Instabilidade política, sanções e tarifas mexem com a fronteira e com a pauta de alimentos, insumos e energia.
A crise na Venezuela entrou em um novo capítulo neste sábado, 3 de janeiro de 2026, com forte turbulência política e pressão externa, incluindo sanções e impacto direto sobre o setor de petróleo, segundo agências internacionais.
No entanto, para o agronegócio brasileiro, o ponto central é bem prático: como ficam as exportações de alimentos, a logística na fronteira (especialmente via Norte) e a previsibilidade de regras comerciais, já que o país vizinho é comprador tradicional de itens da nossa pauta agro.
O que está acontecendo na Venezuela e por que isso respinga aqui
Nos últimos dias, o noticiário internacional aponta instabilidade política aguda, com efeitos imediatos sobre comércio, câmbio e operações estratégicas, principalmente energia.
Além disso, episódios recentes envolvendo cobrança de tarifas sobre produtos brasileiros (e depois recuos ligados a certificados de origem) mostram que, em cenário de aperto, a regra pode mudar rápido — e quem paga a conta, muitas vezes, é quem está carregando caminhão e emitindo nota.
O que o Brasil exporta para a Venezuela (com foco no agro)
Na prática, a Venezuela compra do Brasil comida e itens básicos, com destaque recorrente para:
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açúcares e melaços,
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produtos comestíveis e preparações,
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milho (e outros grãos, dependendo do ano).
Em 2024, o comércio total entre os dois países chegou a US$ 1,6 bilhão, com US$ 1,2 bilhão em exportações brasileiras — uma fatia pequena do total do Brasil, mas relevante para empresas e rotas específicas.
O que o Brasil importa da Venezuela e onde mora a atenção do agro
Do lado das compras, o Brasil trouxe da Venezuela, com destaque, fertilizantes, além de itens industriais e energéticos em determinados períodos.
Aqui mora um ponto sensível: mesmo quando o volume não domina a conta nacional, qualquer ruído em insumos e energia acende alerta, porque custo de produção no agro não perdoa — e o produtor sente isso no bolso antes de todo mundo.
A Venezuela é importante para o agronegócio brasileiro?
Sim — mas do jeito “raiz” do comércio de fronteira e abastecimento regional.
Em termos nacionais, ela não é, hoje, um dos maiores destinos do agro brasileiro (os números de 2024 mostram participação pequena no total exportado).
Ainda assim, a Venezuela é importante por três motivos bem objetivos:
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Escoamento e mercado de alimentos: é um comprador próximo para itens de giro rápido (açúcar, milho e processados).
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Fronteira e logística no Norte: quando dá problema, bate forte em operações que dependem dessa rota (transportadoras, tradings regionais e agroindústrias).
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Risco de “surpresa regulatória”: tarifa hoje, isenção amanhã — e a insegurança trava negócio, crédito e planejamento.
O que o produtor e as empresas do agro devem observar agora
A fim de tomar decisão com pé no chão, vale monitorar:
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Fluxo de fronteira e prazos logísticos (principalmente Norte);
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Mudanças de tarifa e exigências aduaneiras;
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Câmbio e risco de pagamento/seguro em operações com o país;
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Reflexos indiretos via energia e ambiente regional, já que turbulência política costuma bagunçar contratos e fretes.
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Em suma, a Venezuela não define o rumo do agro brasileiro como um grande comprador global, mas pode atrapalhar o jogo em pontos estratégicos: fronteira, previsibilidade comercial, demanda por alimentos e risco de custo indireto. E no agro, como sempre foi, quem planeja compra melhor, vende melhor e dorme mais tranquilo — principalmente quando o vizinho está em tempestade.
E já que o assunto é atravessar crise com método, fica o convite: conheça a plataforma Fazenda Planejada (cursos, e-books e livros) e veja como levar gestão, indicadores e estratégia para dentro da porteira — porque fazenda que dá lucro não depende de sorte, depende de decisão bem tomada.
Fontes:
Reuters / Associated Press / MDIC-Secex (Governo Federal) / CNN Brasil / AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) / Exame
Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.
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