Do pasto ao baru: na COP28, um plano econômico para áreas recuperadas

Na COP28, discussão multissetorial promovida pelo Pacto Global da ONU ressalta que inteligência de mercado está em diversificar produções agrícolas e não se limitar a commodities

COP28: diversificação de produções agrícolas é discutida em painel promovido pelo Pacto Global da ONU (Leandro Fonseca /Exame)
COP28: diversificação de produções agrícolas é discutida em painel promovido pelo Pacto Global da ONU (Leandro Fonseca /Exame)

Qual o próximo passo depois da recuperação das áreas de pastagens degradadas no Brasil?

Dubai, Emirados Árabes – A provocação é feita nos corredores da COP28, porque a diversificação de produções agrícolas pode cumprir duas funções simultâneas: contribuir para a saúde do solo e representar estratégia de mercado.

Assim como o mercado financeiro opera com uma carteira de investimentos variada, esta é a tese defendida por João Adrien, head de ESG Agro do Itaú BBA. Durante painel promovido pelo Pacto Global da ONU, ele cita o dado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de que 2% dos imóveis rurais concentram 50% do Valor Bruto da Produção.

“O que fazer com os outros 98%? É preciso inseri-los em novas cadeias produtivas, e talvez a soja e a pecuaria não sejam solução para todo mundo. É até bom que não seja, para trazer diversidade e consolidar novos modelos produtivos”, afirma.

Francine Leal, chairman da Vitrine da Biodiversidade Brasileira, defende a mesma causa em prol das espécies nativas. Na busca por ampliar o leque afora de soja, café ou arroz, que são commodities exóticas, ela exalta incentivar o banco de sementes de culturas nativas.

“Qual o potencial da nossa agricultura do ponto de vista de espécies nativas, como mandioca, baru, cacau? É preciso unir forças para continuar sendo potência em agricultura e continuar valorizar o que se tem, com potencial de bioeconomia para o país”, diz.

Por: Exame Agro

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