de São Paulo

O afrouxamento, em 2009, da legislação de controle do cancro cítrico fez com que os casos da doença disparassem no Estado de São Paulo, até o ponto em que a erradicação de plantas com sintomas – principal medida indicada até então – se tornasse inviável no atual estágio de contaminação dos pomares. A avaliação de pesquisadores na 38ª Semana da Citricultura, em Cordeirópolis (SP), mostra que somente medidas de manejo para conviver com a doença podem evitar o avanço do cancro nos pomares.

Doença é causada pela bactéria Xanthomonas citri (Foto: SNA/Reprodução)

Doença é causada pela bactéria Xanthomonas citri (Foto: SNA/Reprodução)

Projeções feitas pelos pesquisadores apontam que a contaminação do cancro atinge 9,1% dos pomares, ou 65 vezes mais do que o índice de 0,14% de contaminação de 2009. Na época, além da erradicação compulsória pelas autoridades sanitárias da planta doente, todas as outras árvores em um raio de 30 metros da árvore contaminada também eram arrancadas. Por pressão política, o governo paulista retirou a exigência e ainda passou ao produtor o controle do cancro.

No ano seguinte, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) iniciou uma experiência inédita de manejo da doença na Estação Experimental do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Xambrê (PR). Na pesquisa com 5 mil laranjeiras, o manejo é composto por quebra-vento para evitar o trânsito pelo ar e por gotas d’água da bactéria causadora do cancro; aplicação a cada 21 dias de cobre, que tem efeito protetor das folhas e dos frutos; e o controle do minador dos citros, inseto cuja larva ataca as folhas e abre caminho para a contaminação da praga.

Segundo o pesquisador Franklin Behlau, do Fundecitrus, a primeira colheita do pomar da pesquisa foi feita em setembro do ano passado e nas áreas onde o manejo foi completo com as três medidas houve 77% menos plantas contaminadas do que as sem manejo. “A taxa de frutas com sintomas foi 92% menor e a produção 181% maior nas áreas com manejo em relação às que não houve manejo algum”, explicou. “A pesquisa caminha para o segundo ano (de produção), mas já mostra que o manejo é a saída. Falta agora uma legislação para que o manejo se torne obrigatório”, emendou Antonio Juliano Ayres, gerente geral do Fundecitrus.

Fonte: Globo Rural

 

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