Pará e Tocantins acrescentam 175 mil hectares de soja, enquanto Minas reduz a oleaginosa e coloca mais 95 mil hectares de milho no campo.

A expansão da soja no Pará e Tocantins ganhou força na safra 2025/26. Juntos, os dois estados adicionaram aproximadamente 175 mil hectares da oleaginosa em relação ao ciclo anterior. Ao mesmo tempo, Minas Gerais seguiu caminho diferente: reduziu cerca de 85 mil hectares de soja e ampliou significativamente o milho de primeira safra.
Segundo o levantamento Mapas Agro, da Serasa Experian, o Pará respondeu sozinho por aproximadamente 100 mil hectares adicionais, enquanto o Tocantins acrescentou outros 75 mil hectares. Dessa forma, os dois estados já somam aproximadamente 3 milhões de hectares cultivados com soja na temporada atual.
O movimento chama atenção principalmente porque confirma o avanço de importantes regiões produtoras do Centro-Norte brasileiro. Além disso, evidencia que a decisão sobre o que plantar está cada vez mais ligada à rentabilidade, estrutura comercial, logística e oportunidades específicas de cada região.
Pará quase dobra área de soja em seis safras
No Pará, a área cultivada com soja chegou a aproximadamente 1,3 milhão de hectares na safra 2025/26. Em relação ao ciclo anterior, o crescimento ficou próximo de 8%. Entretanto, quando o horizonte analisado é maior, o avanço impressiona ainda mais.
Em apenas seis safras, a área paraense de soja cresceu 92,7%, o equivalente a aproximadamente 620 mil hectares adicionais. No Tocantins, por sua vez, a expansão acumulada chegou a 44,4%, com cerca de 530 mil novos hectares no período. O estado tocantinense possui atualmente aproximadamente 1,7 milhão de hectares destinados à cultura.
Entre os municípios, Cumaru do Norte, no Pará, registrou o maior aumento absoluto apontado pelo levantamento, com 12.987 hectares adicionais de soja. Já no Tocantins, Lagoa da Confusão liderou o avanço, acrescentando 8.181 hectares.
Para o produtor e para as empresas ligadas à cadeia agrícola, essa expansão também amplia a necessidade de investimentos em armazenagem, transporte, comercialização, insumos e crédito. Portanto, o crescimento da produção precisa caminhar acompanhado da estrutura necessária para escoar e agregar valor aos grãos.
Minas reduz soja e aposta mais forte no milho
Enquanto Pará e Tocantins avançaram, Minas Gerais registrou pelo segundo ano consecutivo redução na área de soja. A oleaginosa ocupou aproximadamente 2,75 milhões de hectares, cerca de 85 mil hectares a menos na comparação anual. Em relação à safra 2023/24, a retração acumulada chega a aproximadamente 5%.
Isso não significa, porém, uma perda generalizada de espaço para a agricultura mineira. Pelo contrário, parte importante desse rearranjo ocorreu justamente em direção ao milho.
O milho de primeira safra ganhou aproximadamente 95 mil hectares, levando a área mineira da cultura para perto de 500 mil hectares. Municípios como São João del-Rei, Buritis, Unaí, Coromandel e Paracatu aparecem entre os polos destacados pelo levantamento.
A própria Serasa Experian relaciona a mudança à busca por maior rentabilidade em outras culturas. Assim sendo, o cenário mostra que o produtor está ajustando o planejamento ao mercado e às condições particulares de cada região, em vez de simplesmente repetir a mesma composição de lavouras a cada safra.
Milho também cresce no Pará e Tocantins
O cereal não avançou apenas em Minas Gerais. No Pará, a área mapeada de milho de primeira safra chegou a aproximadamente 32 mil hectares, com crescimento de cerca de 6%. No Tocantins, a expansão foi ainda mais intensa: 35%, alcançando aproximadamente 29 mil hectares.
Dessa maneira, soja e milho seguem ampliando sua importância dentro da economia agrícola do Centro-Norte.
No cenário nacional, esse movimento ocorre durante uma temporada histórica. A Conab estimou a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 361,7 milhões de toneladas, 2,6% acima do ciclo anterior. A soja deve alcançar recorde de aproximadamente 180,4 milhões de toneladas, enquanto a produção total de milho foi estimada em 144 milhões de toneladas.
Tecnologia revela onde o agro está mudando
O levantamento Mapas Agro utiliza imagens de satélite e técnicas de geoprocessamento para identificar e classificar áreas agrícolas. Segundo a Serasa Experian, a tecnologia permite observar expansão e retração das culturas e acompanhar mudanças territoriais entre diferentes safras.
Essas informações ganham importância porque ajudam empresas, produtores, instituições financeiras, cooperativas e tradings a planejar crédito, logística, comercialização e demanda por insumos.
Além disso, a leitura territorial permite enxergar a agricultura para além do volume produzido. Afinal, saber onde uma cultura está crescendo pode antecipar necessidades de silos, transporte, assistência técnica, máquinas, sementes e infraestrutura.
Expansão abre oportunidades, mas exige infraestrutura
Para o agronegócio do Pará e Tocantins, o avanço é um sinal importante de consolidação das novas fronteiras produtivas brasileiras. Contudo, transformar crescimento de área em maior competitividade depende também de estradas, ferrovias, armazenagem, portos e acesso eficiente ao crédito.
Em Minas Gerais, por outro lado, a migração parcial da soja para o milho mostra um produtor atento ao resultado econômico. A flexibilidade para alterar o mix produtivo é justamente uma das ferramentas que ajudam a preservar margem em temporadas de custos elevados e mercados voláteis.
Em suma, o mapa da produção brasileira continua mudando. Pará e Tocantins ganham espaço com a soja, enquanto Minas Gerais mostra que competitividade também significa saber mudar de cultura quando a conta pede outro caminho.
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Fonte:
Serasa Experian / Notícias Agrícolas / Conab
Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.
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