Ritmo supera 2025 e a média dos últimos anos, enquanto clima, doenças e custos maiores passam a exigir atenção redobrada dos produtores.
O plantio do milho verão 2026/27 alcançou 36% da área prevista no Brasil até 16 de outubro, mantendo a implantação da primeira safra do cereal à frente do ritmo observado no mesmo período de 2025.
Segundo levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e repercutido pelo Notícias Agrícolas, a semeadura estava em 33,5% uma semana antes. No mesmo período de 2025, o índice era de 35,3%, enquanto a média das últimas cinco temporadas chegava a 35,6%.
Portanto, o produtor brasileiro entra na segunda metade de outubro com o milho verão ligeiramente adiantado, mas com desafios climáticos e econômicos capazes de influenciar o resultado final da safra.
O avanço também ocorre justamente quando a expectativa para o cereal ganhou força. A Conab estima que a área total de milho, considerando as três safras, alcance 23,7 milhões de hectares, crescimento de 4,9% sobre 2025/26. A produção pode chegar a 148 milhões de toneladas, avanço de 2,4%.
Milho verão volta a ganhar espaço
Um dos números que mais chama atenção está na primeira safra.
A Conab projeta 4,54 milhões de hectares de milho no primeiro ciclo, expansão de aproximadamente 10,7% em relação à temporada passada. A produção dessa etapa pode alcançar cerca de 32,1 milhões de toneladas, o maior volume em 13 anos, caso as condições previstas se confirmem.
Esse crescimento mostra que o milho verão volta a ganhar espaço na estratégia do produtor brasileiro, depois de anos marcados pela forte expansão da segunda safra.
Além disso, o aumento da área acontece em um momento no qual o cereal mantém importância tanto para a alimentação animal quanto para a indústria, exportação e produção de etanol.
Para o agronegócio, entretanto, uma área maior significa também maior exposição a clima, custos e comportamento dos preços.
Paraná avança, mas temporais preocupam
No Paraná, o plantio está próximo das etapas finais em várias regiões. As lavouras apresentam desenvolvimento considerado satisfatório em boa parte das áreas.
Por outro lado, episódios de granizo e vendavais provocaram danos pontuais, principalmente com desfolhamento das plantas. Assim sendo, produtores precisarão acompanhar a recuperação das áreas atingidas e a evolução do potencial produtivo.
No Rio Grande do Sul, a semeadura também se aproxima da conclusão. Contudo, a elevada umidade do solo reduziu o ritmo dos trabalhos em algumas localidades.
Nas regiões onde o milho foi implantado mais cedo, o excesso de umidade e a menor incidência de luz começam a aumentar a pressão fitossanitária.
A própria Conab já vinha apontando, desde setembro, que chuvas ajudavam o desenvolvimento inicial das culturas de verão, embora o excesso de água pudesse limitar a entrada das máquinas em determinados pontos do Sul.
Santa Catarina enfrenta calendário mais irregular
Em Santa Catarina, a implantação apresenta diferenças importantes entre as regiões.
Extremo Oeste e Oeste estão mais avançados. Entretanto, Meio-Oeste, Planaltos e Serra seguem com calendário mais escalonado, principalmente por causa da frequência das chuvas.
O cenário merece atenção especial porque o milho possui forte importância para as cadeias produtivas catarinenses.
Segundo a Epagri, o cereal é estratégico para os segmentos de carnes e leite no estado, que juntos representam mais de metade do valor da produção agropecuária catarinense.
Por isso, qualquer redução relevante na produtividade do milho pode aumentar a pressão sobre o custo da alimentação animal e atingir diretamente cadeias importantes da proteína brasileira.
Chuvas aceleram plantio no Sudeste e Centro-Oeste
Em São Paulo e Minas Gerais, as precipitações recentes melhoraram a umidade do solo e favoreceram o avanço das máquinas.
Em Goiás, por sua vez, o ritmo é mais expressivo na região Leste, onde alguns municípios já ultrapassaram metade da área planejada.
Já no Oeste da Bahia, os primeiros trabalhos começaram a aproveitar os maiores volumes de chuva registrados recentemente.
Esse comportamento regional reforça que, embora o índice nacional esteja adiantado, a safra ainda apresenta realidades bastante diferentes dentro do próprio Brasil.
Umidade aumenta pressão de doenças e pragas
O avanço antecipado não elimina riscos.
Nas áreas mais desenvolvidas, a combinação de umidade elevada, temperaturas amenas e nebulosidade persistente pode favorecer doenças fúngicas.
Ao mesmo tempo, produtores precisam observar pragas como lagartas e tripes, principalmente durante os estágios iniciais da cultura.
Em uma safra de custos elevados, falhas no monitoramento podem transformar pequenos focos de pragas ou doenças em perdas econômicas relevantes.
Por isso, o manejo passa a ganhar ainda mais importância. Além do acompanhamento climático, o produtor deve observar população de plantas, desenvolvimento radicular, sanidade da lavoura e eficiência das aplicações.
Custos podem limitar margem mesmo com safra maior
Se o clima representa uma preocupação agronômica, os insumos representam um desafio financeiro.
O Rabobank vem alertando para uma safra marcada por custos elevados e margens pressionadas, especialmente em razão dos fertilizantes.
Em agosto, o banco destacou atraso nas importações brasileiras de ureia e preocupação com a oferta para o milho, justamente porque o nitrogenado é um dos principais componentes do custo da cultura. Entre janeiro e julho de 2026, as importações de ureia ficaram aproximadamente 25% abaixo do mesmo período de 2025.
Além disso, conflitos internacionais provocaram forte volatilidade nos preços de fertilizantes ao longo do ano. Em março, o Rabobank já apontava alta de aproximadamente 17% nos preços dos principais fertilizantes importados pelo Brasil nos primeiros meses de 2026.
Assim, produzir mais milho não significa automaticamente ganhar mais dinheiro. O desafio da safra será transformar produtividade em margem dentro da porteira.
Conab vê espaço para safra recorde de milho
O potencial produtivo, entretanto, continua elevado.
O primeiro levantamento oficial da Conab para 2026/27 estima uma safra brasileira total de grãos de 367,1 milhões de toneladas, crescimento de 1,4%. A área cultivada pode chegar a 85,4 milhões de hectares.
Dentro desse cenário, o milho aparece entre as culturas responsáveis pela expansão.
Se as condições climáticas permitirem, o Brasil pode colher aproximadamente 148 milhões de toneladas de milho nesta temporada.
Ainda assim, a própria Conab destaca que o desempenho produtivo continuará diretamente ligado ao comportamento climático durante o desenvolvimento das lavouras.
O que o produtor deve observar daqui para frente?
O ritmo acelerado do plantio é uma notícia positiva para o setor produtivo porque amplia a possibilidade de estabelecimento das lavouras dentro de boas janelas agronômicas.
No entanto, o avanço de 36% é apenas o começo da história da safra 2026/27.
Daqui para frente, chuvas, temperatura, pressão de doenças, disponibilidade de fertilizantes, custos financeiros e comportamento dos preços serão determinantes para o resultado dentro da porteira.
Para o produtor, portanto, planejamento e monitoramento serão tão importantes quanto velocidade de plantio.
Em resumo, o milho verão começa 2026/27 em ritmo mais rápido e com uma área maior, mas o verdadeiro resultado dependerá da capacidade de transformar esse bom início em produtividade e rentabilidade.
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Fontes:
Conab / Notícias Agrícolas / Rabobank / Epagri-Cepa
Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.
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