Tecnologias sociais da Embrapa integram projeto ambiental premiado – Embrapa

Foto: Iniciativa Verde

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O projeto “Plantando Águas”, coordenado pela Iniciativa Verde, conquistou o Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2016 – um dos mais importantes do setor – na categoria Tecnologia. Patrocinado pela Petrobras, o projeto integra, entre outras ações,  tecnologias sociais da Embrapa Instrumentação (São Carlos – SP), destinadas ao saneamento básico rural e ao tratamento de água, como a Fossa Séptica Biodigestora, o Jardim Filtrante e Clorador Embrapa.

O anúncio do prêmio ocorreu no dia 19 de outubro durante o Congresso Ecogema, realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo.

Parceira da Iniciativa Verde, a Embrapa Instrumentação apoiou a instalação de 135 tecnologias, sendo 118 unidades da Fossa Séptica Biodigestora, 15 Jardins Filtrantes e 2 Cloradores em seis municípios paulista – Itapetininga, Iperó, Porto Feliz, Piedade, São Carlos e Salto de Pirapora. Em São Carlos foram instaladas 44 fossas e seis jardins em dois assentamentos da cidade e em de três sítios.

A coordenadora do Plantando Águas”, Margareth Nascimento, afirmou que o projeto mostrou que com trabalho e dedicação é possível ter um meio ambiente equilibrado, levar saneamento básico e geração de renda às pessoas que vivem no campo. 

Ela lembrou que a água consumida nos imóveis rurais normalmente tem origem em poços ou minas, ou seja, não são tratados como a água das casas de regiões urbanas, e são produzidos esgotos que geralmente acabam contaminando os rios. 

“A Embrapa desenvolve tecnologias que se encaixam com o perfil do Plantando Águas que é adequação ambiental de propriedades rurais, por serem tecnologias sociais com custo acessível e instalação feita pelo próprio usuário”, afirma.

Para a responsável pelo saneamento e pelo monitoramento da qualidade da água, Aline G. Zaffani, os sistemas, na proporção em que foram instalados, representaram um diferencial no projeto. “Fazer adequação ambiental rural com educação ambiental, restauração, armazenamento de água e saneamento com certeza nos ajudou a ganhar esse prêmio. Nós instalamos 117 fossas em um período curto – menos de dois anos – e isso foi possível pelo fato de o sistema ser relativamente simples”, diz a bióloga.

De acordo com Aline, orientada pelo pesquisador Silvio Crestana no programa de doutorado em Ciências da Engenharia Ambiental da USP São Carlos, o interesse aumentava, conforme as pessoas tomavam conhecimento do uso do efluente como adubo líquido. “Encerramos o projeto com uma lista de interessados nos sistemas de saneamento, mostrando que ainda temos muito que fazer”, conta.

O chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Instrumentação, Wilson Tadeu Lopes da Silva, acredita que o grande mérito do projeto premiado foi conciliar os aspectos da recuperação ambiental, de entornos de recursos hídricos, com aqueles relacionados ao cidadão que vive no ambiente rural, com ações de saneamento básico e educação ambiental. “Para isso, também nada fácil, foi a união de esforços dos diferentes atores públicos, privados e do terceiro setor, em uma proposta bem estruturada, dimensionada e gerida, que produziu resultados claros para a sociedade”, comentou.

Projeto

O projeto Plantando Águas, realizado entre 2013 e 2015, em oito municípios de São Paulo, em parceria com cerca de 20 instituições, beneficiou diretamente cerca de 160 famílias de assentamentos de reforma agrária, bairros rurais e comunidade remanescente do quilombo.

Com a proposta de cuidar da água com uma visão global, mas usando tecnologias sociais que impactam diretamente a qualidade de vida do morador do campo e de toda a população urbana que depende dessa água, o projeto incluiu a educação ambiental, a instalação de tecnologias sociais, a realização de oficinas, o plantio de árvores nativas e de Agroflorestas em áreas degradadas.

Durante a execução do projeto foi realizado o monitoramento da água em 22 pontos que fornecem o recurso para as casas dos participantes do programa. O projeto Plantando Águas ainda patrocinou a construção do Centro de Educação Ambiental (CEA), sediado no sítio São João, de propriedade da família do produtor rural Flávio Marchesin, contemplado com as tecnologias sociais desenvolvidas pela Embrapa Instrumentação.

O CEA recebeu pelo projeto 3.690 estudantes, 163 famílias de proprietários rurais, além de outros 2.500 visitantes.

Prêmio

O Prêmio von Martius de Sustentabilidade foi criado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha em 2000, com a proposta de premiar projetos que valorizem ações voltadas ao desenvolvimento sustentado de diversas comunidades e que possam ser usadas como exemplo aplicável nas variadas situações geoeconômicas do Brasil. Desde a criação até hoje 1906 projetos foram inscritos, analisados e auditados nas categorias Humanidade, Natureza e Tecnologia.

Tecnologias sociais

A Fossa Séptica Biodigestora é uma tecnologia simples e de baixo custo, que trata o esgoto doméstico com a ajuda de esterco bovino, gerando ao final do processo adubo orgânico, rico em macro e micronutrientes. Um levantamento realizado recentemente pela primeira vez para identificar o número de tecnologias instaladas para saneamento básico rural revelou a adoção de mais de 11 mil unidades da Fossa Séptica Biodigestora em mais 250 municípios brasileiros, nas cinco regiões do país, gerando benefícios para 57 mil pessoas.

O Jardim Filtrante complementa o sistema de saneamento básico na área rural e é conhecido como área alagada artificial ou wetland. A tecnologia é para tratamento da água cinza, aquela da pia, do chuveiro e tanques, não tratada pela Fossa Séptica Biodigestora. É similar a um pequeno lago impermeabilizado com geomembrana de polietileno de alta densidade ou equivalente, protegida por manta de bidim, coberta de brita e areia grossa. Plantas macrófitas aquáticas, como copo de leite, lírio do brejo retiram os nutrientes da água cinza para depurá-la.

Já o Clorador Embrapa foi desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Instrumentação e Embrapa Pecuária Sudeste e pode ser montado pelo próprio usuário e a um custo muito baixo. Basta adquirir registros, torneira, tubulação e cloro granulado, preferencialmente estabilizado, que normalmente contém 60% de cloro. O Clorador é instalado entre a tubulação que recolhe a captação da água  e o reservatório. Em uma hora, a água estará isenta de germes e pronta para ser consumida.

 

Joana Silva (Mtb 19554)
Embrapa Instrumentação

Fonte: Embrapa

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