Principais Patologias Que Acometem Os Equinos

A medicina equina vem se modernizando com o passar dos anos, assim como os sistemas de criação, formas de manejos e utilização destes animais, favorecendo assim a avaliação dos animais principalmente em relação a alterações comportamentais, e sinais clínicos de enfermidades. Dentre as patologias que acometem os equinos, podemos enfatizar como principais ou de maior importância: Síndrome cólica, Anemia infecciosa equina, tétano, garrotilho, laminite e mormo.

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Síndrome Cólica Equina

A síndrome cólica é a enfermidade mais comum da clínica médica de equinos (FERREIRA, 2009), sendo caracterizada principalmente pelas dores abdominais podendo ser de origem gastrointestinal (LARANJEIRA e ALMEIDA, 2008) como: excesso de gás no estômago devido a fermentação dos alimentos além de obstrução ou torção em intestinos sendo necessário intervenção cirúrgica emergencial (CAMPELO e PICCININ, 2008) ou com origem em outros órgãos, como por exemplo: peritonite, torção uterina, hepatite, patologias no trato gênito urinário (FERREIRA, 2009).

Algumas infecções parasitárias também aparecem como causa da enfermidade: Strongylus vulgaris por provocar a formação de trombos nas artérias mesentéricas, Anaplocephala perfoliata no íleo e ceco, Parascaris equorum no intestino delgado de potros, além da presença de larvas de Gasterophilus sp Draschia megastoma no estômago causando lesões (LARANJEIRA e ALMEIDA, 2008).

Animais que apresentaram anteriormente quadros de cólica apresentam um risco maior de reincidência, devido a sequelas cirúrgicas no trato gastrointestinal ou alguma lesão no trato gastrointestinal provocada pelo quadro anterior (LARANJEIRA e ALMEIDA, 2008).

A intensa dor provoca alterações comportamentais característicos, onde os equinos deitam e levantam-se constantemente, rolam-se no chão e apresentam dificuldade em caminhar (LARANJEIRA e ALMEIDA, 2008).

O diagnóstico quando realizado de forma rápida e precisa é essencial para a sobrevivência do equino (CAMPELO e PICCININ, 2008).

Realizar controle adequado com anti-helmínticos assim como fornecer volumoso de boa qualidade, menores quantidades de concentrados por refeições, e manter o animal em atividade física, são práticas de manejo que podem contribuir para prevenção da síndrome cólica (LARANJEIRA e ALMEIDA, 2008).

Anemia Infecciosa Equina (AIE)

É causada por retrovírus, da família Retroviridae, a transmissão ocorre através da transferência de sangue de asininos, equinos ou muares infectados para animais sadios. Esta transmissão pode ser através de agulhas e/ou instrumentais cirúrgicos contaminados, assim como transfusão sanguínea e picada de insetos hematófagas principalmente Stomoxys calcitrans e Tabanus spp. (mosca dos estábulos e mutucas). Quando ocorre a transmissão intra-uterina, pode acarretar aborto ou até mesmo os potros nascem infectados e vão a óbito em até dois meses de idade.

O vírus permanece incubado no organismo por um período de 7 – 21 dias. Após isso, os animais infectados podem apresentar síndrome febril aguda, subaguda ou crônica, entretanto alguns animais podem não apresentar sintomatologia clínica. Na síndrome aguda apresentam: Febre (temperatura acima de 41°C), depressão, fraqueza, anorexia moderada e leve anemia, podem apresentar também icterícia, edema em região ventral do abdômen, membros, prepúcio. Os animais que sobrevivem a fase aguda, podem desenvolver a síndrome febril subaguda ou crônica, onde há emagrecimento, fraqueza, severa anemia, e episódios recorrentes de febre.

O diagnóstico é realizado através de testes laboratoriais de ELISA e imunodifusão em gel de ágar (IDGA). Caso o teste seja positivo, o mesmo será repetido após 15 dias, se o resultado for positivo novamente, recomenda-se a eutanásia do animal. Como medidas profiláticas recomenda-se o controle de vetores e prevenção da transmissão mecânica através de sangue e fômites contaminados. Além disso, todos os animais introduzidos na propriedade devem passar por quarentena e possuírem testes negativos para a doença (PIEREZAN, 2009).

Tétano

Conforme descrito por Pierezan (2009), é uma enfermidade neurológica causada pela toxina da bactéria Clostridium tetani. Os sinais neurológicos da enfermidade podem ser observados após a esporulação do Clostridium em ambientes anaeróbicos, como por exemplo, lesões com áreas de necrose e em feridas profundas.

Os sinais clínicos baseiam-se em andar enrijecido devido a contração da musculatura do pescoço e cabeça, assumindo assim posição de cavalete, anorexia, disfagia. Conforme os sinais vão aparecendo, o animal permanece em decúbito, vindo a óbito devido a paralisia da musculatura responsável pela respiração. O diagnóstico se dá através dos sinais clínicos e exames microbiológicos. O animal deve ser mantido em local escuro e tranquilo, e para sucesso do tratamento, a bactéria deve ser eliminada do organismo, além de amenizar a presença e ação das toxinas.

Garrotilho

Trata-se de uma patologia do trato respiratório superior de equinos, possuindo como principal causa a infecção pela bactéria streptococcus equi subespécie equi. A consequência desta infecção é uma inflamação mucopurulenta em vias nasais, linfonodos adjacentes e faringe (TAYLOR; WILSON, 2006).

RADOSTITS et al., (2007) explica que a forma de transmissão do garrotilho é através do contato direto entre animais enfermos e sadios, assim como o contato com equipamentos contaminados, e descargas nasais presentes em pastagem, feno, água, até mesmo na cama dos animais. O principal sinal cínico observado é corrimento nasal seroso, tornando-se mucopurulento com o passar do tempo. Observa-se também febre, anorexia e depressão.

