Economia paraense avança 1,17% no segundo trimestre, mais que o dobro do ritmo brasileiro, enquanto agropecuária dispara 8,72% e reforça sua força no Estado.
O PIB do Pará ganhou força no segundo trimestre de 2026 e cresceu 1,17% frente aos três primeiros meses do ano, desempenho superior ao avanço de aproximadamente 0,5% registrado pela economia brasileira no mesmo período. O resultado, divulgado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), mostra sobretudo a força do campo: a agropecuária paraense avançou expressivos 8,72%, tornando-se um dos principais motores da recuperação econômica estadual.
Em valores correntes, a economia paraense movimentou R$ 74,8 bilhões no trimestre, equivalente a cerca de 2,2% do PIB brasileiro, que alcançou aproximadamente R$ 3,42 trilhões. Serviços continuaram representando a maior parcela da economia estadual, porém, na dinâmica de crescimento do trimestre, foram a agropecuária e a retomada da indústria que colocaram o Pará em ritmo superior ao nacional.
Agro cresce 8,72% e assume protagonismo no trimestre
A agropecuária movimentou R$ 11,37 bilhões no segundo trimestre e passou a representar 5,6% de todo o setor agropecuário brasileiro, participação significativa para uma única unidade da Federação. Além disso, frente ao primeiro trimestre de 2026, a atividade cresceu 8,72%, enquanto a agropecuária nacional avançou 2,82% na mesma base de comparação.
Esse desempenho teve contribuição direta das condições climáticas favoráveis para a colheita do milho segunda safra, além do avanço dos abates bovinos e da valorização da arroba do boi gordo, fatores que ajudaram a ampliar a geração de valor dentro das propriedades rurais e em diferentes elos das cadeias produtivas.
Quando a análise considera o primeiro semestre inteiro, o peso do campo fica ainda mais evidente, porque a agropecuária paraense acumulou expansão de 7,08%, praticamente o dobro dos 3,59% observados no setor nacional. Dentro desse resultado, a agricultura avançou 3,82%, enquanto a pecuária registrou expressivos 17% de crescimento.
A segunda safra de milho chegou a 1,59 milhão de toneladas, expansão de 5,4%, depois que chuvas adequadas no início do ano favoreceram o desenvolvimento das lavouras. Ao mesmo tempo, a produção de cana-de-açúcar cresceu 18,2%, a mandioca avançou 4,8% e o cacau, produto estratégico principalmente para regiões paraenses, registrou alta de 3,1%.
Pecuária reforça peso do agronegócio paraense
Além da agricultura, a pecuária teve participação decisiva no resultado, com os abates bovinos aumentando 5% e o preço do boi gordo acumulando valorização de 19%, segundo o levantamento divulgado pela Fapespa. Dessa forma, o desempenho ajuda a explicar por que o agronegócio conseguiu sustentar parte relevante do crescimento estadual mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela mineração.
Na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e igual período de 2025, por exemplo, a agropecuária paraense avançou 8,02%, acima dos 6,76% registrados pelo setor no Brasil. Portanto, embora diferentes bases de comparação mostrem percentuais distintos, o cenário permanece favorável ao setor produtivo rural paraense.
Esse é um ponto especialmente relevante para o produtor rural, porque demonstra que o campo não representa apenas uma atividade complementar dentro da economia do Pará, mas se tornou peça estratégica para amortecer dificuldades de outros segmentos e ampliar a participação estadual na produção nacional.
Indústria reage com força do S11D
A indústria também contribuiu para a melhora do PIB e registrou crescimento de 2,88% frente ao primeiro trimestre, enquanto o resultado brasileiro ficou próximo de 0,12%. O setor industrial paraense movimentou R$ 17,9 bilhões, dos quais R$ 7,87 bilhões vieram da indústria extrativa mineral.
Um dos destaques foi o desempenho do complexo S11D, no sudeste do Pará, que alcançou recorde de produção para um segundo trimestre, com 23,4 milhões de toneladas de minério de ferro, 2,5 milhões de toneladas acima do mesmo período do ano anterior. A Vale informou ainda que sua produção total de minério de ferro atingiu 84,3 milhões de toneladas no trimestre.
No entanto, a fotografia do semestre mostra que ainda existem desafios importantes na mineração, porque a indústria extrativa acumula retração de 10,36%, pressionada principalmente pela menor disponibilidade de minério em Serra Norte. Assim, a recuperação observada entre abril e junho ainda não eliminou todas as perdas registradas anteriormente.
