Brasil reage a risco de novas barreiras da UE contra o agro

Auditoria europeia coloca frango e mel brasileiros sob avaliação e acende alerta sobre possíveis restrições às exportações. Governo afirma que não há justificativa técnica para novas barreiras.

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo ponto de atenção nas relações comerciais com a União Europeia. Autoridades europeias avaliam os controles adotados pelo Brasil sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, enquanto o governo brasileiro trabalha para impedir que as novas exigências resultem em restrições às exportações.

A auditoria envolve, neste momento, principalmente as cadeias de frango e mel e verifica se os mecanismos brasileiros atendem às novas exigências sanitárias europeias. A preocupação aumentou diante da possibilidade de interrupção temporária de alguns embarques a partir de setembro.

Brasil contesta possibilidade de novas restrições

O governo brasileiro sustenta que não existem fundamentos técnicos para a criação de novas barreiras comerciais.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a expectativa do Ministério da Agricultura é positiva e que eventuais divergências poderão ser solucionadas pelas avaliações técnicas e pelo diálogo entre as autoridades.

“A posição brasileira é clara: o país não pede flexibilização das normas europeias, mas defende que seus controles sanitários sejam reconhecidos tecnicamente.”

Em julho, o Ministério da Agricultura também informou oficialmente que as tratativas técnicas continuavam e ressaltou que o Brasil pretende atender integralmente aos requisitos dos mercados compradores. Segundo o Mapa, produtos brasileiros de origem animal chegam a mais de 150 países, inclusive mercados com rigorosos controles sanitários.

Mercado europeu ganha importância para a carne brasileira

Embora a auditoria atual esteja concentrada em frango e mel, o assunto chama atenção de todo o setor pecuário justamente em um período de crescimento das vendas brasileiras para a Europa.

Dados da Abiec divulgados pelo Canal Rural mostram que a União Europeia importou 12,5 mil toneladas de carne bovina brasileira em julho, volume pouco mais de 52% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

A receita alcançou US$ 109,8 milhões, avanço superior a 46%. Além disso, entre janeiro e julho, os embarques brasileiros de carne bovina para o bloco somaram 63,7 mil toneladas, crescimento acima de 10%.

Ou seja, novas barreiras surgiriam justamente quando o produtor e a indústria brasileira ampliam sua presença em um mercado de alto valor agregado.

Dados divulgados nesta sexta-feira (28) pela própria Comissão Europeia reforçam a relevância brasileira: no primeiro semestre de 2026, as importações agroalimentares da UE provenientes do Brasil cresceram € 425 milhões, ou 5%, impulsionadas principalmente pelas compras de soja.

Exigências europeias vão além da questão sanitária

A preocupação do agro, no entanto, não se limita aos antimicrobianos. O setor também acompanha uma série de mudanças regulatórias europeias capazes de afetar produtos como soja, café, cacau, carne bovina e produtos de madeira.

Entre elas está o regulamento europeu contra o desmatamento, conhecido como EUDR, que aumenta as exigências de rastreabilidade para produtos comercializados dentro do bloco. A implementação representa um desafio especialmente para cadeias extensas e com grande número de fornecedores.

Para o produtor brasileiro, o principal risco está na transformação de exigências ambientais e sanitárias em barreiras comerciais que aumentem custos ou limitem mercados, mesmo quando a produção cumpre a legislação brasileira.

Por isso, além do trabalho diplomático, cresce a importância de rastreabilidade, documentação sanitária e comprovação da origem da produção.

Agro precisa acompanhar negociações de perto

A União Europeia representa um mercado estratégico e exigente. Portanto, qualquer alteração nas regras pode repercutir desde a indústria exportadora até a formação de preços recebidos pelo produtor.

Ao mesmo tempo, o crescimento recente das compras europeias demonstra que o produto brasileiro continua competitivo e necessário ao abastecimento internacional. O desafio será garantir que novas regulamentações tenham fundamentos técnicos claros, previsibilidade e condições efetivas de cumprimento.

Em suma, o Brasil precisa defender seus mercados com firmeza técnica. Exigências sanitárias legítimas devem ser cumpridas, mas não podem se transformar em protecionismo disfarçado contra um dos maiores produtores de alimentos do planeta.

Para produtores que desejam fortalecer a gestão, planejamento e tomada de decisão dentro da propriedade, a Fazenda Planejada reúne cursos, livros e e-books voltados ao desenvolvimento do negócio rural. Conheça os materiais educativos da plataforma e transforme informação em estratégia dentro da fazenda.

Fontes
Canal Rural / Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) / Comissão Europeia

Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.

Jornalismo Ruralbook – A informação que vem do campo.
Conteúdos publicados no portal Ruralbook, com autoria do Jornalismo Ruralbook e seus colunistas, são protegidos por direitos autorais. Caso sejam utilizados em outros meios, é obrigatório citar o canal Ruralbook como autor e incluir um link de redirecionamento para o portal. Essa medida visa garantir o reconhecimento da fonte e a disseminação de informações de qualidade no setor agro.

Cursos & E-books

Quer receber nossas matérias, reportagens e conteúdos em primeira mão?

Faça parte de nossos grupos – Central Ruralbook

Sugestões de pauta envie para:

Whatsapp: (94) 99220-9471 – Email: redacao@ruralbook.com