Brasil supera em apenas nove meses todo o volume exportado em 2025, enquanto Pará e São Paulo assumem papel decisivo no avanço do mercado internacional de bovinos vivos.

A exportação de gado vivo brasileiro atingiu um novo recorde histórico em 2026 antes mesmo do encerramento do ano. Entre janeiro e setembro, o Brasil embarcou 1,052 milhão de bovinos, ultrapassando as aproximadamente 1,050 milhão de cabeças exportadas durante todo o ano de 2025.
O resultado coloca 2026 como o maior ano da história brasileira em número de bovinos vivos enviados ao exterior, mesmo com três meses ainda restantes no calendário analisado pela Scot Consultoria.
Somente em setembro, os embarques alcançaram 127,9 mil animais. Apesar de não ter sido o maior mês do ano, o volume foi suficiente para romper antecipadamente o recorde anual anterior.
Além disso, o avanço não ocorre apenas em quantidade. Dados do comércio exterior mostram que a receita brasileira com bovinos vivos atingiu US$ 1,35 bilhão entre janeiro e setembro de 2026, contra aproximadamente US$ 760 milhões no mesmo período de 2025. Em setembro, isoladamente, as vendas renderam US$ 182,66 milhões.
Isso significa que a pecuária brasileira ampliou simultaneamente o volume embarcado e a geração de divisas com esse mercado.
Turquia e Marrocos concentram a demanda
O Oriente Médio e o Norte da África continuam no centro dessa expansão. Em setembro, a Turquia comprou 62,3 mil bovinos, o equivalente a 48,7% das exportações brasileiras do mês.
Na segunda posição apareceu o Marrocos, com 26,3 mil animais e participação de 20,6%. Somados, os dois destinos absorveram praticamente sete de cada dez bovinos exportados pelo Brasil naquele mês.
Ao mesmo tempo, mercados como Arábia Saudita, Egito, Iraque, Jordânia e Líbano mantiveram participação nos embarques, ampliando a presença brasileira em uma região historicamente importante para o comércio internacional de animais vivos.
Para o produtor, essa diversificação representa mais uma porta de saída para os animais e aumenta a presença de compradores disputando determinados lotes nas regiões atendidas pelo mercado exportador.
Pará se consolida como protagonista nacional
Entre os estados brasileiros, Pará e São Paulo concentraram a maior parcela dos embarques em setembro, com participações de 49,9% e 34,3%, respectivamente.
Entretanto, o perfil de cada estado muda conforme o país comprador.
São Paulo respondeu por 70,5% de todos os bovinos brasileiros enviados à Turquia naquele mês. Já o Pará forneceu 100% dos animais exportados para Arábia Saudita, Egito, Iraque, Jordânia e Líbano, além de responder por44,1% dos embarques destinados ao Marrocos.
O desempenho paraense demonstra como localização, disponibilidade de animais e estrutura logística se transformaram em vantagens competitivas para a pecuária da região Norte.
A movimentação de navios destinados ao transporte de bovinos pelo complexo portuário de Vila do Conde, no Pará, também demonstra a relevância dessa estrutura para o escoamento dos animais destinados ao exterior. Registros operacionais mostram sucessivas operações com embarcações de carga viva ao longo de 2026.
Marrocos amplia número de estados fornecedores
Enquanto a Turquia apresenta uma concentração maior nos embarques originados em São Paulo, o mercado marroquino possui fornecedores mais diversificados.
Em setembro, o Pará respondeu por 44,1% dos bovinos destinados ao país. Na sequência apareceram Paraná, com 19,3%; Rio Grande do Sul, com 10,7%; Minas Gerais, com 8,9%; e Rio de Janeiro, com 7,8%.
Goiás, Rondônia, Santa Catarina e Espírito Santo também participaram das exportações para o Marrocos em proporções menores.
A presença de diferentes estados mostra que a exportação de gado vivo deixou de ser uma oportunidade restrita a poucas regiões produtoras e ganhou maior alcance dentro da pecuária nacional.
Mercado exige sanidade, estrutura e planejamento
Apesar das oportunidades, exportar animais vivos exige uma operação altamente estruturada. O Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece requisitos sanitários específicos e controla a certificação necessária para os embarques.
A exportação precisa seguir as exigências acordadas com cada país de destino, incluindo procedimentos sanitários, documentação, habilitação dos estabelecimentos e emissão dos respectivos certificados internacionais.
Além disso, a legislação brasileira possui regulamento específico para exportação de bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos vivos destinados ao abate ou reprodução. O transporte também precisa observar medidas relacionadas ao bem-estar animal, segurança e redução de estresse durante a movimentação.
Portanto, crescimento comercial e eficiência logística precisam avançar juntamente com controle sanitário e boas práticas.
Recorde pode aumentar disputa por animais
O avanço das exportações cria uma alternativa adicional de comercialização principalmente nas regiões próximas aos corredores logísticos utilizados pelos exportadores.
Na prática, quando novos compradores entram no mercado buscando lotes com características específicas, a concorrência pelo gado pode aumentar, algo potencialmente positivo para pecuaristas bem posicionados comercialmente.
Por outro lado, o efeito sobre preços depende de fatores como categoria animal, localização, disponibilidade regional, custos logísticos e intensidade das compras internacionais.
Assim, não significa necessariamente que todo produtor receberá preços maiores. Ainda assim, o recorde amplia as alternativas comerciais da cadeia e reforça o peso internacional da pecuária brasileira.
Brasil caminha para fechar 2026 em patamar histórico
A projeção mais recente divulgada pela Scot Consultoria indica que os embarques devem manter ritmo consistente nos últimos meses do ano e levar o Brasil a um fechamento próximo de 1,2 milhão de bovinos vivos exportados em 2026.
Estimativas divulgadas anteriormente pelo mercado chegaram a trabalhar com números próximos de 1,3 milhão de cabeças. No entanto, considerando os dados consolidados até setembro e a análise mais recente, o cenário de aproximadamente 1,2 milhão tornou-se a referência mais atual.
Mesmo que o ritmo diminua nos últimos meses, o principal resultado já está definido: 2026 entrou para a história como o maior ano das exportações brasileiras de gado vivo.
Para o agronegócio, o avanço reforça a competitividade brasileira no mercado internacional, gera receita cambial e amplia alternativas para o produtor. Para estados como o Pará, sobretudo, o cenário evidencia como produção pecuária, localização estratégica e logística portuária podem abrir novas oportunidades comerciais.
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Fontes:
MDIC/Comex Stat / Scot Consultoria / Ministério da Agricultura e Pecuária
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