Acordo com o Marrocos reforça a oferta para a safra 2026/27, enquanto queda nas entregas, crédito caro e dependência externa mantêm produtor em alerta.
O risco de falta defertilizantes na safra 2026/27 está afastado neste momento, segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A declaração foi feita em 22 de setembro, durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte. O governo também afirma não haver, até agora, indicativos concretos de desabastecimento nacional de diesel.
Para o produtor, porém, afastar o risco de falta física dos insumos não significa eliminar a preocupação com preços, crédito, frete e prazo de entrega.
Uma das principais medidas para reforçar a oferta veio do Marrocos. O Ministério da Agricultura e a OCP Nutricrops assinaram, em 18 de setembro, um memorando que estabelece como referência 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados para operadores brasileiros entre 2026 e 2027.
No entanto, há uma ressalva importante:o volume não representa uma compra já concluída. As aquisições dependem das condições comerciais negociadas entre a empresa marroquina e os compradores brasileiros.
Números do mercado ainda pedem cautela
Apesar da avaliação positiva do governo sobre o abastecimento, os dados do primeiro semestre mostram um mercado mais apertado. Segundo números da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), as entregas de fertilizantes somaram 19,02 milhões de toneladas entre janeiro e junho de 2026, recuo de 5,4% frente ao mesmo período de 2025.
Além disso, a produção nacional de fertilizantes intermediários alcançou 2,94 milhões de toneladas no semestre, queda de 16,3%. Já as importações desses produtos chegaram a 17,69 milhões de toneladas, redução de 4,2% na comparação anual, conforme os dados divulgados pela entidade.
Ou seja: o cenário aponta maior segurança quanto à disponibilidade física, mas ainda não permite ao produtor baixar a guarda em relação ao custo do insumo.
A própria ANDA relacionou a desaceleração das entregas às adversidades geopolíticas, relações de troca desfavoráveis, escassez de crédito, juros elevados e riscos climáticos.
Diesel também segue no radar
No diesel, André de Paula afirmou que não existem elementos concretos que indiquem desabastecimento nacional. Ainda assim, o combustível permanece estratégico para o agro, uma vez que afeta diretamente máquinas agrícolas, transporte de insumos e escoamento da produção.
Assim sendo, o quadro para a safra 2026/27 é mais confortável do ponto de vista da oferta, mas continua exigindo planejamento. Para o produtor rural, tão importante quanto ter fertilizante disponível é conseguir comprá-lo no momento correto, com preço, crédito e logística que preservem a margem da lavoura.
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Governo afasta falta de fertilizantes, mas custos, crédito e logística ainda exigem atenção do produtor na safra 2026/27.
Fontes
ANDA / Ministério da Agricultura e Pecuária / Canal Rural
Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.
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