Gargalos logísticos no corredor Norte voltam a elevar custos e preocupam o setor produtivo.

A fila de caminhões no Pará voltou a ganhar destaque no início de 2026, sobretudo na região de Miritituba, principal terminal de escoamento de grãos do Arco Norte. O congestionamento ocorre durante o pico da colheita de soja e levanta preocupações entre produtores, tradings e entidades do setor por causa do impacto direto sobre custos e eficiência logística. Segundo representantes da indústria, as filas podem se estender por semanas e até meses caso não haja medidas coordenadas para melhorar o fluxo de descarga e transporte.
Gargalos logísticos voltam ao centro do debate
A safra brasileira de soja segue volumosa, o que pressiona ainda mais a infraestrutura de transporte. Com projeções superiores a 181 milhões de toneladas na temporada 2025/26, o volume crescente exige corredores eficientes para evitar perdas e atrasos.
Nesse cenário, o corredor BR-163–Miritituba opera acima da capacidade em períodos de pico. Assim que a colheita acelera, centenas de carretas formam filas extensas à espera de descarga nos terminais portuários. Como resultado, o custo logístico aumenta e parte desse impacto recai diretamente sobre o produtor rural.
O encarecimento já foi percebido no frete da rota Mato Grosso–Pará, que subiu de cerca de R$ 260 para R$ 330 por tonelada em poucas semanas, reflexo da demora nas operações e da baixa rotatividade dos caminhões.
Atualizações recentes sobre o cenário no Pará
Informações mais recentes indicam que as filas podem persistir até o fim de abril caso não ocorram intervenções logísticas mais efetivas por parte de operadores, concessionárias e autoridades de trânsito. Além disso, o problema reacende o debate sobre investimentos estruturais, já que o volume de grãos que passa pela região tende a crescer significativamente nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, episódios paralelos também interferem na fluidez do transporte. Protestos registrados em terminais do Pará, ainda que pontuais, chegaram a bloquear o acesso de caminhões e demonstram como fatores externos podem agravar gargalos logísticos durante a safra.
Infraestrutura ainda limita competitividade
O Arco Norte ganhou relevância estratégica para reduzir distâncias até mercados internacionais; no entanto, a infraestrutura atual ainda enfrenta limites operacionais. O crescimento projetado do volume transportado, que pode praticamente dobrar até 2035, indica pressão crescente sobre estradas, terminais e capacidade de armazenagem.
Apesar de avanços logísticos registrados nos últimos anos, o setor produtivo avalia que gargalos persistentes prejudicam a competitividade brasileira frente a outros exportadores. Ainda assim, investimentos em transporte multimodal, como ferrovias e hidrovias, seguem apontados como caminhos necessários a fim de garantir maior previsibilidade e redução de custos.
Em suma, a fila de caminhões no Pará expõe um desafio recorrente do agronegócio brasileiro: produzir em escala mundial exige logística compatível com o volume colhido. Enquanto a safra cresce, o sistema de escoamento precisa evoluir com a mesma velocidade, a fim de que o produtor capture melhor valor pelo grão e mantenha competitividade no mercado global.
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Fontes
Canal Rural / Canal Pecuarista / Compre Rural / Poder360 / Estadão Agro / Notícias Agrícolas
“Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.
Jornalismo Ruralbook
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