Combustível atinge maior preço desde abril, enquanto petróleo acima de US$ 100 e dependência externa aumentam pressão sobre fretes e custos de produção.
O preço do diesel S-10 encerrou a semana de 27 de setembro a 3 de outubro em R$ 7,35 por litro na média nacional, avanço de aproximadamente 0,3% diante dos R$ 7,33 registrados na semana anterior e o maior patamar desde abril, segundo o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Ao mesmo tempo, o diesel comum, conhecido como S-500, alcançou média de R$ 6,90 por litro, enquanto a gasolina comum permaneceu praticamente estável, em R$ 6,55, mostrando que a pressão recente está especialmente concentrada no combustível que movimenta caminhões, máquinas agrícolas e grande parte da logística nacional.
Desde a semana de 30 de agosto a 5 de setembro, quando o S-10 custava em média R$ 6,88, a alta acumulada chega a aproximadamente 6,8%, diferença relevante para um setor em que milhões de litros são consumidos durante plantio, colheita e transporte da produção.
Petróleo acima de US$ 100 aumenta pressão
Um dos principais fatores por trás do movimento é o mercado internacional de petróleo, que voltou a trabalhar acima da barreira de US$ 100 por barril diante das tensões e das interrupções provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira, 5 de outubro, o Brent chegou a ser negociado acima de US$ 103 e permaneceu acima de US$ 100 durante o dia, enquanto o mercado continuava atento aos riscos envolvendo infraestrutura e rotas de exportação na região.
Além disso, a Reuters já havia registrado em setembro que o Brent rompeu novamente os US$ 100 após uma intensificação do conflito e dos ataques contra embarcações, ampliando a preocupação com o fornecimento mundial de energia.
Para o Brasil, esse movimento pesa ainda mais porque parte importante do diesel consumido internamente precisa vir do exterior.
Brasil ainda depende do diesel importado
Dados técnicos da própria ANP mostram que, em 2025, as importações líquidas de diesel somaram 16,3 milhões de metros cúbicos e corresponderam a 27,3% da demanda interna brasileira.
Portanto, pouco mais de um quarto da necessidade nacional precisou ser complementada por combustível importado, deixando o país mais exposto às oscilações do petróleo, câmbio, fretes marítimos e disponibilidade internacional do derivado.
Esse cenário preocupa especialmente o agronegócio, porque o diesel participa de praticamente todas as etapas da cadeia produtiva, desde o preparo do solo e pulverizações até colheita, transporte entre propriedades, armazéns, tradings, frigoríficos e portos.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta, inclusive, que a demanda brasileira por diesel poderá chegar a aproximadamente 73 bilhões de litros em 2026, sustentada principalmente pela atividade econômica, logística e pelo próprio avanço do agronegócio.
Governo mantém subsídio de R$ 2,12 por litro
Em meio à volatilidade internacional, o governo federal decidiu manter durante outubro a subvenção econômica de R$ 2,12 por litro de diesel, instrumento criado justamente para amortecer parte da pressão externa antes que ela chegue integralmente às bombas.
A medida foi formalizada pelo Ministério da Fazenda no fim de setembro. O programa começou com uma subvenção de R$ 1,12 por litro e posteriormente recebeu um adicional de R$ 1, levando o benefício total aos atuais R$ 2,12.
Apesar disso, o fato de o S-10 já ter alcançado R$ 7,35 mostra que o produtor rural permanece exposto ao cenário internacional mesmo com os mecanismos de amortecimento em funcionamento.
Frete pode virar novo ponto de pressão no agro
Para quem produz no interior do Brasil, o problema vai muito além do valor pago para abastecer tratores e colheitadeiras, já que o diesel representa componente essencial do transporte rodoviário de grãos, animais, fertilizantes, sementes, defensivos e alimentos.
Estudos do Esalq-Log já demonstraram que aumentos do combustível podem elevar de forma relevante os custos de transporte de grãos em rotas de longa distância e, consequentemente, reduzir os preços líquidos recebidos pelo produtor ou aumentar os valores pagos pelos consumidores.
Além disso, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vem alertando desde o agravamento da crise internacional que o diesel mais caro pressiona diretamente os custos de produção e logística da agropecuária.
O impacto tende a ser ainda mais sensível nas regiões produtoras afastadas dos portos, especialmente no Centro-Oeste e no Norte, onde grandes distâncias rodoviárias fazem com que cada reajuste do combustível ganhe peso adicional na formação do custo por tonelada transportada.
O agro precisa acompanhar a próxima etapa
A alta de apenas 0,3% na última semana pode parecer pequena isoladamente, porém o avanço acumulado de aproximadamente 6,8% desde o fim de agosto muda a dimensão do problema e exige atenção do setor produtivo.
Para o agronegócio, diesel não é apenas combustível: é custo de produção, custo de frete e competitividade. Por isso, enquanto o petróleo permanecer acima de US$ 100 e o mercado internacional continuar sujeito a restrições de oferta, o risco de novas pressões continuará presente.
Ainda que a subvenção de R$ 2,12 ajude a amortecer os reajustes, o cenário reforça a necessidade de planejamento logístico, acompanhamento dos preços regionais e maior previsibilidade na política energética, porque uma escalada mais forte pode atingir diretamente as margens do produtor e os preços dos alimentos.
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Principais números
R$ 7,35/litro — preço médio nacional do diesel S-10
R$ 6,90/litro — preço médio do diesel comum
R$ 6,55/litro — preço médio da gasolina comum
≈ 6,8% — alta do S-10 desde o fim de agosto
27,3% — participação das importações líquidas na demanda brasileira de diesel em 2025
R$ 2,12/litro — valor da subvenção federal mantida em outubro
Fontes
ANP / EPE / Reuters / Agência Brasil / CNA / Esalq-Log
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