Crise do diesel pode durar até 2027 e ameaça o agro brasileiro

Alerta da Agência Internacional de Energia revela que a escassez mundial de diesel poderá continuar em 2027, elevando os custos de produção, fretes e operações agrícolas no Brasil.

A crise do diesel no mercado internacional poderá se prolongar durante boa parte de 2027, segundo alerta divulgado nesta quarta-feira (14) pela Agência Internacional de Energia (IEA). O cenário preocupa o agronegócio brasileiro, já que os conflitos geopolíticos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia provocaram interrupções na produção de combustíveis, reduziram a capacidade de refino e pressionaram os preços internacionais. Além disso, a dependência brasileira de diesel importado amplia os riscos para o transporte de cargas, o funcionamento de máquinas agrícolas e a rentabilidade das propriedades rurais.

O alerta é especialmente preocupante para o Brasil, onde o diesel representa um dos principais custos operacionais da agricultura, da pecuária e da logística de alimentos.

De acordo com o relatório de outubro da IEA, os estoques internacionais de diesel enfrentam um período de forte pressão, enquanto a recuperação da produção nas refinarias poderá não ser suficiente para compensar as perdas acumuladas em 2026. Como resultado, o mercado continuará vulnerável a novos aumentos de preços, principalmente diante da possibilidade de agravamento dos conflitos internacionais.

Conflitos internacionais agravam crise mundial do diesel

Os ataques contra instalações petrolíferas e refinarias na Rússia e no Oriente Médio estão entre os principais fatores responsáveis pela redução da oferta mundial de combustíveis. Essas interrupções atingiram especialmente os chamados destilados médios, categoria que inclui diesel, gasóleo e combustível utilizado na aviação.

Segundo a Agência Internacional de Energia, as exportações de diesel da Rússia e do Oriente Médio apresentaram uma redução conjunta de aproximadamente 1,3 milhão de barris por dia em setembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Embora outros países tenham aumentado parcialmente suas exportações, a disponibilidade internacional permaneceu abaixo dos níveis registrados em 2025.

A redução da oferta mundial de diesel acontece justamente em um momento de estoques pressionados, aumentando os riscos de novas oscilações nos preços dos combustíveis.

Além disso, os conflitos provocaram danos à infraestrutura energética e dificultaram o transporte de petróleo e derivados. Dessa forma, mesmo com a possibilidade de recuperação parcial da produção, a recomposição dos estoques poderá ocorrer apenas durante o segundo semestre de 2027.

Preços internacionais disparam e preocupam a economia

O desequilíbrio entre oferta e demanda já provocou movimentos expressivos nos preços internacionais do diesel, elevando os custos de refino e transporte de combustíveis.

Segundo a IEA, as margens de refino do diesel chegaram a aproximadamente US$ 95 por barril em setembro, enquanto os preços do combustível no atacado alcançaram cerca de US$ 220 por barril em determinados mercados europeus e norte-americanos.

Ao mesmo tempo, o petróleo também registrou forte valorização, refletindo os riscos geopolíticos e as dificuldades de abastecimento. No relatório de outubro, a agência apontou que a referência North Sea Dated alcançou média de US$ 116,89 por barril em setembro.

O encarecimento do diesel não afeta somente o setor energético, mas também pressiona o transporte de mercadorias, a produção de alimentos e os índices de inflação em diferentes países.

No Brasil, esse movimento merece atenção porque grande parte das mercadorias depende do transporte rodoviário. Consequentemente, qualquer aumento expressivo do combustível pode provocar reajustes nos fretes, ampliar despesas logísticas e reduzir a competitividade de diversos setores produtivos.

Brasil adota medidas para evitar falta de combustível

Diante das dificuldades internacionais, o governo federal anunciou medidas emergenciais para reduzir os riscos de desabastecimento e preservar a competitividade das importações de diesel.

Entre as iniciativas está uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro de diesel rodoviário importado, com vigência prevista de 30 dias. O incentivo complementa mecanismos anteriores de apoio à importação e busca reduzir a diferença entre os preços internacionais e os valores praticados no mercado brasileiro.

O adicional de R$ 1,40 por litro não representa um novo imposto ou aumento direto ao consumidor, mas um subsídio destinado a ajudar a manter o abastecimento nacional.

Segundo informações divulgadas pelo governo, a medida possui custo adicional estimado em R$ 1,6 bilhão durante sua vigência. Além disso, o Executivo anunciou a abertura de crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para ações relacionadas à produção e à importação de combustíveis.

Apesar dessas iniciativas, a dependência brasileira do mercado externo continua sendo um desafio. Como o país importa parte do diesel necessário ao consumo interno, oscilações internacionais podem afetar diretamente os preços nacionais, sobretudo quando acompanhadas de variações cambiais.

Agronegócio pode enfrentar custos maiores na safra 2026/27

Para o agronegócio brasileiro, os efeitos de uma crise prolongada do diesel podem aparecer em praticamente todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até o transporte da safra para armazéns, indústrias e portos.

