IBGE divulga estudo sobre uso de terra no Pará

O Estado do Pará ainda preserva cerca de 77% de suas áreas de vegetação natural, segundo dados do Relatório sobre Cobertura do Uso da Terra no Estado do Pará, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os dados de 2010, as florestas respondem por 909 mil quilômetros quadrados (km²), ou 72,9% do território paraense, e os campos, por 54 mil km² (ou 4,3%). A maior parte das áreas preservadas está nas mesorregiões do Sudoeste Paraense e do Baixo Amazonas paraense, que representam a metade ocidental do Estado. De acordo com o IBGE, isso é favorecido pela concentração de unidades de conservação e de terras indígenas nessas regiões.

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Das áreas que já sofreram com a ação do homem no Estado, as pastagens para pecuária ocupam 187 mil km², ou 15,2% do território paraense. A maior parte das pastagens fica na mesorregião Sudeste Paraense, que faz divisa com o Tocantins e o sul do Maranhão. As áreas urbanizadas ocupam 7,5% do Pará e a mineração, 9,7%. Segundo a assessoria de imprensa do IBGE, a soma dessas áreas supera os 100% porque parte do território paraense é usado para mais de uma atividade.

O Estudo foi produzido com a intenção de investigar a situação dos diversos tipos de uso da Terra que estão sendo introduzidos nos estados brasileiros, mapeando-os com vistas a subsidiar estudos, análises, monitoramentos e ações estratégicas, ou de avaliação da qualidade ambiental bem como estudos e projetos realizados pelo governo brasileiro e demais instituições de pesquisa.

A análise do IBGE destacou a forma como são utilizadas e exploradas todas as áreas que têm a atuação do homem. Em relação às áreas de exploração de metálicos, as regiões mais dinâmicas e de maior desenvolvimento socioeconômico da Amazônia estão ligadas diretamente à mineração. No Estado do Pará este fato tem maior destaque e em especial o Sudeste Paraense, em função da exploração mineral do Complexo Carajás, que tem assumido crescente importância na economia nacional e mundial, transformando-se em forte pólo socioeconômico.

Na Província Mineral de Carajás – uma das principais províncias minerais do planeta, localizada na Mesorregião Sudeste do Pará – ocorrem depósitos importantes como o Distrito Ferrífero da Serra dos Carajás – constituído por uma mina de ferro, gigante, de excelente qualidade e maior teor já encontrado, o qual se assemelha aos depósitos do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, com reservas totais acima de 20 milhões de Ferro. Quanto às exportações paraenses de minério de ferro, em relação aos demais Estados da Amazônia Legal, elas representam, aproximadamente, 88%do volume total de exportações do Amazonas, 82% das exportações do Maranhão e 32% do total de exportações do Estado do Mato Grosso.

Sobre o cultivo de temporários, que são aqueles que se caracterizam por plantações de espécies vegetais com ciclo de vida inferior a um ano, os pesquisadores do IBGE fizeram observações em destaque. Segundo eles, os cultivos temporários apresentam-se também como um mosaico de usos diversificados, esta classificação aparece em todo o Estado, mas na mesorregião de Belém os cultivos temporários diversificados são predominantes, mesmo em pequenas propriedades, produtoras de tubérculos, hortaliças, flores e frutas – enfim, no segmento hortifrutigranjeiro, que abastece a capital e adjacências. Os cultivos temporários diversificados também estão cartografados em associação à pecuária de animais de grande porte, distribuídos em todo o Estado. Esses cultivos estão distribuídos nas mesorregião paraenses segundo suas classes de uso, onde se pode verificar sua predominância na mesorregião Nordeste paraense.
No Pará, as graníferas e cerealíferas ocorrem como unidades de uso simples na Mesorregião do Baixo Amazonas, notadamente no Município de Santarém e na Mesorregião do Sudeste Paraense, nos Municípios de Paragominas e Ulianópolis – é o caso da soja. A predominância do cultivo das graníferas (soja e/ou milho e arroz), esta unidade de uso ainda ocorre associada à pecuária de animais de grande porte e ao reflorestamento e se distribui nos Municípios de Uruará, Rurópolis, Placas, e em Paragominas, Ulianópolis, e Dom Eliseu.

As plantações de arroz e milho, por exemplo, vêm sofrendo uma queda de produção em favor da soja que, desde 1997, vem crescendo no Pará e já pode ser observada nos Municípios de Paragominas (71.820 toneladas) Santarém (46.170 toneladas ) Ulianópolis (31.312toneladas ), além de Belterra, Dom Eliseu, Santana do Araguaia, Santa Maria das Barreiras, Conceição do Araguaia e Floresta do Araguaia. O arroz e o milho, presentes em todas as mesorregiões paraenses, podem ser encontrados predominantemente no Município de Paragominas.

Em relação à pecuária de animais de grande porte, o IBGE sublinha a atividade da bovinocultura, que assumiu grande importância para a economia estadual nos últimos dez anos, sendo a opção de desenvolvimento de maior dinâmica. O principal entrave à modernização da pecuária paraense é a falta de investimento em tecnologia. A prática de implantação do pasto e a sua renovação obedecem às etapas de desmatamento, coivara e queima dos resíduos da vegetação. Esta práxis acarreta o empobrecimento do solo e a poluição do ar. Nas campanhas de campo realizadas foi constatado que a queimada é uma prática corriqueira na região e esta prática deixa o ar carregado de fumaça, dificultando a visibilidade até mesmo nas estradas que seguem em direção ao sul do estado, acarretando doenças respiratórias.

