Relatório amplia alcance da medida, gera divergências políticas e adia votação considerada estratégica para o transporte rodoviário de cargas.
A MP do Frete voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional após o cancelamento da votação da comissão mista que analisaria o texto nesta semana. O relatório apresentado pelo deputado Zé Trovão (PL-SC) incluiu dispositivos que extrapolam as regras do transporte rodoviário de cargas, entre eles propostas de anistia relacionadas aos bloqueios de rodovias ocorridos em 2022 e aos condenados por atos de 8 de janeiro. A inclusão desses temas provocou divergências entre governo e parlamentares, interrompendo o acordo político que vinha sendo construído e adiando a tramitação da medida.
Impasse político adia votação da MP
Originalmente, a Medida Provisória foi editada para fortalecer os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete e aperfeiçoar normas do transporte rodoviário de cargas. No entanto, durante a tramitação, o relator incorporou dispositivos que tratam da anistia administrativa, civil e penal para caminhoneiros, transportadores e empresas punidos por bloqueios de rodovias registrados após as eleições de 2022, além de um trecho relacionado aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
A inclusão desses temas levou o governo a cancelar a reunião da comissão mista responsável pela análise da proposta. Segundo integrantes da base governista, o relatório passou a conter matérias sem relação direta com o objetivo original da medida provisória, classificadas como “jabutis” no processo legislativo.
Em resposta, o relator afirmou que o entendimento político construído com o Executivo foi rompido e declarou que apresentará o parecer sem novos ajustes negociados. O parlamentar também alertou para a possibilidade de mobilização nacional dos caminhoneiros caso a MP perca a validade sem votação dentro do prazo legal.
Setor acompanha desfecho com atenção
Para o transporte rodoviário de cargas, a definição da MP é considerada relevante porque envolve regras ligadas à fiscalização do piso mínimo do frete, tema que afeta diretamente caminhoneiros autônomos, transportadoras, embarcadores e toda a cadeia logística do agronegócio brasileiro. Entretanto, enquanto persistirem as divergências políticas, a votação permanece sem nova data oficialmente confirmada.
O setor produtivo acompanha o andamento da proposta, já que segurança jurídica e previsibilidade nas regras do transporte são fatores importantes para reduzir custos logísticos e garantir competitividade ao agronegócio nacional.
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Fontes
CNN Brasil / Valor Econômico / Veja
Jornalismo Ruralbook
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