Menor oferta e disputa pelo leite sustentam os preços no mercado spot – SBA

A menor oferta de leite no país e a disputa pela matéria-prima por parte das indústrias de lácteos continuam a sustentar os preços no chamado mercado spot (negociações de matéria-prima entre os laticínios). A cotação média no Brasil subiu 18 centavos, ou 10,5%, para R$ 1,89 por litro entre a quinzena encerrada em 16 de junho e a quinzena anterior, conforme levantamento do MilkPoint.

Entre janeiro e junho deste ano, a alta já alcança quase 60% (em valores médios mensais deflacionados), segundo a pesquisa. Neste mês, a média está em R$ 1,80 por litro ante um valor médio de R$ 1,13 em janeiro passado.

De acordo com Valter Galan, analista da MilkPoint, as altas recentes são resultado da redução da produção de leite no país, que persiste desde o ano passado. Nos primeiros três meses deste ano, a aquisição da matéria-prima pelos laticínios caiu 4,5% na comparação com igual período do ano passado, e somou 5,86 bilhões de litros, informou o IBGE na semana passada. Em relação ao último trimestre de 2015, a retração foi ainda maior, de 6,8%.

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A oferta de leite está em queda no Brasil em decorrência da alta dos custos de produção do setor – principalmente devido à valorização do milho usado na ração para o rebanho leiteiro. Esse cenário desestimula o investimento dos pecuaristas na alimentação dos animais. Além disso, a produção de leite tem sido afetada por problemas climáticos em algumas regiões do país.

A valorização da matéria-prima no spot tem ocorrido porque as empresas de leite longa vida vêm conseguindo repassar os maiores custos para os preços no atacado, observa o analista da MilkPoint. “O consumidor deixou de comprar queijo, iogurte, mas não leite”, avalia. Segundo o levantamento do MilkPoint, o valor médio do litro de leite longa vida no atacado em junho está em R$ 3,31, uma alta de 56% sobre o preço de janeiro deste ano. Os valores também estão deflacionados.

Os aumentos registrados no atacado não estão se refletindo completamente no varejo. Enquanto de janeiro a maio, o longa vida subiu 36,6% no atacado, no varejo, a alta foi de 19,7%. Para Galan, há duas possíveis razões para esse cenário. As redes de varejo costumam usar o leite longa vida como item para atrair o consumidor, o que explicaria o repasse menor. Além disso, pode haver o receio de que um repasse maior leve a uma retração da demanda.

Ele observa que o varejo até agora repassou menos do que a indústria, o que significa que a alta da matéria-prima não chegou totalmente ao consumidor final. Ao menos num horizonte de curto prazo, a perspectiva é de que os preços do leite sigam firmes no país, na opinião de Galan. “Pode parar de subir se o consumo [de longa vida] recuar efetivamente ou quando vier mais oferta [de matéria-prima]”.

As informações são do Valor Econômico.

Fonte: SBA

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