No ano de 2010, o IBGE na pesquisa de Produção Pecuária Municipal (2010) registrou 17.633.339 cabeças de gado bovino no Pará, o que lhe conferiu o 5º lugar no ranking nacional. Na sua frente estão os Estados de Mato Grosso (28.757.438 cabeças), Minas Gerais (22.698.120 cabeças), Mato Grosso do Sul (22.354.077 cabeças) e Goiás (21.347.881 cabeças). A mesorregião Sudeste Paraense, sozinha, contabilizou 11.701.754 cabeças (66,36% do total estadual), sendo o Município de São Felix do Xingu foi o primeiro colocado, com 2.022.366 cabeças (11,47% do total estadual). Esse município é o maior produtor brasileiro de gado bovino (IBGE, 2010). Regionalmente, um dos segmentos comercialmente mais expressivos para a economia do Sudeste Paraense e, particularmente, para a agricultura familiar, é o de produção leiteira. Nos últimos dez anos esse segmento vem aumentando consideravelmente, em conformidade com o crescimento da agricultura familiar.

O Pará é, no quadro nacional, um grande exportador de boi vivo. Em 2009, a exportação estadual alcançou a cifra de US$ 423 milhões, segundo informação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2010), um aumento de 18% em relação ao ano anterior. Desse total, US$ 13,4 milhões corresponderam a boi para reprodução. Longe de se equiparar às exportações minerais, a exportação de boi vivo representou cerca de 5% de tudo que foi exportado pelo estado em 2009. Mesmo ainda tendo pouca representatividade na balança comercial estadual, o bovino paraense deteve, em 2009, 95% de participação das exportações nacional de boi vivo. Os principais destinos foram Venezuela (83,2%) e Líbano (16,4%)

E sobre as áreas protegidas o IBGE também fez comentários e análises em relação a regiões específicas. As áreas campestres, por exemplo, foram identificadas no mapeamento recobrindo 54.196,35 km², ou seja, cerca de 4,35% do estado. Nelas foram cartografadas as unidades de mapeamento, que designam as áreas especiais (Unidades de Conservação de Proteção Integral e de Uso Sustentável, e Terras Indígenas) e o extrativismo vegetal. Elas foram mapeadas como unidades simples ou associadas a usos diversos, como à pecuária, ao extrativismo vegetal, à mineração, e aos cultivos temporários diversificados. Apareceram ainda áreas classificadas como uso não identificado, em virtude da impossibilidade de verificação do tipo de uso, seja pela dificuldade de acesso ou por outro impedimento.
Na mesorregião Baixo Amazonas elas ocorrem como Savana Parque, isoladas, no extremo norte desta mesorregião, dentro da Terra Indígena Parque do Tumucumaque, nos Tiriós, e também na várzea do rio Amazonas, com características agrostológicas bem distintas. Nesta mesorregião a pecuária bovina é sazonalmente deslocada entre a várzea e a terra firme, objetivando sua engorda no período que as águas baixam. O gado bubalino, por sua rusticidade, independe das cheias e resiste bem nos campos alagados daquela região, permanecendo a maior parte do tempo na várzea.

Na mesorregião do Marajó, merece destaque as Formações Pioneiras, com influência fluvial e/ou lacustre, cujo uso principal é a pecuária de animais de grande porte, tais como bubalinos e bovinos. Na mesorregião Sudeste Paraense (sul do Pará) aparecem a Savana Arborizada da Serra do Cachimbo e Savana Arborizada Serra Cubencranquém, onde estão situadas a Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo e a Terra Indígena Badjônkore respectivamente.
Nas áreas campestres da mesorregião do Sudeste Paraense estão representadas as Unidades de Conservação de Uso Sustentável São Geraldo do Araguaia e o Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinha, bem como as Terras indígenas Sororó, Las Casas, que detêm a maior extensão de áreas campestres, Kayapó, Maranduba e Karajá Santana do Araguaia.

Outro dado do estudo é referente à miscigenação da população paraenses. O Estado do Pará, segundo o IBGE, recebeu grande contribuição de pessoas da raça branca, vindas inicialmente de Portugal, Espanha, Holanda, e posteriormente do Japão, Líbano, França e Itália, além de judeus de várias nacionalidades. Juntamente com os ameríndios e os negros trazidos da África como escravos formaram a base do processo de miscigenação que resultou nagrande maioria da população paraense. De acordo com o IBGE esta população é hoje composta por 69,5% de pardos; 21,8% de brancos; 7,24% de negros; 0,91% de amarelos e 0,52% de índios.

Sobre a população em geral o estudo diz que cerca e 15,02% da população domiciliada no Pará é composta por pessoas não naturais do Estado. As populações absolutas paraenses, em 2010, somaram 7.581.051 habitantes, onde 68,48% residiam na zona urbana e 31,52% na zona rural do Estado. A densidade demográfica obtida foi de 6,07% hab/km2 sendo 49,59% de mulheres e 50,41% de homens.

Fonte: Portal ORM

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Rodrigo Fraoli – CEO Ruralbook / Designer / Especialista em MKT Digital para o Agronegócio.

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