Segundo foco de Newcastle acende alerta na avicultura de SC

Novo caso em Coronel Freitas amplia a preocupação sanitária no Oeste catarinense enquanto autoridades reforçam barreiras, vigilância e ações para proteger uma das maiores cadeias avícolas do Brasil.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, em 25 de outubro de 2026, um novo foco da doença de Newcastle em um estabelecimento avícola de Coronel Freitas, no Oeste de Santa Catarina. A ocorrência foi identificada durante a vigilância intensificada executada dentro da área de restrição criada após o primeiro registro da enfermidade na região.

Com a nova confirmação, Santa Catarina passa a enfrentar dois focos da doença em estabelecimentos comerciais dentro de uma mesma área de emergência sanitária.

O primeiro caso havia sido confirmado em 18 de outubro, em uma criação comercial de perus de corte em Nova Itaberaba. Após essa ocorrência, o governo federal declarou emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

A proximidade entre os dois estabelecimentos fez com que fosse necessário apenas um pequeno ajuste no perímetro da área de restrição. Ainda assim, a região permanece submetida a vigilância reforçada.

Despovoamento e investigação começam imediatamente

Após a detecção em Coronel Freitas, o Serviço Veterinário Oficial colocou em prática os protocolos previstos para emergências sanitárias, incluindo investigação epidemiológica, monitoramento das propriedades próximas, contenção e despovoamento sanitário das aves do estabelecimento afetado.

A prioridade agora é impedir que o vírus avance para outras propriedades comerciais e preservar a condição sanitária da avicultura brasileira.

As autoridades já vinham mobilizando uma ampla operação desde o primeiro foco. Até 23 de outubro, 28 equipes haviam realizado vigilância em 352 propriedades rurais, enquanto quatro postos de fiscalização permaneciam responsáveis pelo controle e pela desinfecção de veículos na região.

No primeiro estabelecimento atingido, em Nova Itaberaba, foram descartados 6.526 perus, além de insumos da propriedade. Posteriormente, começaram os trabalhos de limpeza e desinfecção das instalações.

Segundo foco aumenta atenção sobre o comércio internacional

Além do desafio sanitário, a ocorrência exige atenção porque Santa Catarina possui peso estratégico no mercado internacional de proteína animal.

Dados oficiais mostram que, em 2025, o estado exportou 1,20 milhão de toneladas de carne de frango, gerando aproximadamente US$ 2,45 bilhões. Santa Catarina respondeu por 23,3% do volume e por 25,6% da receita das exportações brasileiras do produto naquele ano.

Por isso, controlar rapidamente os focos não interessa apenas às propriedades atingidas: a resposta sanitária influencia a confiança internacional em toda a cadeia avícola.

Após o primeiro caso, alguns países adotaram restrições temporárias às exportações brasileiras. Na atualização oficial divulgada pelo Mapa em 21 de outubro, Malásia e México haviam suspendido determinadas importações provenientes de todo o Brasil. Já Arábia Saudita, China e Chile aplicaram restrições relacionadas a produtos originários de Santa Catarina, com abrangência diferente conforme cada protocolo bilateral.

No caso da China, o governo brasileiro conseguiu anteriormente limitar a suspensão à produção catarinense, evitando naquele momento uma interrupção nacional das compras chinesas de carne de aves.

A confirmação do segundo foco torna ainda mais decisiva a capacidade das autoridades brasileiras de demonstrar rastreabilidade, contenção e transparência aos compradores internacionais.

É importante destacar que eventuais alterações adicionais nas restrições comerciais dependem das decisões sanitárias de cada país. O Mapa mantém negociações e comunicação técnica com os mercados compradores.

Caso encontrado em pombos não é considerado novo foco

Paralelamente às ocorrências nas granjas comerciais, o Serviço Veterinário Oficial confirmou a presença do paramixovírus aviário tipo 1 (PPMV-1) em pombos encontrados fora da área de emergência sanitária.

No entanto, o Ministério informou que não existe relação epidemiológica identificada entre essa ocorrência e os focos nas aves comerciais. Além disso, de acordo com as definições adotadas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a detecção nas aves de vida livre mencionadas pelo Mapa não configura um novo foco oficial da doença de Newcastle.

Esse esclarecimento é relevante a fim de evitar interpretações equivocadas sobre uma eventual disseminação generalizada da doença.

Sanidade vira prioridade absoluta para granjas

Para produtores e empresas integradas à cadeia avícola, o episódio reforça a importância de medidas rígidas de biosseguridade.

A doença de Newcastle é altamente contagiosa entre aves e pode ser disseminada pelo contato com animais infectados, secreções, fezes, água, alimentos, equipamentos e materiais contaminados. Dependendo da cepa viral, pode provocar quadros graves e mortalidade elevada nos lotes.

Nesse cenário, o controle de visitantes, veículos e equipamentos, bem como a observação diária dos lotes, ganha importância ainda maior.

Qualquer mortalidade anormal, alteração respiratória, redução de consumo ou sinal neurológico nas aves deve despertar atenção e ser comunicado ao serviço veterinário responsável.

Além disso, o Mapa reiterou que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo, informação importante para evitar impactos decorrentes de desinformação ou redução injustificada da demanda.

O que está em jogo para a avicultura brasileira

A confirmação de um segundo foco dentro da mesma área de restrição mostra que a resposta sanitária continuará sendo determinante nas próximas semanas.

Por um lado, a identificação ocorreu justamente durante a vigilância intensificada, o que demonstra capacidade de detecção do sistema de defesa agropecuária. Por outro, cada novo registro exige investigação cuidadosa para determinar como ocorreu a circulação viral e impedir novos episódios.

Santa Catarina possui uma cadeia avícola de enorme relevância econômica. Somente em 2025, a carne de frango respondeu por 32,71% do valor das exportações do agronegócio catarinense, segundo levantamento da Epagri/Cepa.

Para o agronegócio, portanto, o melhor cenário é uma contenção rápida, tecnicamente comprovada e reconhecida pelos parceiros comerciais, reduzindo perdas ao produtor e permitindo a normalização dos mercados no menor prazo possível.

Acima de tudo, o episódio mostra novamente que sanidade animal não é apenas uma questão veterinária. Ela se tornou um ativo econômico decisivo para quem produz, industrializa e exporta proteína animal no Brasil.

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Fontes:
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) / CNN Brasil / O Presente Rural

Essas fontes foram utilizadas para garantir uma abordagem precisa e detalhada da matéria.

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