O diagnóstico é realizado com base nos sinais clínicos apresentados, e exames complementares como: cultura microbiológica, radiografia da região faríngea e testes sorológicos (TAYLOR; WILSON, 2006).

Laminite A laminite (popularmente conhecida como aguamento ou pododermatite asséptica difusa) trata-se de uma inflamação nos tecidos laminares presente no casco, podendo ocasionar a rotação na falange distal (LIPPI, 2008). E em casos de mais graves pode haver ruptura da sola, predispondo a septicemia (BUSCH, 2009). É a doença mais grave que acomete o casco dos equinos e provoca alterações anatomopatológicas que podem consequentemente levar a falha na ligação entre a falange distal e o interior do casco. Dentre as causas, podemos destacar a elevada ingestão de carboidratos provindos de dietas ricas em grãos, quadros de toxemia e sobrecarga de peso principalmente quando associado a solos duros. (GOMES, 2009).

Os sinais clínicos dependem da severidade do quadro clínico. Na palpação dos cascos, o animal demonstra dor, há um aumento no pulso da artéria digital, calor na parede do casco, além disso, pode ou não, apresentar claudicação (mancar). O diagnóstico é realizado através dos sinais clínicos e exame radiológico do casco, onde demonstra o nível de rotação da terceira falange (LIPPI, 2008).

Mormo

Leopoldino e Oliveira (2009), explica que o mormo é uma enfermidade infecto – contagiosa, cujo agente causador é a bactéria Burkholderia mallei. A infecção ocorre principalmente por via digestória e respiratória. A transmissão é através de fômites contaminados. Os sinais clínicos apresentados baseiam-se em febre, corrimento nasal, e tosse. As lesões nodulares ulceram-se e após a cicatrização assumem formato de estrela. Entretanto estas lesões aparecem principalmente na fase crônica da doença. O diagnóstico se dá através dos sinais clínicos apresentados, histórico clínico do animal, exames complementares como: cultura microbiológica, testes sorológicos. Contudo, o diagnóstico é realizado apenas por profissionais do Serviço de Defesa Sanitária. Não há tratamento ou vacinas, recomenda-se a eutanásia imediata dos animais positivos, além da interdição das propriedades com focos comprovados, afim de realizar o saneamento necessário.

As enfermidades geram principalmente perda na produtividade ou até mesmo óbito do animal, causando assim grandes prejuízos na criação. Desta forma, é primordial um diagnóstico preciso e rápido das doenças, assim como um tratamento específico para uma boa recuperação do animal. É importante destacar que quanto mais cedo o proprietário observar a ocorrência de alguma enfermidade, e pedir ajuda ao médico veterinário, aumenta a probabilidade de um bom prognóstico para o animal.

Texto por – Valeria Aparecida Alves Barbosa – Sétimo período – Centro Universitário Luterano de Ji-paraná – Rondônia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, S.F. Manual de Terapêutica Veterinária. 2 ed. São Paulo: Roca, Pág.99 – 112. 2002.

BUSCH, L. Atualidades no tratamento da laminite em equinos. Monografia São Paulo. 2009.

CAMPELLO, J.; PICCININ, A. Cólica Equina. Revista Científica Eletrônica De Medicina Veterinária, Ano VI – Número 10 – janeiro de 2008.

FERREIRA, C. et al,. Cólicas Por Compactação Em Equinos: Etiopatogenia, Diagnóstico E Tratamento. Acta Veterinaria Brasilica, v.3, n.3, p.117-126, 2009.

FERRARI. Paula Cristina Capponi, Clínica Médica, Cirúrgica, Reprodução e Medicina Esportiva de Equinos. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade Tuiuti do Paraná. Curitiba, 2006.

GOMES, A. G. Terapêutica Da Laminite Crônica Em Equinos. Monografia. Porto Alegre: UFRGS, 2009/2.

LIPPI, B. M. Pododermatite Asséptica Difusa Ou Laminite Em Equinos (Equus caballus). Monografia. São Paulo, 2008.

LARANJEIRA, P.V.E.H.; ALMEIDA, F.Q.De. Síndrome Cólica Em Equinos: Ocorrência E Fatores De Risco. Rev. de Ciência da Vida, RJ, EDUR. v. 28, n. 1, p. 64-78, 2008.

LEOPOLDINO, D.C.C.; OLIVEIRA, R. G. Mormo em equinos. Revista Científica Eletrônica De Medicina Veterinária. Ano VII – Número 12 – Janeiro de 2009.

MORIELLO, K. et. al. Diseases of the Skin,; in REED, S.; BAYLY, W. Equine Internal Medicine.p. 536. 1998.

MURO. Luis Fernando Ferreira, et. al. Habronemose Cutânea. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça FAMED/FAEF. Editora FAEF, Ano VI – Número 11 – julho de 2008.

PIEREZAN, F. Prevalência das Doenças de Equinos no Rio Grande do Sul. Dissertação de Mestrado. Santa Maria, RS, 2009.

RADOSTITS, O.M. et al. Veterinary Medice: A textbook of the diseases of cattle, horses, sheep, pigs and goats. 10th edition., Philadelphia: Elsevier, 2007, p.2156.

TAYLOR, S.D.; WILSON, D.W. streptococcus equi subsp. Equi (Strangles) infection. Clinical techniques in equine practice, v.5, p. 211- 217, 2006.

WHITE S. D.; EVANS A.G.; VAN METRE D. C. Diseases of the skin, p.1200-1232. In: SMITH, B. P. (Ed.), Large Animal Internal Medicine. 3rd ed. Mosby, Saint Louis. 2002.

Fonte: Informativo Equestre

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