O futuro da agricultura é tema de debate

Ciclo de palestras seguido de debate sobre o futuro da agricultura marcou a comemoração dos 80 anos de pesquisa agropecuária na Amazônia

Um ciclo de palestras seguido de debate sobre o futuro da agricultura marcou a comemoração dos 80 anos de pesquisa agropecuária na Amazônia, na manhã dessa quinta-feira (16), em Belém (PA). O chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri, apresentou uma linha do tempo com alguns fatos importantes ao longo da trajetória de oito décadas.

“A Embrapa, sendo herdeira do antigo IAN (Instituto Agronômico do Norte), é uma das pioneiras no conhecimento sobre a Amazônia. O que a Empresa gerou ao longo desses 80 anos foi de fundamental importância para a produção agropecuária e florestal em diferentes escalas na região, como também para a construção de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”, afirma Venturieri.

Entre eles, os primeiros trabalhos de pesquisa em cultivos nos quais o Pará se destaca na produção nacional, como dendê, cacau, pimenta-do-reino e mandioca. “Daí fica a pergunta: os próximos 80 anos serão como esses que passaram? Certamente não. Diante dos desafios que se apresentam, nosso trabalho não poderá ser pensado da mesma forma”, provocou o gestor.

Seguindo a reflexão, o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares, abordou os desafios futuros da pesquisa agropecuária diante de um contexto pautado pela exigência de sustentabilidade e um mercado que busca produtos dotados de valores relativos à responsabilidade ambiental. “A pesquisa deverá ser capaz de agregar valor aos produtos com métricas de sustentabilidade. Há um longo caminho pela frente, mas já temos alguns resultados, a exemplo do café da Amazônia, um produto que captura valor”, explicou.

Representando o setor produtivo, o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, insistiu que mercado e pesquisa devem ter atenção ao perfil das últimas gerações de consumidores. “Eles querem produtos que possuam rastreabilidade, que tenham transparência quanto a suas condições sociais e ambientais de produção”, disse.

Agricultura transparente e conectada

No cenário desse novo mercado consumidor mais exigente e conectado, a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Massruhá, discorreu sobre os impactos e possibilidades das novas tecnologias digitais e equipamentos capazes de otimizar a produção agrícola, em todas as suas etapas.

A Agricultura 4.0 no Brasil e as perspectivas para a Amazônia estão na pauta do debate. Ela faz parte do processo de transformação digital que chegou ao campo. De acordo com Sílvia Massruhá, essa agricultura é baseada em conteúdo digital, tecnologia de ponta e mais conectada. “Cada vez mais temos sensores no campo para análise de solos, estações agrometeorológicas e pluviométricas que geram dados, uso de drones monitorando doenças em lavouras, colheitadeiras que estimam a produtividade por área em tempo real”, exemplifica a especialista.

O desafio da pesquisa e do mercado, segundo ela, é a transformação desses dados em informação para que o produtor tome suas decisões. “A tendência é aumentar cada vez mais o volume de produção de dados. E é preciso ter tecnologia para analisar esses dados, como inteligência artificial, algoritmos, reconhecimento de padrões e internet da coisas”, aponta.

Os resultados preliminares do Censo Agropecuário 2017 (IBGE) mostram o meio rural mais conectado. O número de estabelecimentos no país com acesso à internet teve um aumento de 1.790,1% em relação ao levantamento anterior. Em 2017, quase 1 milhão e meio de produtores declararam acessar a rede mundial de computadores, sendo que em 2006 esse número era de apenas 75 mil.

Açaí com tecnologia de ponta

Utilizar a tecnologia IoT (internet das coisas) para irrigar plantios de açaí de terra firme é um exemplo de Agricultura 4.0 que vem sendo estudado na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém. A internet das coisas é uma rede de objetos físicos capaz de coletar e transmitir dados. “Ela funciona como uma estrada, uma ‘infovia’ para receber e transmitir diferentes tipos de dados a outros sistemas”, esclarece Silvia Massruhá.

O trabalho com a irrigação do açaí plantado envolve o uso de sensores em algumas plantas para que elas “digam” se precisam ou não de água, quanto e a que hora do dia precisam. Os microssensores passam os dados à nuvem, um software analisa esses dados e, baseados em parâmetros já estabelecidos, acionam os dispositivos de irrigação na quantidade e tempo necessários ao plantio.

De acordo com a chefe-geral Silvia Massruhá, a perspectiva é de que, num futuro próximo, boa parte das atividades rurais será baseada em conteúdos digitais, gerados a partir de sensores instalados na propriedade, de equipamentos acoplados em colheitadeiras e tratores e de informações transmitidas por satélites e drones.

História da agricultura na Amazônia

O dia em que o Instituto Agronômico do Norte (IAN) foi criado – 4 de maio de 1939 – representa o início da pesquisa agropecuária na Amazônia. Foi a maior obra do governo Getúlio Vargas no Norte e também um marco na busca do desenvolvimento de uma região que por séculos teve sua economia concentrada em atividades extrativistas.

A Embrapa Amazônia Oriental, que herdou a estrutura do IAN, só seria criada em 23 de janeiro de 1975, então com o nome de Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Úmido (Cpatu). Nesse ínterim, em 1962, o IAN foi transformado em Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuárias do Norte (Ipean).

Depois viriam outros nomes. Em 1991, a primeira unidade descentralizada da Embrapa na região amazônica passou a se chamar Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental. Desde 1998, apresenta-se à sociedade com o nome-síntese de Embrapa Amazônia Oriental.

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