Estudo projeta milhares de mortes adicionais relacionadas ao calor no país e reforça preocupação com saúde, energia, cidades, abastecimento, meio ambiente e produção agropecuária.
O Super El Niño no Brasil acendeu um alerta que vai muito além do agronegócio. Estudo do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estima que o calor associado ao fenômeno poderá provocar cerca de 451 mil mortes adicionais no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027. Para o Brasil, a projeção é de aproximadamente 13,3 mil mortes adicionais relacionadas às temperaturas extremas, colocando o país entre os cinco com maior número projetado.
Os números representam projeções estatísticas de excesso de mortalidade associado ao calor e não significam que essas mortes necessariamente ocorrerão.
Para chegar aos resultados, pesquisadores analisaram a relação entre temperatura e mortalidade em milhares de regiões e combinaram esses dados com projeções climáticas. O estudo também estima 44% mais dias de calor extremo em comparação com um ano considerado normal.
Além disso, o termo “Super El Niño” é utilizado para caracterizar informalmente episódios excepcionalmente intensos do fenômeno. Portanto, a evolução das condições do Pacífico e as atualizações dos órgãos meteorológicos continuarão fundamentais para determinar a intensidade e os efeitos observados no Brasil.
Saúde pública pode enfrentar maior pressão
Entre os setores mais diretamente afetados está a saúde. Temperaturas extremas aumentam os riscos principalmente para idosos, crianças, pessoas com doenças preexistentes e trabalhadores expostos ao calor durante longos períodos.
O calor extremo pode ampliar casos de desidratação, insolação e complicações cardiovasculares e respiratórias, aumentando a pressão sobre os serviços de saúde.
Por causa disso, medidas preventivas, sistemas de alerta e orientação da população ganham importância, especialmente durante ondas de calor prolongadas.
Energia, cidades e abastecimento entram no radar
Os impactos também podem chegar às grandes cidades. Com temperaturas elevadas, cresce o uso de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e sistemas de refrigeração. Como resultado, a demanda por eletricidade pode aumentar significativamente nos horários mais quentes.
Ao mesmo tempo, períodos de pouca chuva em determinadas regiões podem afetar reservatórios e disponibilidade hídrica. Esse cenário exige atenção tanto para o abastecimento urbano quanto para atividades industriais e produtivas.
Nas cidades, o problema pode ser ainda mais intenso por causa das chamadas ilhas de calor. Áreas muito urbanizadas, com grande concentração de concreto e pouca arborização, tendem a registrar temperaturas superiores às de regiões próximas.
Chuvas podem apresentar grandes diferenças entre regiões
Outro ponto importante é que o El Niño não produz os mesmos efeitos em todo o Brasil. Historicamente, episódios do fenômeno podem favorecer maior volume de chuva em áreas do Sul, enquanto partes do Norte e Nordeste podem enfrentar redução ou maior irregularidade das precipitações.
Isso significa que, ao mesmo tempo em que algumas localidades podem enfrentar estiagem e calor intenso, outras precisam acompanhar riscos relacionados a chuvas fortes, enchentes, deslizamentos e danos à infraestrutura.
O desafio brasileiro, portanto, não está somente na falta de chuva, mas também na possibilidade de extremos acontecendo de maneiras diferentes pelo território nacional.
Rodovias, redes elétricas, sistemas de abastecimento, aeroportos e serviços públicos podem ser afetados quando eventos extremos ganham intensidade. Dessa forma, planejamento preventivo também se torna essencial para estados e municípios.
Meio ambiente e incêndios também preocupam
Calor intenso associado a períodos prolongados de estiagem pode favorecer condições para incêndios florestais e queimadas, sobretudo onde a vegetação perde umidade.
Além dos danos ambientais, o avanço do fogo pode comprometer a qualidade do ar e trazer consequências para a saúde das populações próximas. Ainda assim, a ocorrência de incêndios depende de vários fatores, inclusive ação humana, manejo do território e condições locais.
A situação também merece acompanhamento na Amazônia e em outros biomas brasileiros, principalmente se houver combinação entre temperaturas elevadas e déficit de precipitação.
Agro também sente os efeitos
Embora a preocupação seja nacional, o agronegócio permanece entre os setores mais expostos às condições meteorológicas. Alterações na distribuição das chuvas podem interferir no calendário de plantio, desenvolvimento das lavouras, disponibilidade de pastagens e oferta de água para os animais.
Culturas como soja, milho, arroz, feijão, café, cana-de-açúcar e frutas podem responder de maneiras diferentes dependendo da região e do momento em que ocorrerem calor, excesso ou falta de chuva.
Para produtores rurais, acompanhar previsões regionais será mais importante do que tomar decisões com base apenas no cenário nacional.
Economia brasileira também pode sentir os reflexos
Os efeitos climáticos podem alcançar diferentes cadeias da economia. Problemas na produção agrícola podem pressionar determinados alimentos, enquanto maior consumo de energia, interrupções logísticas e danos provocados por eventos extremos podem aumentar custos para empresas e consumidores.
Por outro lado, a intensidade desses efeitos dependerá da duração do fenômeno, das regiões atingidas e da capacidade de adaptação de cada setor.
Saúde, energia, abastecimento, infraestrutura, meio ambiente, indústria, comércio e agronegócio entram, portanto, no radar diante de um possível episódio climático de grande intensidade.
Em suma, as projeções não devem ser interpretadas como um cenário inevitável. No entanto, elas reforçam a importância de preparação, acompanhamento das previsões oficiais e adoção de medidas preventivas. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, os impactos podem variar bastante entre estados e municípios.
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Fontes
Universidade de Chicago / CNN Brasil / Canal Rural
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