Falando em Bem-Estar: Bovinos também gostam de sombra

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Quando falamos em terminação de bovinos de corte, na grande maioria das vezes, nos vem à mente grandes estruturas para a terminação dos animais, como por exemplo: o confinamento. Sem dúvida, trata-se de um sistema que pode melhorar os índices produtivos e econômicos das propriedades, porém, visto o aporte financeiro necessário para a implantação do projeto, aspectos como a condução operacional são de suma importância para que a atividade seja conduzida de maneira ideal.

Os resultados obtidos no confinamento estão intimamente ligados à gestão da rotina, uma vez que os animais dependem 100% das pessoas responsáveis pelo manejo. Podemos chamar o animal de “unidade de produção do sistema”, já que os resultados dos trabalhos são vistos em função do desempenho dos mesmos durante a fase de terminação. Independente da forma de avaliar o resultado obtido, seja ele por meio do ganho de peso vivo diário, do ganho de peso em carcaça, do rendimento de carcaça, da eficiência biológica ou qualquer outro parâmetro, toda ação exercida sobre a unidade de produção, visando a rentabilidade e retorno econômico, deve levar em consideração aspectos da ambiência.

Assim, quando falamos em ambiência, estamos nos referindo às condições físicas e psicológicas que iremos oferecer aos animais como, por exemplo, sistema hídrico (reservatórios, bebedouros automáticos e, principalmente, qualidade do recurso: água), áreas de permanência dos animais, estruturas que possibilitam o conforto térmico (aspersores, sombreamento) e estruturas para distribuição de ração (espaçamento de cochos para dieta total ou para dieta seca). Sabemos que se não entendemos a realidade em que os bovinos são submetidos nesse sistema, assim com suas necessidades básicas (físicas e psicológicas), podemos correr vários riscos que comprometem um ótimo desempenho.

A necessidade de aumentar a produção sempre é muito discutida, no entanto, muitas vezes, esquecem-se que bovinos são seres vivos e que necessitam de condições adequadas para entregar o seu melhor desempenho. Extrair o máximo potencial de cada animal só é possível se eles possuírem boa genética, atrelada a um manejo nutricional excelente, status ótimo de saúde, possibilidade para expressar seu comportamento natural e também se houver conforto no ambiente.

Vale lembrar que é crescente a preocupação do mercado consumidor em conhecer as reais condições em que os animais são criados e abatidos, ou seja, qual o grau de bem-estar dos animais na fazenda e durante o manejo pré-abate.

Diante desse cenário, ao falarmos em instalações, precisamos ir mais além e focar em ambiência e – de uma forma mais específica – conforto térmico dentro das baias. Várias estratégias podem ser descritas para o atingimento dessas exigências, mas uma em especial será abordada neste texto: a disponibilidade de sombra nas baias de confinamento.

Em um país de clima tropical como o nosso, o objetivo do sombreamento é proporcionar melhores sensações térmicas para os animais, o que consequentemente afeta seu conforto térmico. Diante da variabilidade dos grupos raciais de bovinos terminados em confinamento, são esperados diferentes graus de tolerância às variações de temperatura. É de conhecimento geral que animais zebuínos são mais adaptados às regiões de clima quente em comparação aos taurinos, adaptados aos ao clima mais frio ou temperado. Porém, isso não significa dizer que os zebuínos não necessitam de um ambiente confortável termicamente.

Quando oferecemos aos animais boas condições, estamos aumentando as chances de adaptação ao sistema de produção. O uso de sombra trará diversos benefícios, como: amenizar a radiação solar diretamente, diminuição do estresse térmico e redução do estresse devido à alteração do comportamento (disputa pelo alimento e estabelecimento de hierarquia), benefícios que resultarão em ganho adicional no desempenho do animal.

O sucesso deste recurso depende de um bom planejamento, e da escolha dos materiais ideais para sua construção. O primeiro ponto a ser planejado é a área sombreada ofertada aos animais. Ao falarmos em oferecer 1,5m/animal (480 kg peso vivo), em uma baia de 100 animais = 150m2 de sombra/baia, corremos o risco de que nem todos os animais poderão usar o recurso no horário mais crítico do dia (ou sol a pino), resultando em uma disputa semelhante àquela por alimento, quando a área de cochos não é suficiente para o lote. Havendo essa disputa teríamos um enorme impacto – aos animais -, em função do elevado estresse, no qual todos os benefícios promovidos pelo uso da sombra seriam perdidos. Por esse motivo, é melhor ofertarmos o máximo possível de sombra a fim de evitarmos um indesejável nível de estresse, prejudicando o desempenho como um todo ao lote. Trabalhos realizados em fazendas do estado de Mato Grosso apontaram área de sombra utilizável de 2,6mpor animal, ou mais, e obtiveram resultados superiores a 0,100 kg adicional/animal/dia.

O sentido e posicionamento da cobertura também são muito importantes e devem seguir orientação Norte-Sul, permitindo que a projeção da sombra possa ser móvel dentro da baia ao longo do dia, promovendo também a secagem na superfície debaixo da tela de sombreamento, diminuindo assim a formação de lama. Além disso, as estruturas de sombreamento não devem ficar no mesmo lugar que o bebedouro ou o cocho, para evitar a disputa entre os animais pelo recurso. Vale ressaltar que a disputa nem sempre é uma briga propriamente dita. Por vezes, pode ser um domínio da área para evitar que alguns animais deitem e/ou impeçam com ameaças que outros animais acessem o cocho ou o bebedouro.

Foto 1: Garrotes 13@ – Nelore – Uso de sombra (artificial) de acordo com a posição da estrutura na baia.

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Quando falamos em desempenho no confinamento, sabemos que o potencial genético, a composição da dieta e a sanidade possuem um papel fundamental para chegar aos resultados, mas é preciso considerar que a disponibilidade de sombra dentro do sistema de produção nos auxilia a conseguirmos incrementos nos ganhos de peso, facilidade de adaptação e maiores pesos de carcaça. Estudos práticos têm apontado ganhos adicionais de 100 gramas/dia e 7,0 kg a mais no peso da carcaça para animais confinados com sombra, quando comparados aos animais sem esse recurso.

Muitas vezes, esse recurso não é aplicado devido à falta de conhecimento sobre as estruturas necessárias e os custos da implantação, sendo taxado como caro e desnecessário. Assim, é importante destacar que certos “custos” são na verdade investimentos, uma vez que terá impacto significativo nos resultados de desempenho final, que se resume a maior receita financeira.

Normalmente, não são medidos esforços para aquisição de animais com boa genética, boa nutrição, capacitação de mão de obra, modernização das instalações, aquisição de máquinas e equipamentos de última geração sempre em busca de atingir mercados diferenciados. Entretanto, pode passar batido que dentre esses mesmos “mercados diferenciados”, além dos itens citados, o bem-estar animal pode atuar com uma peça chave para o fechamento de contratos e, nesse cenário, o sombreamento tem posição de destaque. Pense nisso!

Fonte: Agroceres Multimix

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