Serviços recuam no trimestre, mas continuam gigantes
Embora tenha registrado retração pontual de 1,66% frente ao primeiro trimestre, principalmente devido ao desempenho das atividades imobiliárias, o setor de serviços continua sendo a maior parcela da economia paraense, com movimentação de R$ 39,4 bilhões e participação aproximada de 52,6% no PIB estadual.
No acumulado do primeiro semestre, porém, serviços cresceram 3,37%, acima dos 1,82% registrados pelo segmento no Brasil, sustentados sobretudo pela Administração Pública, comunicação e transportes. Portanto, o recuo trimestral não elimina a importância do setor para consumo, renda e geração de empregos no Estado.
Essa força também aparece no mercado de trabalho, já que serviços e comércio geraram 6.033 empregos formais no segundo trimestre, elevando para mais de 13,2 mil o número de vagas criadas por esses segmentos durante os primeiros seis meses de 2026, conforme dados do Caged compilados pela Fapespa.
Pará acelera, mas resultado anual ainda exige atenção
Apesar do forte crescimento frente ao trimestre anterior, os números mostram que a economia paraense ainda enfrenta obstáculos quando a comparação é feita com 2025. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o PIB estadual recuou ligeiramente 0,07%, enquanto a economia brasileira cresceu 1,98%, principalmente devido à queda de 8,03% registrada pela indústria paraense nessa base de comparação.
Nos primeiros seis meses de 2026, o PIB do Pará acumulou crescimento de 0,33% frente ao primeiro semestre de 2025, enquanto o Brasil avançou 1,91%, o que reforça a necessidade de manter investimentos capazes de transformar a recente recuperação trimestral em crescimento mais consistente ao longo do ano.
Por outro lado, o desempenho agropecuário mostra uma direção importante para a economia estadual, pois agricultura e pecuária registram taxas expressivas justamente quando setores historicamente relevantes, como a mineração, enfrentam limitações operacionais e oscilações das commodities internacionais.
Força do campo aumenta responsabilidade sobre infraestrutura
Para o agronegócio, os números reforçam uma questão estratégica: se a produção cresce, a infraestrutura precisa acompanhar. Estradas, ferrovias, hidrovias, energia, armazenagem, conectividade e segurança jurídica tornam-se ainda mais importantes a fim de transformar ganhos de produtividade no campo em renda, competitividade e novos investimentos dentro do Pará.
O crescimento da segunda safra de milho, a expansão da pecuária e o avanço de culturas como cacau, mandioca e cana-de-açúcar mostram, acima de tudo, que existe espaço para ampliar a geração de riqueza fora dos grandes centros urbanos. No entanto, gargalos logísticos e custos elevados podem reduzir parte dessa vantagem caso o ambiente de negócios não evolua na mesma velocidade da produção.
Além disso, uma economia mais diversificada reduz a dependência paraense das oscilações da mineração, permitindo que agropecuária, agroindústria, comércio e serviços compartilhem de maneira mais equilibrada a geração de emprego, arrecadação e desenvolvimento regional.
Agro mostra novamente sua importância para o Pará
Em suma, o segundo trimestre de 2026 trouxe uma mensagem clara: o campo foi decisivo para colocar a economia do Pará novamente em trajetória de crescimento mais forte. Enquanto o PIB estadual avançou 1,17%, a agropecuária cresceu 8,72%, sustentada principalmente pelo milho, pela pecuária e pela melhora das condições produtivas.
O desafio agora será transformar essa aceleração em crescimento duradouro, aumentando investimentos, agregando valor à produção dentro do próprio Estado e criando condições para que produtores rurais continuem ampliando produtividade e competitividade. Para o Pará, fortalecer o agro significa fortalecer uma das bases mais dinâmicas de sua economia.
Para produtores, gestores e profissionais que querem transformar números do mercado em decisões melhores dentro da propriedade, a Fazenda Planejada reúne cursos, e-books e livros voltados à gestão, planejamento e desenvolvimento do agronegócio. Acesse a plataforma, conheça os materiais educativos e encontre conteúdos capazes de ajudar a planejar uma atividade rural cada vez mais eficiente e rentável.
Fonte:
Fapespa / Agência Pará / IBGE / Ministério do Trabalho e Emprego
Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.
Jornalismo Ruralbook – A informação que vem do campo.
Conteúdos publicados no portal Ruralbook, com autoria do jornalismo Ruralbook e seus colunistas, são protegidos por direitos autorais. Caso sejam utilizados em outros meios, é obrigatório citar o canal Ruralbook como autor e incluir um link de redirecionamento para o portal. Essa medida visa garantir o reconhecimento da fonte e a disseminação de informações de qualidade no setor agro.



