Nas lavouras de soja, milho, algodão e outras culturas mecanizadas, o combustível é essencial para a operação de tratores, pulverizadores, colheitadeiras e caminhões. Portanto, a elevação dos preços aumenta o custo por hectare e pode comprometer as margens de rentabilidade das propriedades.

O produtor rural poderá enfrentar uma safra mais cara em 2026/27, principalmente nas regiões que dependem de grandes deslocamentos e operações agrícolas altamente mecanizadas.

No Centro-Norte brasileiro, especialmente em Mato Grosso, Pará, Tocantins e Maranhão, a preocupação ganha importância devido às longas distâncias entre propriedades rurais, unidades de armazenamento e corredores logísticos de exportação.

Além disso, o impacto não se limita à agricultura. Na pecuária, o diesel influencia o transporte de animais, a distribuição de ração, a movimentação de máquinas e o funcionamento de equipamentos utilizados nas propriedades.

Dessa forma, um aumento prolongado do combustível pode afetar tanto o custo de produção quanto o preço final dos alimentos. Ao mesmo tempo, transportadoras e empresas do setor agroindustrial também ficam expostas à elevação das despesas operacionais.

Mesmo quando os preços da soja, do milho ou da arroba do boi apresentam resultados favoráveis, o avanço dos custos logísticos pode reduzir o lucro efetivamente recebido pelo produtor rural.

Mercado de petróleo deve melhorar em 2027, mas diesel exige atenção

A Agência Internacional de Energia projeta uma redução média anual de 5,8 milhões de barris por dia na oferta mundial de petróleo em 2026, seguida por uma recuperação de aproximadamente 7,7 milhões de barris diários em 2027.

Apesar da perspectiva de melhora, a disponibilidade de petróleo bruto não significa necessariamente uma recuperação imediata na oferta de diesel. Isso ocorre porque a produção do combustível depende do funcionamento das refinarias, da infraestrutura de transporte e da capacidade de distribuição internacional.

A expectativa de recuperação do petróleo em 2027 não elimina o risco de preços elevados do diesel, especialmente enquanto os estoques internacionais permanecerem reduzidos.

Segundo a IEA, o reequilíbrio do mercado de derivados poderá ocorrer de maneira gradual, com a recomposição dos estoques ganhando força apenas ao longo do segundo semestre de 2027.

Por isso, a evolução dos conflitos internacionais e a recuperação das instalações energéticas serão fatores decisivos para determinar o comportamento dos preços nos próximos meses.

Planejamento será essencial para proteger a rentabilidade do agro

Diante das incertezas no mercado energético, produtores rurais e empresas do agronegócio precisarão acompanhar com maior atenção os custos operacionais e as condições de abastecimento.

O planejamento antecipado das atividades agrícolas, a manutenção preventiva das máquinas, o controle do consumo de combustível e a organização da logística poderão contribuir para reduzir parte dos impactos financeiros provocados pela crise.

Além disso, investimentos em infraestrutura, maior eficiência energética e políticas de abastecimento são fundamentais para diminuir a exposição do setor produtivo brasileiro às oscilações internacionais.

A crise mundial do diesel representa um alerta para o agronegócio: produzir mais continua sendo importante, mas controlar os custos será decisivo para preservar a competitividade e a rentabilidade das propriedades rurais.

Em suma, o cenário projetado pela Agência Internacional de Energia demonstra que o mercado global de combustíveis poderá enfrentar dificuldades durante boa parte de 2027. Embora exista expectativa de recuperação da oferta, os riscos geopolíticos, a redução dos estoques e os custos elevados de refino continuam ameaçando a estabilidade dos preços.

Para o Brasil, o desafio será garantir o abastecimento e reduzir os impactos sobre o transporte e a produção agropecuária, permitindo que o setor continue competitivo mesmo diante das turbulências internacionais.

Para produtores rurais que desejam aprimorar a gestão financeira, controlar despesas e aumentar a eficiência da propriedade, a Fazenda Planejada disponibiliza cursos, e-books e livros voltados ao planejamento e à administração rural. Acesse a plataforma, conheça os materiais educativos e informativos e descubra conteúdos que podem ajudar na tomada de decisões estratégicas para o seu negócio no campo.

Fontes
Agência Internacional de Energia (IEA) / Reuters / Agência Nacional do Petróleo (ANP)

Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.

Jornalismo Ruralbook – A informação que vem do campo.

Conteúdos publicados no portal Ruralbook, com autoria do jornalismo Ruralbook e seus colunistas, são protegidos por direitos autorais. Caso sejam utilizados em outros meios, é obrigatório citar o canal Ruralbook como autor e incluir um link de redirecionamento para o portal. Essa medida visa garantir o reconhecimento da fonte e a disseminação de informações de qualidade no setor agro.

Cursos & E-books

Quer receber nossas matérias, reportagens e conteúdos em primeira mão?

Faça parte de nossos grupos – Central Ruralbook

Sugestões de pauta envie para:

Whatsapp: (94) 99220-9471 – Email: redacao@ruralbook.com