Projeções da StoneX indicam mercado ainda superavitário, mas fenômeno climático pode diminuir a produção e aumentar a volatilidade dos preços na safra 2026/27.

O mercado global de cacau voltou a acender o sinal de alerta com o avanço das previsões para um novo episódio de El Niño. Embora a produção mundial esteja em recuperação após dois anos marcados por forte escassez, a StoneX revisou suas estimativas e prevê que o excedente global da safra 2026/27 será menor do que o esperado devido aos riscos climáticos, principalmente na África Ocidental, maior região produtora do mundo. O cenário preocupa produtores, indústrias e consumidores, já que qualquer redução na oferta pode voltar a pressionar os preços da commodity.
Recuperação da produção perde força diante do risco climático
Após a crise de oferta registrada nas safras anteriores, o mercado iniciou um processo de recuperação em 2025/26, impulsionado pelo aumento da produção em países como Costa do Marfim, Gana e Brasil. Esse movimento permitiu a reconstrução gradual dos estoques globais e trouxe um ambiente mais favorável para o abastecimento.
Entretanto, a StoneX alerta que esse cenário pode perder força na próxima temporada. A consultoria estima que o mercado continuará superavitário em 2026/27, mas com um excedente significativamente menor em comparação à safra atual, refletindo o aumento das incertezas climáticas provocadas pelo possível retorno do El Niño.
El Niño costuma reduzir a produtividade do cacau
Segundo estudos citados pela StoneX e divulgados pela CNN Brasil, episódios de El Niño reduzem, em média, cerca de 1,7% da produção global de cacau, enquanto, em anos considerados normais, a produção costuma crescer aproximadamente 2,6%.
Os impactos variam conforme a região produtora. Na África Ocidental, responsável por aproximadamente 70% da produção mundial, o fenômeno pode provocar períodos de seca e estresse hídrico durante fases críticas do desenvolvimento das lavouras. Já no Brasil, temperaturas mais elevadas e irregularidade das chuvas também podem afetar a produtividade das plantações, especialmente na Bahia e no Pará, importantes polos da cacauicultura nacional.
Mercado acompanha desenvolvimento da próxima safra
Os analistas destacam que os meses entre julho e setembro são decisivos para a formação da próxima safra africana. Qualquer alteração significativa nas condições climáticas nesse período pode influenciar diretamente a oferta global e provocar novas oscilações nos preços internacionais.
Mesmo com a melhora recente da produção, os estoques mundiais ainda não retornaram aos níveis considerados confortáveis após as perdas acumuladas nos últimos anos. Por isso, o mercado permanece bastante sensível às previsões meteorológicas e ao comportamento das principais regiões produtoras.
Brasil registra recuperação, mas mantém atenção ao clima
No Brasil, a produção de cacau apresentou forte recuperação em 2026, impulsionada por melhores condições climáticas e investimentos no manejo das lavouras. De acordo com a StoneX, a produção nacional cresceu 61% no primeiro trimestre na comparação anual, sinalizando uma retomada após a quebra das safras anteriores.
Apesar do desempenho positivo, especialistas reforçam que o país também poderá sofrer impactos caso o El Niño se intensifique nos próximos meses, principalmente em regiões produtoras mais sensíveis às alterações no regime de chuvas e nas temperaturas.
Preços devem continuar voláteis
A combinação entre recuperação parcial da oferta e risco climático mantém o mercado internacional em um cenário de elevada volatilidade. Caso o El Niño provoque perdas relevantes na produção da África Ocidental, o processo de reconstrução dos estoques poderá ser interrompido, sustentando os preços do cacau em níveis elevados e afetando toda a cadeia do chocolate no mundo.
Especialistas avaliam que o comportamento do clima será o principal fator para definir o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo da safra 2026/27, tornando as próximas semanas decisivas para o setor.
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Fontes:
Forbes Agro / CNN Brasil Agro /StoneX
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