Vale antecipa projeto e reforça protagonismo do cobre no Pará

Projeto em Salobo terá operação antecipada para 2028, elevará a capacidade de processamento e poderá acrescentar cerca de 30 mil toneladas de cobre por ano.

No Pará, Salobo já é uma das principais operações de cobre do mundo (Imagem: Divulgação/Vale Base Metals)

A Vale deu mais um passo para ampliar sua presença no mercado mundial de cobre e colocou novamente o Pará no centro de sua estratégia de crescimento. A Vale Base Metals (VBM), subsidiária da companhia, informou nesta quinta-feira (13) o avanço do projeto de Flotação de Partículas Grossas (CPF) no Complexo de Cobre Salobo, com início das operações previsto para o primeiro semestre de 2028 — cerca de um ano antes do cronograma original.

A antecipação é especialmente relevante porque Salobo já figura entre os principais ativos de cobre da Vale e está inserido no sistema mineral de Carajás, no Pará, região estratégica para os planos de expansão da companhia.

Salobo poderá processar 42 milhões de toneladas por ano

O projeto CPF tem como objetivo adicionar 6 milhões de toneladas anuais à capacidade de processamento de minério de Salobo, levando a unidade a uma capacidade total estimada de 42 milhões de toneladas por ano.

Além disso, quando estiver em operação, a iniciativa poderá acrescentar aproximadamente 30 mil toneladas anuais de cobre contido em concentrado, além de cerca de 15 mil onças de ouro por ano como subproduto.

Na prática, a Vale pretende retirar mais produção de uma estrutura mineral e industrial já instalada, reforçando a importância estratégica de Carajás sem depender exclusivamente da abertura de novos complexos.

A tecnologia de Flotação de Partículas Grossas busca aumentar a recuperação mineral durante o beneficiamento. Dessa forma, a companhia consegue aproveitar melhor o minério processado e ampliar a capacidade produtiva do complexo.

Investimento previsto cai para US$ 215 milhões

Outro ponto importante está no custo do projeto. Segundo informações divulgadas pela companhia, a otimização do escopo reduziu a estimativa de investimento para aproximadamente US$ 215 milhões.

A Wheaton Precious Metals também participará do financiamento parcial. Pelo acordo informado, serão pagos US$ 40 milhões à Vale Base Metals em duas parcelas, substituindo futuros pagamentos vinculados a marcos do contrato de streaming. Com isso, o desembolso líquido estimado da VBM ficará próximo de US$ 175 milhões.

Assim sendo, a antecipação do cronograma ocorre simultaneamente a uma redução da necessidade de capital da companhia, combinação que fortalece a atratividade econômica do projeto.

Cobre vive momento estratégico no mundo

A decisão ganha ainda mais peso diante da corrida mundial pelo cobre. O metal ocupa posição central na expansão das redes elétricas, geração renovável, armazenamento de energia, veículos elétricos, infraestrutura digital e construção de data centers.

Por causa disso, grandes mineradoras internacionais procuram ampliar seus portfólios enquanto cresce a discussão sobre a disponibilidade futura do mineral.

Nesse cenário, a Vale estabeleceu como meta alcançar aproximadamente 700 mil toneladas de cobre por ano até 2035, apoiando boa parte desse crescimento em seus recursos minerais e projetos localizados no sistema de Carajás.

Isso transforma o Pará em uma das peças centrais da estratégia da Vale para disputar espaço em um dos minerais mais importantes da transição energética mundial.

Salobo já bate recordes de produção

Os números recentes mostram que o avanço não começa do zero. Em 2025, a Vale produziu 382 mil toneladas de cobre, alta de 9,8% sobre 2024 e o maior volume anual da companhia desde 2018. O desempenho refletiu, entre outros fatores, a produção recorde de Salobo.

Já no segundo trimestre de 2026, Salobo produziu 52,4 mil toneladas de cobre, aumento de 1,9 mil toneladas em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a Vale, foi a maior produção já registrada pelo complexo em um segundo trimestre.

Portanto, o novo projeto chega justamente quando Salobo apresenta resultados operacionais históricos.

O desempenho também ocorre em conjunto com outros ativos paraenses. A Vale mantém operações importantes de metais básicos no estado, incluindo Sossego e Onça Puma, reforçando a concentração de investimentos minerais na região de Carajás.

O que o avanço representa para o Pará?

Embora o anúncio tenha como foco produção, capacidade e retorno econômico, projetos dessa dimensão também movimentam cadeias regionais de fornecedores, logística, manutenção, engenharia, serviços e contratação especializada.

No entanto, o crescimento da mineração também aumenta a responsabilidade sobre infraestrutura, gestão ambiental, relacionamento com comunidades e geração de benefícios duradouros para os municípios envolvidos.

Para o setor produtivo paraense, há ainda uma discussão estratégica: quanto maior a produção mineral de Carajás, maior também deveria ser a capacidade regional de transformar essa riqueza em desenvolvimento econômico, fornecedores locais, qualificação profissional, infraestrutura e novos investimentos.

O Pará já ocupa posição privilegiada pela qualidade e diversidade de seus recursos minerais. Agora, com o avanço de projetos ligados ao cobre, ganha ainda mais relevância em uma cadeia diretamente relacionada às novas demandas energéticas e tecnológicas mundiais.

Carajás ganha força na estratégia global da Vale

A antecipação do CPF de Salobo para 2028 demonstra que o cobre deixou de ocupar posição secundária dentro da estratégia de crescimento da Vale.

Além disso, os números recentes reforçam essa mudança. O negócio de cobre da Vale registrou receita operacional de aproximadamente US$ 4,5 bilhões em 2025, enquanto a companhia alcançou seu maior nível de produção do metal desde 2018.

Em suma, Carajás deixa de ser reconhecida mundialmente apenas pela força do minério de ferro e passa a ocupar posição cada vez mais importante também na corrida global pelo cobre.

Para o Pará, a oportunidade é expressiva. Contudo, o desafio será garantir que o aumento da produção mineral também resulte em mais desenvolvimento regional, infraestrutura, empregos qualificados, empresas locais competitivas e geração de valor dentro do próprio estado.

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Fontes
Vale / Money Times / Estadão Conteúdo

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