Pesquisadores anunciam primeiro “Búfalo de proveta” do Norte do Brasil – UFRA

Pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) alcançaram um resultado inédito na região Norte do Brasil: a gestação das duas primeiras fêmeas de búfalo por meio da técnica da Fertilização In Vitro (FIV). O resultado chega após cerca de dois anos e meio de estudos com FIV em bubalinos, iniciados em 2014 através de uma parceria entre as duas instituições, além da empresa de agronegócios Bubras.

2016 08 17 PHOTO 00000054Ambas as búfalas atualmente estão com aproximadamente 50 dias de prenhez e se encontram na Fazenda Conquista, de propriedade da Bubras, no município de Bujaru (PA). As gestações foram diagnosticadas por meio de ultrassonografia aos 34 dias. Uma gestação em bubalinos dura aproximadamente 10 meses. Segundo o Professor Sebastião Rolim, um dos médicos veterinários que coordenam as pesquisas pela UFRA, é possível que outras vacas também estejam prenhas: “existem mais fêmeas implantadas com embrião que ainda não foram diagnosticadas”.

Diferente da inseminação artificial – método com o qual a UFRA trabalha desde a década de 1970, em bubalinos -, a Fertilização In Vitro consiste em realizar a fecundação fora do organismo do animal, em laboratório – o popular “búfalo de proveta”. Enquanto a inseminação permite a difusão de sêmens de búfalos reprodutores com alto valor genético, a FIV permite difundir mais aceleradamente o material genético de fêmeas comprovadamente melhoradas. “Isso traz a possibilidade de reproduzir de forma mais rápida animais de genética superior, possibilitando aos produtores da região melhorarem seus rebanhos, aumentando a produção de leite e de carne e promovendo o desenvolvimento da bubalinocultura e da região”, afirma o pesquisador. O processo conta com as etapas de aspiração folicular, produção do embrião em laboratório, sincronização das vacas receptoras, inovulação e diagnóstico da gestação.
Imagem FIV1 copy

“Esse feito é extremamente importante porque abre as portas para novas tecnologias como clonagem, transgênicos, estudos na área da genômica, entre outros. Além de ser um estudo pioneiro na região, resultado de mais de mais de 30 anos de dedicação de diversos pesquisadores nas pesquisas com reprodução de bubalinos”, diz o professor Sebastião Rolim.

A pesquisa é desenvolvida no setor de Reprodução Animal do Instituto da Saúde e Produção Animal (ISPA) da UFRA, no Laboratório de Produção In Vitro da UFPA e na propriedade da Bubras em Bujaru, que conta com um laboratório de Produção In Vitro, currais e alojamentos para professores e estudantes. Atualmente, o projeto mantém uma produção semanal de seis embriões bubalinos.

2016 08 17 PHOTO 00000055Segundo o Dr. Sebastião Rolim, a expectativa é de que em breve a produção excedente de embriões passe a ser comercializada dentro e fora do país para pequenos, médios e grandes produtores. Os próximos passos serão o armazenamento do excedente de embriões através de vitrificação, o aumento na taxa de prenhez, o aumento da quantidade de oócitos e a melhoria dos meios de cultivo.

Sobre a equipe – Além do Professor Sebastião Rolim, estão à frente do projeto os professores Haroldo Ribeiro (UFRA) e Otávio Ohashi (UFPA) e o Dr. Henry Manrique (Bubras). A equipe também é composta por médicos veterinários residentes da UFRA, mestrandos, doutorandos e bolsistas Pibic de ambas as universidades, veterinários da Bubras, vaqueiros e proprietários da fazenda.

A região Norte é considerada a maior produtora de búfalos do Brasil, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Só o Pará representa 39% desse total, com cerca de 460 mil búfalos, a maioria concentrada no arquipélago do Marajó.

Por Jussara Kishi

Fonte: UFRA

Foi útil a notícia? Seja o primeiro a comentar.
Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
O URL curto deste artigo é: https://wp.me/p49eYW-2AT

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Validar Operação * O limite de tempo está esgotado. Por favor, recarregue o CAPTCHA.

×