Fim da vacina contra aftosa: E se o vírus voltar?

O Brasil está prestes a iniciar seu Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (PNEFA)

O Brasil está prestes a iniciar seu Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (PNEFA), que tem como estratégia principal a manutenção de “zonas livres da doença”, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A grande preocupação, no entanto, é a falta de uma definição para a formação e manutenção de um banco reserva de vacinas, no caso da volta da doença.

Atualmente o órgão responsável por toda a logística é a Central de Selagem de Vacinas (CSV), uma estrutura que exige investimento milionário de manutenção e que perderá seu objetivo na metade do ano. Isso porque, após a produção de 700 milhões de doses exigidas para a última rodada de vacinação contra aftosa no Brasil, as fábricas existentes serão simplesmente desativadas no próximo mês de agosto de 2019.

Na visão do vice-presidente executivo do Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), Emílio Carlos Salani, falta ainda clareza sobre como o País vai se preparar para uma eventual volta da doença. “Não é nada simples voltar a produzir e distribuir a vacina contra a aftosa. O Sindan, que hoje responde pelo CSV, não vai coordenar o Banco Regional de Antígenos/Vacinas contra a Febre Aftosa (Banvaco)”, alerta.

O dirigente entende o desejo dos produtores de acessar mercados considerados “nobres”, o que vai elevar em muito o preço da arroba da carne brasileira quando tiver o status de “livre de aftosa sem vacinação”. Salani questiona, porém, argumentos favoráveis à retirada da imunização.

“A desvantagem do reingresso da doença seria um caos para todo mundo. É muito importante que o pecuarista hoje se pergunte, pergunte para os colegas nas suas agremiações, nos órgãos que os representam, o seguinte: O que eu vou ganhar? As pessoas vêm colocando como benefício para o pecuarista deixar de gastar com a vacina. Ele gasta R$ 1,50 ou R$ 1,60 por dose, duas vezes ao ano”, explica.

“Qual o benefício que eu terei? Qual é o benefício que eu vou acessar? Eu vou ter melhor estabilidade de preço? Eu vou ter o benefício de produzir um animal melhor e compartilhar o lucro? O benefício que me faz acessar mercados mais nobres na exportação? Então toda essa cadeia deveria estar conectada para que todos, hoje, quando fossem perguntados sobre os benefícios falassem assim: olha só, eu não vou correr risco, eu vou ter que fazer a lição de casa, eu sei que eu vou me beneficiar de não gastar com a vacina, mas eu vou aportar esse recurso, eu vou fazer esse trabalho, eu vou ter essa atenção, para eu evitar o reingresso da doença”, ressalta.

De acordo com ele, o pecuarista precisa ter bem claro que terá de seguir manejando o rebanho para vacinar contra outras enfermidades, como por exemplo a raiva e clostrídio. “As fêmeas contra brucelose, e até para o seu rebanho não perder produtividade, pelo seu programa de aplicação de endectocidas, parasiticidas, mosquicidas, bernicidas e tônico energético. Então não pode deixar o pecuarista na ilusão, ele não pode ter a ilusão de que ele não vai mais movimentar o seu rebanho”, conclui.

Post: Agrolink
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