Vozes da Pecuária leva demandas do Pará ao debate nacional

Movimento reúne representantes da pecuária brasileira em Brasília e destaca desafios do Pará relacionados à regularização fundiária, rastreabilidade, infraestrutura e acesso aos mercados.

O Vozes da Pecuária no Pará avança para uma nova etapa de representação dos produtores rurais, levando as principais demandas da região ao debate nacional. Após uma trajetória de diálogos, escutas e construção coletiva com pecuaristas de diferentes regiões do Brasil, o movimento busca transformar os desafios identificados no campo em agendas concretas de interlocução com governos, mercado e sociedade. A consolidação dessas agendas ocorreu durante um encontro nacional realizado em Brasília (DF), no mês de setembro.

A região de Marabá e Paragominas, denominada pelo movimento de Amazônia Oriental Paraense, contou com a representação do pecuarista Samuel Aguiar Melo, embaixador local, e de Mauro Lúcio Costa, pecuarista e membro do comitê gestor do Vozes da Pecuária.

O território representa uma área de 34.470 km², com aproximadamente 1,68 milhão de cabeças de bovinos e Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) estimado em R$ 2,27 bilhões. Esses números evidenciam a importância da atividade pecuária para a economia regional e reforçam a necessidade de ampliar a participação dos produtores nas decisões que afetam o setor.

Regularização fundiária e rastreabilidade estão entre as prioridades

Entre as principais demandas identificadas no território estão a gestão orientada por indicadores, a regularização fundiária, ambiental e sanitária, a representação produtiva, a rastreabilidade e o maior acesso aos mercados de exportação.

Além disso, os representantes destacam a necessidade de ampliar o reconhecimento e a valorização da produção de origem amazônica, transformando suas características regionais em oportunidades de mercado.

O objetivo é fazer com que os desafios enfrentados diariamente pelos pecuaristas deixem de ser apenas preocupações locais e passem a integrar uma agenda nacional de desenvolvimento da atividade.

O encontro em Brasília marcou a conclusão de uma etapa iniciada há aproximadamente um ano, quando o movimento começou a levantar as principais demandas dos produtores.

Nesse período, rodas de conversa realizadas em sindicatos, propriedades rurais e comitivas permitiram que os próprios pecuaristas apresentassem seus desafios, discutissem as causas dos problemas e identificassem os pontos que precisam avançar no setor.

Uma agenda construída pelos próprios produtores

O Vozes da Pecuária surgiu com a proposta de permitir que os próprios pecuaristas organizassem suas demandas por meio de uma metodologia comum, respeitando as particularidades de cada território.

A iniciativa reconhece que a pecuária brasileira possui realidades distintas e que os desafios enfrentados pelos produtores variam conforme as características econômicas, ambientais, sociais e produtivas de cada região.

Dessa forma, o projeto busca compreender as necessidades locais e, a partir delas, contribuir para a construção de uma pecuária mais estruturada e preparada para o futuro.

Durante o levantamento, uma constatação ganhou destaque: grande parte dos obstáculos à transformação da pecuária brasileira está relacionada a fatores estruturais e institucionais, e não apenas à falta de tecnologia.

Embora o acesso ao crédito, à assistência técnica e ao conhecimento seja fundamental, os diagnósticos mostraram que a adoção de novas tecnologias depende, muitas vezes, da superação de dificuldades que ultrapassam os limites das propriedades rurais.

Segurança jurídica preocupa pecuaristas e pode comprometer investimentos

Entre os principais obstáculos identificados está a insegurança jurídica relacionada às questões ambientais e fundiárias, apontada de maneira recorrente pelos produtores de diferentes regiões.

Segundo os relatos reunidos pelo movimento, a demora em processos administrativos, as divergências de interpretação das normas e as notificações e embargos podem comprometer o acesso ao crédito e dificultar novos investimentos.

A falta de segurança jurídica representa um dos principais entraves para o planejamento de longo prazo, a modernização das propriedades e a expansão sustentável da atividade pecuária.

Além disso, a infraestrutura rural aparece como outro desafio importante, especialmente em regiões nas quais as condições de acesso e transporte dificultam o desenvolvimento da produção.

Em determinados territórios, a necessidade mais urgente pode ser a construção de uma ponte para viabilizar o escoamento da produção. Em outros, o problema está relacionado às dificuldades para receber máquinas, equipamentos ou insumos necessários à recuperação de pastagens.

Mão de obra e sucessão rural também entram no debate

Outro ponto de atenção envolve a disponibilidade e a qualificação da mão de obra, além dos desafios relacionados à sucessão familiar nas propriedades rurais.

A permanência das novas gerações no campo depende não apenas da viabilidade econômica das atividades, mas também de condições adequadas de educação, saúde, infraestrutura e acesso aos serviços essenciais.

Sem condições estruturais que permitam às famílias permanecer no meio rural, a sucessão familiar e a continuidade das atividades produtivas podem enfrentar dificuldades crescentes.

Por isso, o movimento procura ampliar o debate sobre o futuro da pecuária, considerando aspectos que vão além da produtividade e da incorporação de tecnologias.

Movimento reúne 19,13 milhões de bovinos em oito estados

Nesta primeira fase, o Vozes da Pecuária reúne dez territórios distribuídos em oito estados brasileiros, que somam aproximadamente 19,13 milhões de cabeças de bovinos em uma área de 640 mil km².

A divisão territorial e a nomenclatura das regiões foram estabelecidas pelo próprio movimento, considerando as características e a vocação pecuária de cada localidade.

Com a conclusão da etapa de levantamento e organização das demandas, os embaixadores territoriais passam agora a atuar na interlocução local com representantes de entidades, governos e empresas.

A próxima fase será dedicada à definição das prioridades de cada território e à ampliação do diálogo com os agentes que podem contribuir para a construção de soluções.

Para os pecuaristas da Amazônia Oriental Paraense, a participação no movimento representa uma oportunidade de colocar as necessidades da região em uma discussão nacional sobre o futuro da pecuária brasileira.

Mais do que identificar problemas, a iniciativa pretende construir caminhos para enfrentar dificuldades relacionadas à regularização, infraestrutura, segurança jurídica, produtividade e acesso aos mercados.

O avanço dessas agendas poderá contribuir para fortalecer a competitividade da pecuária, ampliar oportunidades e garantir melhores condições para quem produz no campo.

Para conhecer mais sobre o movimento, acesse vozesdapecuaria.agr.br.

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Fonte
Vozes da Pecuária / Flag Comunica — Assessoria de Imprensa

Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.

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