Governo reforça fornecimento para a safra 2026/27 com acordo no Marrocos e prioridade nos portos, mas produtor ainda enfrenta custos elevados e forte dependência externa.
O risco de falta de fertilizantes na safra 2026/27 está afastado neste momento, segundo avaliação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A declaração foi feita durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte, em meio às preocupações provocadas pelos conflitos internacionais e pelas mudanças nas rotas globais de insumos agrícolas.
Para o produtor rural, a notícia reduz uma importante incerteza para o planejamento da safra. No entanto, segurança no abastecimento não significa, necessariamente, fertilizante mais barato.
O Brasil ainda importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, mantendo o agronegócio exposto ao câmbio, às cotações internacionais, aos fretes e às tensões geopolíticas. O Plano Nacional de Fertilizantes busca ampliar gradualmente a participação da produção doméstica para atender entre 45% e 50% da demanda brasileira até 2050.
Marrocos entra na estratégia para garantir fosfatados
Entre as principais medidas anunciadas está um memorando de entendimento com a OCP Nutricrops, do Marrocos. O documento estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados para operadores brasileiros em 2026 e 2027. Segundo o governo, esse volume equivale a aproximadamente 80% da necessidade brasileira de fosfatados considerada nessa estratégia.
Contudo, há uma ressalva importante: as compras efetivas dependerão das condições comerciais negociadas entre a companhia marroquina e as empresas brasileiras. Portanto, o memorando fortalece a segurança de fornecimento, mas não deve ser interpretado como estoque já entregue ao produtor.
Além disso, o governo trabalha para diversificar fornecedores. Em setembro, uma missão oficial do Ministério da Agricultura passou por Angola e Marrocos, justamente com agendas relacionadas à cooperação agrícola, investimentos e comércio.
Navios com fertilizantes terão prioridade
Outra frente envolve a logística. A Comissão Nacional das Autoridades nos Portos (Conaportos) recomendou tratamento preferencial para navios transportando fertilizantes destinados à safra 2026/27.
Quando as regras de cada porto permitirem, a orientação prevê preferência para atracação em até 24 horas após o anúncio da chegada da embarcação. A medida busca diminuir atrasos justamente no período em que a demanda por insumos aumenta.
Para o agro, reduzir o tempo entre a chegada do navio e a descarga pode ser tão importante quanto garantir fornecedores, especialmente durante a concentração das compras para o plantio.
Produção brasileira também entra na estratégia
Ao mesmo tempo, o governo aposta na recuperação da indústria nacional. André de Paula destacou a retomada da produção de fertilizantes nitrogenados em unidades ligadas à Petrobras na Bahia, Sergipe e Paraná.
A expectativa oficial é que, com a futura entrada da UFN-III, em Três Lagoas (MS), o país tenha capacidade equivalente a aproximadamente 35% da demanda nacional por nitrogenados.
Ainda assim, reduzir a dependência externa será um processo de longo prazo. Por isso, ampliar a produção brasileira pode aumentar a segurança estratégica do agronegócio, mas as importações continuarão fundamentais para abastecer as lavouras.
Falta pode estar afastada; custo ainda preocupa
Os números recentes mostram por que o produtor precisa acompanhar o mercado. Dados da Secex compilados pelo Farmnews indicam que o Brasil importou 25,37 milhões de toneladas de fertilizantes entre janeiro e agosto de 2026, abaixo das 29,46 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.
Ao mesmo tempo, o preço médio de importação até agosto alcançou US$ 394,47 por tonelada, contra US$ 340,21 por tonelada no mesmo período de 2025.
O mercado também apresenta comportamentos diferentes entre os nutrientes. Em setembro, análise do Itaú BBA apontou valorização dos nitrogenados, recuo dos fosfatados e maior estabilidade dos potássicos, enquanto as tensões internacionais continuavam aumentando a cautela com logística e oferta.
Ou seja: o risco de faltar produto diminuiu, mas o risco de pagar caro continua na mesa.
O que muda para o produtor?
Para quem prepara soja, milho, algodão e outras culturas da safra 2026/27, o cenário exige planejamento. A diversificação dos fornecedores, a prioridade nos portos e a retomada da produção nacional são sinais positivos para a disponibilidade física dos insumos.
Por outro lado, o produtor não deve interpretar o anúncio como garantia de queda imediata nos preços. Câmbio, petróleo, fretes, conflitos internacionais e a relação de troca entre fertilizantes e commodities continuam determinantes para a margem da propriedade.
Em suma, o cenário de abastecimento ficou mais confortável, mas a gestão das compras permanece estratégica. Acompanhar preços, relação de troca e necessidade agronômica pode fazer diferença no custo final da safra.
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Fontes
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) / Canal Rural / Notícias Agrícolas / Secex-MDIC / Farmnews
Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.
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