Programa da Aprosoja MT leva especialistas a campo para identificar causas, orientar produtores e reduzir prejuízos nas lavouras

Os problemas com grãos ardidos têm se tornado uma preocupação crescente nas lavouras de milho em Mato Grosso, impactando diretamente a qualidade do produto, a comercialização e a rentabilidade do produtor rural. Diante desse cenário, o programa Classificador Legal, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), tem intensificado o apoio técnico aos produtores por meio de visitas a campo, diagnósticos especializados e orientações práticas voltadas ao manejo fitossanitário.
A iniciativa busca aproximar o produtor de informações técnicas e científicas, permitindo a identificação mais precisa das causas dos danos e a adoção de medidas corretivas e preventivas. Em muitos casos, a rápida identificação do problema é fundamental para evitar perdas maiores e definir estratégias mais eficientes para as próximas safras. Para o pesquisador e mestre em fitopatologias, Erlei Melo Reis, a presença técnica diretamente na lavoura é essencial para preencher uma lacuna ainda existente no campo, especialmente no acompanhamento de doenças de plantas.
“Pela experiência que tenho no Brasil e na América do Sul, especialmente na área de doenças de plantas, vejo que em Mato Grosso o produtor ainda tem pouca assistência técnica voltada especificamente para doenças. É essencial que alguém com conhecimento aprofundado esteja no campo, conversando diretamente com ele. Na prática, faltam fontes de informação científica, úteis e aplicáveis para quem está produzindo. Quando se fala em fitopatologia para uma área de mais de 11 milhões de hectares de soja, são poucos os profissionais e pesquisadores atuando diretamente para ajudar o produtor. Essa é uma lacuna muito grande que faz com que muitos produtores precisem enviar amostras para locais distantes para conseguir um diagnóstico, justamente porque falta essa estrutura mais próxima. E isso faz toda a diferença”, explicou o especialista.
Durante as visitas realizadas nas propriedades atendidas pelo programa, Erlei identificou que, em muitos casos, os sintomas observados nos grãos estão ligados a um problema mais amplo na planta, envolvendo colmo e sistema radicular, o que exige uma análise mais completa e um manejo mais estratégico.
“Nas propriedades que visitei, por exemplo, percebi situações em que a doença observada na espiga estava diretamente relacionada a problemas no colmo e na raiz, algo que muitos produtores ainda não têm o hábito de avaliar. No milho, existem pelo menos cinco fungos que podem causar podridão de espiga, e esses mesmos fungos também podem comprometer raiz e colmo. O produtor precisa entender que, se uma doença não gera dano econômico ou redução de produtividade, não há motivo para gastar com defensivos. Esse é um princípio básico do manejo racional. O problema é que, sem orientação técnica adequada, muitas vezes ele aplica fungicidas de forma desnecessária, elevando custos sem necessidade”, salientou Erlei.
Entre as propriedades que receberam o acompanhamento da Aprosoja MT e do especialista está a do delegado coordenador do núcleo de São José do Rio Claro, Cleverson Bertamoni. O produtor enfrentou forte incidência de diplódia, doença que compromete a qualidade dos grãos e pode gerar descontos significativos na comercialização.
“Quero parabenizar à Aprosoja MT por proporcionar esse suporte e trazer alguém tão capacitado para nos orientar. O professor nos ajudou a identificar as possíveis causas dessa alta pressão de diplódia e também levou materiais da lavoura para análises em laboratório. A partir dessas análises, ele poderá nos passar novos procedimentos e orientações para tentarmos prevenir que essa situação se repita, já que tivemos perdas significativas devido à forte incidência da doença”, relatou Cleverson.
Com o diagnóstico técnico e orientações específicas para o manejo futuro, Cleverson reforçou a importância da atuação da Aprosoja MT em levar suporte qualificado até as propriedades, especialmente em situações que exigem respostas rápidas e assertivas.
“Para o próximo plantio da safra de milho, algumas mudanças já foram orientadas. Uma delas é observar com mais atenção a origem do material, da semente de milho, entender o histórico da região produtora e verificar se há incidência nessas áreas. Também vamos levar em consideração o clima no final do ciclo da cultura. Na avaliação dele, o ambiente favoreceu a propagação e intensificou a pressão da doença aqui na região”, reforçou.
O programa Classificador Legal segue como uma importante ferramenta de apoio ao produtor rural, fortalecendo o acesso à informação técnica, promovendo diagnósticos mais precisos e contribuindo para decisões mais seguras dentro da propriedade. Para a Aprosoja MT, ampliar esse suporte especializado é fundamental para reduzir perdas, melhorar a qualidade da produção e fortalecer a sustentabilidade do sistema produtivo em Mato Grosso.
A experiência do Classificador Legal em Mato Grosso mostra como a informação e a avaliação técnica podem contribuir para dar mais segurança ao produtor, especialmente diante de desafios relacionados à qualidade dos grãos, como a ocorrência de grãos ardidos. Ao mesmo tempo, soluções tecnológicas como os medidores de umidade da Motomco reforçam a importância de acompanhar indicadores de qualidade de forma precisa e contínua.
No campo, tecnologia, classificação e manejo caminham cada vez mais próximos. Para o produtor rural, adotar essas ferramentas significa ampliar o controle sobre a própria produção, identificar problemas com maior rapidez, reduzir perdas e buscar melhores condições para preservar a qualidade e o valor dos grãos ao longo de toda a cadeia produtiva.
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